Em 1847, na pequena vila de Inhambane, um punhado de famílias esquecidas pela coroa portuguesa luta heroicamente para impor uma nova civilização em território africano. Acabado de se ordenar em Lisboa, o jovem padre Joaquim Santa Rita Montanha é enviado para Moçambique com a sagrada missão de prestar apoio espiritual aos europeus e evangelizar os indígenas. O seu sonho de realizar uma obra que fique para a história depara-se com dificuldades que parecem insuperáveis. Mas, apesar de todos os obstáculos, o padre Montanha nunca desiste dos seus objectivos ambiciosos e, em breve, torna-se o pilar desta pequena sociedade branca rodeada por milhares de guerreiros de tribos hostis. Personagem complexa, o padre Montanha é um fervoroso homem de Deus que goza de invulgar prestígio mas não abdica de uma paixão arrebatada pela escrava Leonor, com quem vive um amor proibido. É, sobretudo, o explorador que não hesita em enfrentar perigos imensos para concretizar uma viagem aos holandeses no interior do sertão e, assim, inaugurar as relações diplomáticas entre o reino de Portugal e os fundadores da futura República Sul-Africana. Tal como o tenente Montanha, personagem inesquecível do seu anterior romance O Tempo dos Amores Perfeitos, o padre Montanha é antepassado do autor. O Império dos Homens Bons é resultado de uma minuciosa pesquisa sobre a vida deste homem singular e a recriação histórica de uma época de grande romantismo em África. Trata-se de um retrato de época brilhante e de enorme talento.
Tiago Rebelo é um dos romancistas mais brilhantes das letras portuguesas. Na última década manteve uma produção literária constante e os seus livros tornaram-se há muito presença habitual nos lugares cimeiros das principais tabelas de vendas nacionais. Com títulos disponíveis em diversos países, desde o Brasil a Angola e Moçambique, foi igualmente editado em Itália e na Argentina. Depois dos enormes sucessos aplaudidos pelo público e pela crítica, O Tempo dos Amores Perfeitos e O Último Ano em Luanda, o seu útlimo romance, O Homem Que Sonhava Ser Hitler, editado em 2010 pela ASA, é um magistral e absorvente relato de uma face desconhecida da sociedade actual. A par da actividade literária, Tiago Rebelo tem já uma longa carreira de jornalista, sendo actualmente editor executivo na TVI.
Quando vejo o meu pai a devorar um livro de 500 páginas em poucos dias, é sinal de que o livro é bom. Fiquei logo com a pulga atrás da orelha e com curiosidade para o ler.
Este é um romance histórico com muito mais de história do que de romance. Baseado numa história da vida real, creio que tenha sido escrito com base num trabalho de pesquisa interessante.
Fiquei encantada com este romance proibido e com a história do padre Montanha e dos seus feitos.
O ponto forte do livro é a escrita do autor. Adorei. Fiquei muito curiosa para ler os livros mais contemporâneos dele.
"O padre Montanha falava, o alferes Teixeira traduzia, e as horas passavam com aquela tradicional insensibilidade de África para as coisas urgentes."
Os livros que retratam África têm sempre o seu encanto e após o belíssimo "O último ano em Luanda", as expectativas para esta obra eram elevadas. Infelizmente, revelaram-se excessivas, pois a narrativa ao longo das 500 páginas foi-se tornando banal e pouco estimulante.
Contextualizando: a trama desenrola-se no XIX e retrata com minúcia as diferenças sociais e culturais entre os povos europeus e africanos. Baseia-se em fatos verídicos e é notório o rigoroso exercício de investigação e pesquisa sobre a vida e obra do protagonista, o Padre Montanha, bem como das restantes figuras que compõe a ação: os Governadores, os militares e os vários grupos étnicos da região. Porém, apesar dos momentos caricatos, em particular os jogos de poder e negociação entre as personalidades, a leitura não consegue prender e conquistar.
Para quem me conhece sabe que sou f ã de Tiago Rebelo, mas também romances históricos ou de época. Se puder aliar estes dois gostos num único livro só pode resultar em algo de bom. Apesar de um pouco grande, e ter alguns momentos um pouco maçudos, O Império dos Homens Bons lê-se muito bem, dada a escrita fluída e atrativa.
Esta é uma história muito bonita onde todo o enredo é especial com características únicas e oportunas a um dado momento do livro. Penso que por ser baseado em fatos verídicos ainda atrai mais o leitor a este pedaço de história Portuguesa. Estamos sempre a aprender qualquer coisa. A minha única nota mais crítica assenta na repetição constante do descrever do passar dos dias. As descrições são pormenorizadas até ao grão de areia vermelho do solo africano. Mas quando descreve o primeiro dia numa aldeia africana, e o segundo e o terceiro e o quarto… todos os dias são iguais e o leitor deixa-se embalar sem verdadeiro interesse até que finalmente embarca na aventura aos Holandeses. Aí sim, venham estas peripécias e maravilhas que nos prendem até terminar a viagem. Fiquei com curiosidade de ler outro livro do autor.
