Solitária numa cidade estrangeira, uma mulher se dedica a tarefas corriqueiras. Ao mesmo tempo, empreende uma atividade peculiar: lê os diários de seu pai. E escreve suas próprias linhas nos versos das páginas. Estreia de Paloma Vidal na Rocco, Mar Azul retoma alguns dos elementos que a consagraram como uma das vozes mais marcantes da prosa brasileira contemporânea, como a memória e o exílio.
Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires em 1975, e aos dois anos veio para o Rio de Janeiro. Publicou os livros de contos A duas mãos (7Letras) e Mais ao Sul (Língua Geral). Participou das antologias 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004), Paralelos: 17 contos da nova literatura brasileira (Agir, 2004) e A Visita (Barracuda, 2005).
Paloma Vidal foi uma das semifinalistas do Prêmio São paulo de Literatura 2010 com o romance "Algum lugar".
A ideia de uma trajetória de retrabalho da memória me intrigou desde a sinopse, mas gostei ainda mais do desenvolvimento do livro. Não é uma narrativa linear, mistura cenas da adolescência da narradora à momentos de sua rotina na terceira idade e à memórias de momentos breves. Momentos que, ao longo da leitura, vamos juntando como peças de um quebra-cabeças, que nos ajuda a entender a personalidade e a história da personagem, de seu pai e de sua amiga de infância. Em suma, o romance envolve trauma, memória e ditadura, três eixos pelos quais me interesso muito.
Um livro que me fez refletir sobe o paradoxo de não querer se lembrar dos últimos resquícios de lembrança de alguém. A personagem permeia um cotidiano simples e pacato, aprendendo a lidar com um corpo mais velho ao mesmo tempo que tenta lidar com traumas paternos desde muito jovem. O livro não entrega facilmente uma história, nos é apresentado apenas fragmentos de uma contação. Cabe interpretações.
"Mais uma vez estou falando de mim e não dele. São minhas mãos, e tudo faz parte de uma vingança póstuma por ele ter deixado fora da sua cronologia o ano do meu nascimento".
Comecei a leitura sem saber do que se tratava, mas fiquei interessada em saber onde a história ia parar.
Apenas na metade do livro entendi o conceito e achei uma leitura super prazerosa que conta de forma diferente os acontecimentos na vida da personagem e vai explicando de forma leve como ele se sente sobre essas situações que ela passou na infância / adolescência já idosa.
Também fala um pouco sobre a velhice de forma despretensiosa.
Eu ingenuamente sempre acho que livros sobre memória e exílio não podem mais me marcar de forma tão profunda, pelo contato de algum tempo que tenho. Toda vez sou provada errada, que escrita rica. Muito bom estar lendo mais autoras