Uma das mais famosas e importantes sagas da história dos quadrinhos mundiais está de volta!
Blueberry, criação franco-belga da lendária dupla Jean-Michel Charlier e Jean Giraud (que mais tarde se tornaria mundialmente conhecido como Moebius), enfim chega ao Brasil pela Pipoca & Nanquim em uma COLEÇÃO INTEGRAL e DEFINITIVA, para a satisfação dos antigos fãs, que nunca tiveram a chance de ver a história completa, e dos novos leitores, que terão a oportunidade de conhecer um marco universal das HQs!
Tida como uma das principais obras do gênero faroeste, Blueberry é um relato contundente e detalhado da epopeia do tenente Mike Steve Donovan, mais conhecido como Blueberry, enquanto serve ao exército norte-americano em uma região do país assolada de forma contumaz por conflitos sangrentos entre brancos e indígenas, durante o desenfreado desbravamento do Oeste, após os eventos da Guerra de Secessão.
Lançada originalmente em 1963, por influência de faroestes clássicos como Sangue de Heróis e Rio Bravo e da paixão dos autores pelo tema, Blueberry não se limita a beber de suas fontes, tornando-se, ao longo da sua narrativa, ela própria inspiração e referência sobre como retratar o famigerado Oeste Selvagem, de modo a hoje alcançar todos os tipos de expressões artísticas, para além dos quadrinhos.
Drama, aventura, suspense, denúncia, romance... Este projeto monumental não só reúne centenas de cenas de ação de tirar o fôlego, com duelos mortais de armas de fogo, eventos históricos e combates a cavalo,como também propõe reflexões atuais e pertinentes, com suas mensagens antimilitarista e anticolonialista, entregues com louvor por seu carismático protagonista anti-herói.
O primeiro volume da saga, com 484 páginas coloridas impressas em offset, capa dura e formato grande, reúne três (das nove) edições integrais francesas, que trazem os álbuns: Forte Navajo,Tempestade no Oeste, Águia Solitária, O Cavaleiro Perdido, Na Pista dos Navajos, O Homem da Estrela de Prata, O Cavalo de Ferro, O Homem do Punho de Aço e A Pista dos Sioux. No início de cada etapa de um integral francês, entra um vasto conteúdo extra,que conta os bastidores da concepção do personagem e dos seus inesquecíveis coadjuvantes, além da contextualização da época e a maneira como seus criadores se envolveram com a obra.
Jean-Michel Charlier was a Belgian script writer best known as a writer of realistic European comics. He was a co-founder of the famed European comics magazine Pilote.
É como um dos velhos seriados da Republic: você não para um segundo. Blueberry vai de aventura em aventura, de encrenca em encrenca, sempre cheio de “cliffhangers”, escapando de armadilhas segundos antes do desastre e repetindo – às vezes literalmente – plots do cinema dos anos 50. Mesmo com uma carga de texto acima do normal para uma HQ de aventura, é impossível parar de ler. As quase 500 páginas voam, produzindo um efeito vertiginoso, muito por conta do dinamismo da arte de Jean Giraud. Não poderia recomendar mais essa edição luxuosa e digna da obra de Charlier e Moebius (antes de ser Moebius).
Gosto da ambientação "Wild West", sou um pouco fissurado no estilo. A arte é boa, o roteiro é legal, mas temos pontos negativos também.
Acho que por conta da época em que a HQ foi produzida, Blueberry é como se fosse um semideus do velho oeste: tudo ele resolve, em tudo ele é melhor e todos sempre contarão com eles para qualquer situação.
Alguns personagens de destaque nos primeiro capítulos simplesmente somem após um tempo, e sem explicação. Talvez apareçam nos próximos volumes? Não sei.
Se você gosta de histórias em quadrinhos com textos e textos, essa é um prato cheio. Muitas vezes o excesso de texto (seja diálogo ou outro), quebra o ritmo da leitura. Isso me incomodou um pouco e talvez seja o motivo da nota ter ficado abaixo das 4 estrelas.
A edição da Pipoca & Nanquim só merece elogios.
Por fim, apesar da nota "intermediária", Blueberry é uma leitura divertida. Lerei os próximos volumes.
os três primeiros volumes compõem a história principal de blueberry. enquanto não era publicado aqui, procurei por anos edições em francês, inglês ou espanhol. quando finalmente foi lançado, esperei um tempão até sair tudo pela pipoca e nanquim.
como adoro faroestes, imaginei que blueberry se tornaria um dos meus quadrinhos favoritos de todos os tempos. não foi bem isso que encontrei, mas a saga de charlier e giraud não deixa de ser acima da média.
acredito que blueberry seria melhor caso charlier, roteirista da velha guarda, não alimentasse certas convicções antiquadas: afirmava que hqs eram destinadas ao público infantil e se dedicava pouco à introspecção e ao desenvolvimento de personagens. além disso, pesava a mão em recordatórios redundantes e em balões de diálogo verborrágicos;
entretanto, admito que blueberry é, sim, mais moderno do que a maioria dos comics americanos da época. gosto especialmente de como os personagens são moldados e mudados pela passagem do tempo.
as primeiras histórias de blueberry são boas, porém mais fracas que as posteriores. o primeiro volume começa a mostrar potencial em "o homem da estrela de prata", aventura inspirada no clássico filme "rio bravo", de howard hawks.
sou um grande fã do jean giraud/moebius. a evolução de seu traço, de seu trabalho com hachuras e de seu senso de narrativa gráfica ao longo de blueberry é notável. a saga de faroeste começa sendo ilustrado por um artista imaturo e termina alcançando o nível de excelência gráfica de incal e arzach -só que numa toada naturalista.
desde o início charlier se esforçou para humanizar os povos nativos-americanos. a marcha comanche e a relação de "tsi-na-pah" (nome indígena de blueberry) com a tribo no volume 3 figuram entre as representações mais empáticas de povos originários num faroeste -especialmente num western daquela época.