O tempo e o espaço históricos em que se desenvolve a trama é interessante. Moçambique em meados do século XIX. A forma de governo nas colónias e a vida dos europeus nas cidades pouco povoadas são descritas de forma muito cativante. O principal assunto do livro, a viagem de um grupo de habitantes de Ínhambane a um longínquo lugar no interior ocupado por holandeses, é descrito com detalhe, quase um diário.
Não é uma novidade que aprecio a prosa de Tiago Rebelo. Dito isto, parti algo renitente para esta leitura. A sínopse não me atraiu. Mas gostei bastante do livro, foi uma agradável surpresa. Um retrato vívido da vida nas colónias portuguesas de África em meados do século XIX, repleta de peripécias e detalhes deliciosos. Adorei as personagens, todas bem talhadas. O finalzinho do livro é na minha opinião o elo fraco, um pouco prevísivel e com sabor de literatura de cordel.
A história é muito interessante e os primeiros 2/3 do livro fluem facilmente. Gostei particularmente dos conflitos com os governadores e maquinações políticas. Infelizmente a viagem aos holandeses nas últimas 100 páginas é um pouco monótona talvez por recorrer muito ao manuscrito original. Globalmente é um bom livro, mas poderia ser mais curto.
A vida do Padre Montanha e da escrava Leonor passada em Moçambique. Um bom romance, mas que se perde em histórias confusas da vida do Padre que nada se relaciona com o romance dos dois. Na minha opinião teria sido um livro de grande qualidade se o autor explorasse mais a relação dos dois e dos desafios de uma relação entre uma escrava e um Padre.
Mais uma vez o livro de Tiago Rebelo prendeu-me da primeira à última página. É o meu escritor português contemporâneo preferido. A descrição das paisagens africanas desde a costa em Inhambane até ao sertão com a sua fauna e flora, cativaram-me sobremaneira e fez-me viajar por essa zona do mundo sem nunca lá ter estado e sentir as emoções das suas personagens: do mato denso, às colinas, às montanhas, aos rios salgados, lagos e lagoas, etc.. Achei particularmente interessante o relacionamento entre as diversas tribos e destas com os europeus. De facto, é muito difícil para os europeus compreenderem os africanos, os seus costumes, a forma como encaram a vida: com hospitalidade, com tranquilidade ou com muita violência e ferocidade. Os europeus são igualmente diferentes entre si: os do Norte para quem seria impensável viver um amor com uma africana e os portugueses com a terna relação entre o padre Montanha e Leonor.
Um livro interessante sobre a vida de um padre (Joaquim Montanha) que se apaixona por uma escrava no século de XIX em Inhambane e relata as atribulações da sua viagem no sertão a Zoutpansberg para tentar estabelecer relações comerciais com os "Boers" (descendentes de colonos calvinistas dos Países Baixos e também da Alemanha e da França, que se estabeleceram nos séculos XVII e XVIII no território da actual África do Sul, cuja colonização disputaram com os britânicos. Mini glossário: Maungo - Novidade Molungo - Forma como os nativos se referiam aos portugueses Pswikwembo - Espírito dos antepassados Xipuku - Fantasma
Gostei muito deste livro. Mesmo muito. Quase nem tenho palavras para o caracterizar. É um livro muito forte e real.
Temos uma personagem (o padre Montanha) que é enviado para Moçambique com a missão de prestar apoio aos colonos. Mas no momento em que chega lá a sua vida complica-se ao ponto de se apaixonar por uma escrava chamada Leonor.
Tiago Rebelo foi uma revelação para mim e, de certeza, que vai ser um escritor a seguir.
É um pouco confuso por vezes quando entra uma parafernália de personagena novoa dos quais ainda não se tinha ouvido falar. gostava que tivesse mais conteúdo em relação ao romance entre o protagonista e a escrava Leonor. De qualquer modo é uma leitura leve e que se lê bem mas que para primeira experiência de livro deste autor deixa um pouco a desejar.
Comparando com outros livros que já li de Tiago Rebelo como 'O Tempo dos Amores Perfeitos',que adorei, achei este menos emocionante, mais aborrecido como se faltasse algo na história. Não deixa de ser um livro interessante, mas de longe foi o meu favorito.
Baseado numa história verídica, conta a vida de um padre português em Moçambique no século XIX e do seu amor por uma escrava negra. Apesar de não ser muito o meu género de livro, e de até meio não ter achado muito entusiasmante, depois a narrativa tornou-se bastante apelativa e cheia de expectativa.