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Todos os días

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Todos o días son iguais. Ou polo menos, parécense demasiado. Esa idea propia da alienación repítese no caletre de Iván, un xornalista menor de trintra anos que perde o seu emprego nun xornal que pecha tras un ERE de extinción. Os días sucédense idénticos, repetidos, reiterados. Nada cambia, todo seguen igual, mais Iván xa non é o mesmo. Todo cambia, todo muda nel nunha caída sen fin entre a alimentación, a culpabilidade, os golpes, a depresión e a sensación de que xa non hai sitio para ninguén, de que sobra, de que é prescindíbel....

270 pages, Paperback

First published January 1, 2013

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Alberto Ramos

43 books5 followers

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151 reviews11 followers
May 19, 2013
Seria singelo resumir "Todos os días" com o a linha "novela sobre o dia a dia dum parado de longa duraçom". Pareceria assim umha história coincidente com os tempos, umha novela mais que procura retratar o estado de depressom colectiva centrando-se numha experiência com a que milhons de pessoas podem relacionar. Mas de fazer isso estaríamos simplificando o relato e classificando-o como umha mais dessas obras emergida do Zeitgeist da crise. Mas assim estaríamos obviando o carácter pessoal e íntimo da história que passa a través do seu protagonista.

É certo que a crise, os despedementos, os ERES e a insegurança laboral de quem ainda tem emprego som o contexto no que nasce a história e jogam um papel definitório do estado vital das personagens, e que muitas pessoas podem relacionar com esses elementos da trama. Mas a novela nom tenciona ser umha representaçom universal do enjoo e a desesperança das pessoas desempregadas, nom joga permanentemente com os elementos universais do seu substrato para acadar um estado "retrato da crise", aliás parte desses elementos para contar umha história mui concreta e pessoal. A personagem de Ivan observa como os cenários da crise, os dramas pessoais alheios e familiares e o tempo passam ao seu carom mentres permanece inerme e centrado na sua própria desgraça interiorizada. A novela deixa que a crise e os elementos comuns dos dramas universais (a desesperança, a enfermidade, a soidade...) passem por ela só para serem alimento da história que quere contar. E isso nom é algo mau mas a característica definitória dumha história que tem valor de seu e nom como retrato abrangente e pretensioso dumha época.

Esta é umha história que nom procura a empatia da pessoa leitora. Como o protagonista Iván que ante as preocupaçons e cuidados das suas amizades revolve-se e berra que o deixem só com a sua intençom de se deixar morrer, a novela repudia a quem procure umha leitura puramente empática. O autor transmite em cada página o desejo de afastar a quem só pode relacionar com umha personagem protagonista se pode estabelecer umha conexom de empatia, de reconhecimento sentimental, com o descrito. Sim, Iván está no paro, sofre situaçons familiares e sentimentais conhecidas por muitos mas reage ao seu jeito próprio, guiado pola sua coerência vital nom por um intento de retratar e abranger o espetro mais amplo e reconhecido da experiência humana. Se chegamos a sentir os sofrimentos de Iván é porque rematamos de reconhecer nele umha pessoa real possível, nom um espelho no que projetar as nossas próprias experiências. A novela e Iván ganham o direito, com esforço, sofrimento e sangue cuspida, de se desligar do convencionalismo de "história da época que vivemos" para serem relato e pessoa com entidade própria.

É pois de agradecer o trabalho do autor ao destilar as suas experiências numha realidade mui semelhante à escrita. Como o protagonista ante o espelho cruel do banho, contemplando a sua nuez crua, imagino o processo de escritura como umha inspecçom autocrítica da própria história. Se calhar a novela começouu como um poço onde deitar a raiva do profissional desleixado, o trabalhador menospreçado e as ilusons derrotadas num projeto jornalístico. Intue-se no processo narrativo que a bile acumulada nom escorregou de jeito pacífico polo esgoto dumha catarse literária, e que foi um processo que deixa proídos e erosons desagradáveis froito da própria acidez. E no processo de deitar fora e dar forma legível às experiências pessoais umha grande parte do autor ficou entramada na purga. Mas nom se enganem, isto nom converte a história em pura projecçom da experiência do escritor. Essa pessoalidade transferida na novela serviu como estrume sobre o que agromar umha história com direito a ser ela mesma, nom umha barata extensom psicoanalítica do autor. Assim a novela e a personagem protagonista som duas vezes livres e responsáveis: som livres do convencionalismo da novela de retrato rosial, e som livres de se desenvolver mais alá da autobiografia.
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