Os anos 80 foram pródigos para o rock nacional. Especialmente para a cidade de Brasília, que 'exportou' para o restante do país diversas bandas de sucesso, como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Raimundos e outras. Mas, como surgiu esse movimento musical em Brasília? Por que a capital federal se tornou o grande centro do rock brasileiro nessa época? Como essas bandas começaram? As respostas para estas e outras questões estão em 'O Diário da Turma'.
O Diário da Turma nos traz um importante registro da história de um movimento que marcou Brasília nos anos 70 e 80 até ganhar projeção nacional. A história é contada pelos próprios entrevistados, com adições pontuais de Paulo Marchetti no início de cada capítulo, para contextualização. Ao ler as histórias, nos sentimos como alguém numa roda de amigos que relembram os velhos tempos.
Nela, acompanhamos a Turma da Colina, que se reunia para ouvir e tocar músicas, influenciadas pelos discos e fitas punk vindas de colegas do exterior. A música, fator central de todo o livro, é uma rota de escape para os jovens de uma jovem Brasília, ainda em formação e com poucas opções de lazer. O movimento, que depois se ampliou para outras regiões da cidade, mostra uma forma de se ocupar a cidade, driblar o tédio e criar uma identidade própria para uma Brasília povoada por pessoas de diferentes locais.
De um ponto de vista pessoal, como um brasiliense nascido já após todo o movimento, é interessante ver histórias de Brasília de uma época anterior, já bem diferente da atual. Também é curioso ver as histórias das bandas que cresci ouvindo, entendendo todo o processo de sua formação. O tempo pode até ter passado, mas a Turma deixa de herança a música e uma nova cara para Brasília.