Walter é um cientista além mar que foi capturado enquanto participava numa expedição às terras bárbaras. Cedo o líder do povo das montanhas lhe prova que está enganado, revelando que Walter faz parte dos seus planos. Num futuro distante, vários séculos depois de holocausto nuclear, a humanidade enfrenta o mesmo desafio que a levou à Terceira Guerra Mundial. Haverá uma solução para o problema energético?
Born in Aveiro in the year 1986. After several years as associate scientist at CERN, he came back to Portugal as entrepreneur. In 2014 he founded Editorial Divergência, an editorial project focussed in speculative fiction. He is also Haidong gumdo instructor.
In 2014, he published is first book: Caderno Vermelho, a manifesto written in poetry. His debut novel, As Nuvens de Hamburgo, was publish in 2017. He had contributed to several anthologies, magazines, blogs and newspapers.
O Monstro e a Musa tem descrições excelentes de um Portugal que ainda não existe mas que não deixa de ser familiar. Esta foi, sem dúvida, a coisa que mais gostei neste conto. Bem, isso e o facto de se tratar de uma história sobre o uso de energias renováveis e amigas do ambiente (um tema que sempre me fascinou). Mas, por outro lado, e apesar de o protagonista e o antagonista estarem bem personalizados, achei que todas as outras personagens eram uni-dimensionais e nada acrescentaram à história. Falo em especial do interesse amoroso que surgiu na segunda metade do livro, e cuja existência nada mais era do que uma artimanha para o protagonista cometer um erro. Esta personagem, a meu ver, foi o suficiente para estragar a segunda parte, pela sua falta de personalidade.
Por outro lado, a escrita do autor, que tão bem descrevia as paisagens e a envolvente, estendeu-se demasiado em explicações detalhadas de maquinarias e funcionalidades que, apesar de um pouco interessantes, rapidamente se tornaram aborrecidas. Mas, pior que isso, foi a forma como o autor escolheu distribuir a informação sobre a sociedade que apresenta e como esta lida com a energia, a guerra, e a vida em geral: usando de diálogos forçados e muito pouco naturais, que começavam com falas do estilo de: "Nós sabemos como funciona, mas queremos ouvir da sua boca.", como desculpa para a personagem nos dar a informação necessária. Pessoalmente, detesto quando o autor recorre a esta técnica.
No geral, O Monstro e Musa tem alguns pontos de interesse mas a prosa deixou algo a desejar e achei que se arrastou demasiado. No entanto posso dizer que gostei do final e do conceito.
(2,5*) Gostei de alguns dos pormenores técnicos mas, por outro lado, desgostei de parte das personagens, principalmente da protagonista, que era demasiado banal, demasiado "mais do mesmo" e com pouca personalidade.