Este livro consiste numa pequena recolha que inclui os mais importantes poetas cubanos da actualidade, que surgiram a partir de 1970 e que, portanto, acompanharam o processo totalitário da Revolução Cubana. Parte- se de José Kozer e Reinaldo Arenas, já sólidos poetas nos anos 70; inclui- se, em continuação, Reina María Rodríguez e Ángel Escobar Varela, que começam a escrever em finais dessa década cinzenta, mas que apenas se consolidam mais tarde; e conclui- se com alguns membros da Geração de 80 – Rolando Sánchez Mejías, Ismael González Castañer, Antonio José Ponte, Omar Pérez, Damaris Calderón e Alessandra Molina –, marcada pelas expectativas da Perestroika e pela queda do Muro de Berlim, e todos nascidos depois do triunfo da Revolução e educados, por conseguinte, sob a experimentação guevarista do Homem Novo, com a qual cedo rompem. É na década de 80, aliás, que a poesia cubana começa a recuperar a sua força, libertando-se, pouco a pouco, do lastro da ideologia.
Reina María Rodriguez Violet Island (...) não quero domesticar mais ninguém. que eles penetrem com a sua sabedoria nas minhas vozes e se acerquem sem ser, sem pedir, sem se dar conta mas conhecendo, desde o fingido olho avermelhado, outra linguagem, outra profundidade que não assinale o certo, nenhum termo, nenhuma coragem, somente estar onde estamos e alojarmo-nos como inteligências diferentes na sensação, oferecendo-nos e agora diz-me... geme ao ouvido foi uma cidade com porto. os nomes dos seus barcos profundos ancoraram aqui alguma vez. nomes raros com esmaltes muito fortes e acesos. estávamos rodeados de horizontes e de água, porque os portos permitem esquecer e receber esquecer e voltar. foi uma cidade com porto donde nunca mais ninguém partiu ou voltou. uma névoa constante cobre a tela do fundo ainda azul e humedecida do Inverno e o descolorido ondear das bandeiras esburacadas pelas sombras. se bem que antes fosse um limite agora saías a vê-lo e correr agora é só a aparência de um limite (...)
"Encontraron, al fondo de los túneles, ratas de metro y medio de largo. Las alumbraron con linternas (los rusos dijeran epa, epa) y las ratas huyeron, bamboleantes y caóticas, sus ojitos rojos heridos por la luz. Uno de los rusos pidió vodka y otro le dio vodka y entonces dijeron algo acerca de la realidad."