Os Fidalgos da Casa Mourisca é uma obra de Júlio Dinis passada numa aldeia do Alto Minho e que retrata o confronto entre a burguesia em ascensão e a meteórica queda de uma nobreza decrépita e falida.
Da obra que lemos até agora deste autor, este é o livro que se assemelha mais ao romance tradicional onde o foco principal não recai tanto na ilustração de uma determinada realidade social mas antes nos amores entre dois jovens de realidades sociais diversas.
Apesar do carácter romântico assumir o papel de destaque Júlio Dinis nesta obra põe a nu a fragilidade de uma nobreza fidalga em declínio que se limita a viver de um nome que cada vez vale menos numa ilusão utópica da manutenção de um status quo que já não tem. Existe também uma ligeira abordagem dos problemas relativos às alterações profundas na sociedade portuguesa decorrentes do fim de alguns privilégios de classe que o liberalismo político ofereceu ao século XIX português. No entanto, e como dissemos supra, o objecto principal desta obra são as relações pessoais que se estabelecem entre duas famílias de classes sociais distintas e que condicionam toda a narrativa.
Filipe de Arede Nunes, 21 de Novembro de 2008 http://bibliotecatransmissivel.blogsp...
Este romance, que é uma crónica de aldeia, passa-se no séc.XIX, no Alto Minho, e nele o autor põe em evidência as mudanças por que passa a sociedade portuguesa da época com o progresso da burguesia e a consequente decadência da nobreza. Os senhores Negrões de Vilar de Corvo, o pai D. Luís, e os filhos, Jorge e Maurício, são conhecidos como os Fidalgos da Casa Mourisca, pois assim é conhecido o velho solar onde vivem, a Casa Mourisca.
Fonte: http://pt.shvoong.com/books/671896-os...
Em tempos idos, havia uma tradição nas aldeias de chamar Casa Mourisca aos grandes solares senhoriais. Na aldeia retratada nesta obra a tradição mantém-se e o solar da família Negrões de Vilar de Corvos fica conhecida por esse nome pelos seus habitantes.
[...] Esta é uma obra centrada numa problemática muito própria do século XIX, em que a classe aristocrática vai perdendo os seus privilégios para uma burguesia emergente e onde Júlio Dinis faz um excelente retrato de uma ruralidade assente em morgadios do interior que está a desaparecer com a chegada de novas ideias e novos ideais políticos a Portugal.
Isabel Maia, 12 de Abril de 2010 http://nacompanhiadoslivros.blogspot....
JÚLIO DINIS, pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nasceu no Porto a 14 de Novembro de 1839. Tirou o curso de Medicina na Escola Médica do Porto, aliando a profissão de médico à de escritor. Os seus primeiros textos foram publicados em A Grinalda e em O Jornal do Comércio. As suas principais obras, todas assinadas como Júlio Dinis, são: As Pupilas do Senhor Reitor (1867), A Morgadinha dos Canaviais (1868), Uma Família Inglesa (1868), Serões da Província (1870), Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871), Poesias (1873), Inéditos e Esparsos (1910), Teatro Inédito (1946-47). O único romance citadino é Uma Família Inglesa, baseado na literatura inglesa. As Pupilas do Senhor Reitor e A Morgadinha dos Canaviais foram romances praticamente escritos em Ovar; já os Serões da Província e Os Fidalgos da Casa Mourisca foram redigidos no Funchal. Esta última obra não chegou a ser totalmente revista pelo autor devido à sua morte prematura; um primo seu ajudou-o nesta tarefa e concluiu-a. Júlio Dinis morreu na madrugada de 12 de Setembro de 1871, no Porto.
Atendendo à época em que Júlio Dinis viveu, seria natural situá-lo no ultra-romantismo. Porém, as suas obras literárias não deverão ser inseridas nesta corrente, já que, devido à influência do pai, médico, e à sua educação científica, Júlio Dinis tinha uma visão bem mais real e verdadeira do que a dos autores ultra-românticos. Mas também não devemos classificar a sua obra na corrente Realismo – Naturalismo que começou com as Conferências do Casino da geração de 70, de Eça de Queirós. Podemos, sim, dizer que ele foi o percursor desta corrente literária no nosso país, o que levou a que fosse apelidado de inaugurador da escola naturalista.
Os Fidalgos da Casa Mourisca appears to us in the form of a village chronicle, showing a changing society: on the one hand, an old manor almost uninhabited, owned by a decadent aristocracy, represented by D. Luís, who saved by work his young heir, Jorge; on the other, a new rural bourgeoisie, represented by Tomé da Póvoa, a former employee of D. Luís. That's affirming the value of work as a source of wealth and happiness. As a recipe for social regeneration, the work proposes the fusion of the aristocracy's positive qualities with those of the rising bourgeoisie. Embodied by Jorge's marriage, son of D. Luís, with the former peasant daughter, Berta, to whom the father's recent fortune enabled education.
Em pouco mais de 2 dias devorei esta obra que continua, nesta releitura, a ser a minha favorita do meu querido Julinho! Tenho um carinho imensurável por este autor, que sempre me aconchega o coração!
Orgulho e Preconceito seria o título mais apropriado para este romance póstumo de Júlio Dinis (publicado em 1871, no mesmo ano da morte do autor).
Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871) travou uma longa batalha com a tuberculose (doença que, aliás, lhe levou a mãe e os irmãos), e pereceu na idade precoce de 31 anos. Este foi o seu último romance, obra que já não contou com a sua revisão. Apesar de se tratar de uma narrativa saída do punho de um moribundo, é um livro positivo, com momentos de grande divertimento, mas também de angústia e de seriedade.
Comecei a lê-lo em Agosto, quando tinha acabado há dias Uma Família Inglesa, de que muito gostei. Nunca é boa ideia ler livros muito próximos de um mesmo autor, senti que estava a ler uma continuação do livro mencionado e comecei a sentir-me algo fatigada. A culpa não era do livro, mas sim da necessidade que tive de me afastar da narrativa de Júlio Dinis, para depois poder regressar a ela repousada, e assim poder admirá-la em todo o seu esplendor.
A escrita é elegante, compreensível mas contém a complexidade de ideias e de caracteres das personagens. Neste livro, ficaram-me várias inesquecíveis: D. Luís, o fidalgo falido da Casa Mourisca, que tudo perdeu exceto a altivez do seu brasão. Jorge, o filho mais velho, empenhado em recuperar o brio que outrora luziu sobre a sua família. Maurício, o filho mais novo e impetuoso do velho fidalgo, dado a paixões e a aventuras. Outras personagens cuja vida vem entrelaçar-se com a destes nobres são o Tomé da Póvoa, antigo criado da casa e que entretanto investiu na sua própria Herdade e a elevou muito além do esplendor da Casa Mourisca, a sua filha Berta, regressada de Lisboa com estudos e maneiras elegantes, e tantos outros vizinhos que com estas personagens se cruzam, ajudando a traçar os seus destinos.
As personagens são sublimes. Jorge é sisudo, empenhado e devoto ao dever de reerguer a casa da família. É, por isso, a minha personagem favorita que toma como sua responsabilidade a missão de abandonar os velhos modos que levaram ao ócio e à destituição do património de muitos nobres nessa segunda metade do séc. XIX, em que o país se regia pelo signo do liberalismo. Berta é, à semelhança de Jenny de Uma Família Inglesa, uma menina de bem, meiga e com valores sólidos que vem agitar a relação dos dois irmãos, Jorge e Maurício, mas, sobretudo, agitar o equilíbrio decadente de séculos por aquelas bandas: a separação de classes, de aspirações, de fortunas e de oportunidades.
A única coisa que me aborrece ligeiramente nos livros de Júlio Dinis é a santificação da figura feminina, como se personificasse tudo o que há de bom, estivesse sempre disponível para os maiores sacrifícios e superasse os homens em índole e perspicácia, e acabando sempre por salvá-los dos seus impulsos mais nocivos. Talvez esta ideia de mulher perfeita lhe venha da mãe que perdeu quando era tão pequeno? De qualquer modo, parece-se um pouco com o fenómeno de adoração da Mãe (Fátima) que nasceu em 1917. Uma espécie de percursor de uma crença na sacralidade feminina e maternal que os portugueses sempre estiveram muito dispostos a abraçar. Também me oponho bastante a esta ideia constante de sacríficio que surge tão virtuosa e que tanto eleva o caráter das personagens à luz do seu século. Eram outros tempos, mas creio que este espírito se estendeu em Portugal durante todo o Estado Novo, à sombra da religiosidade e dos bons costumes de modéstia e recato.
De um lado, a ruína dos nobres; de outro, o progresso da burguesia e dos lavradores honrados. Amo este Portugal fulgurante que Júlio Dinis nos descreve, e adoro o modo como o livro nos sugere que o país poderia ter seguido um rumo de ascensão económica, mesmo no seio Europeu, se a aristocracia de deixasse das velhas maneiras e adotasse a força e a determinação de homens que, do nada, construíam pequenos impérios.
Os Fidalgos da Casa Mourisca é uma obra passada numa aldeia do Alto Minho e que através de uma história de amor põe a nu o confronto entre a burguesia em ascensão e a queda de uma nobreza caduca e falida. Os relacionamentos entre as famílias Negrões de Vilar dos Corvos e Tomé são o foco principal desta história, no entanto, Júlio Dinis, aflora também, ainda que levemente, as diferenças entre conservadores e liberais.
Curiosidades (pelo menos para mim que não fazia a mínima ideia):
📽 Há um filme/teleteatro de 1963 baseado nesta obra.
Só me faltava esta obra para ter lido todos os romances de Júlio Dinis, que infelizmente são poucos pois partiu cedo, e para variar não fiquei desiludida. Apesar de terem quase todos a mesma estrutura, o mesmo tipo de personagens e quase sempre um cenário campestre, Júlio Dinis tem tanta mestria a escrever e guia o leitor de uma maneira tão simples e intuitiva que é uma maravilha ler as suas obras.
Faz longas descrições dos locais onde a ação se desenrola e descreve tão bem o caracter (e às vezes falta dele) das personagens e as suas ações que é um gosto ir virando as páginas, mesmo sabendo como tudo se vai desenrolar e terminar. Acho que não se pode escrever o mesmo de muitos autores. Cria as situações de forma tão perfeita e ainda consegue dar uns laivos de humor com aquelas personagens mais rústicas mas que falam com o coração e retrata bem a sociedade da época.
Que posso escrever mais? Apenas termino deixando aqui registado que Júlio Dinis é o meu autor português favorito e que adoro todas as suas obras, sendo a minha preferida A morgadinha dos canaviais, talvez porque foi a primeira obra que li dele quando ainda era adolescente e me causou tão boa impressão que nunca a esqueci.
This book is truly a classic of the Portuguese literature. I think that this book is as important as it is because it shows a transitional period in the Portuguese history where the old noble blood, that became noble because of some heroic act someone made against the Arabs or the Spanish, is losing its favorable position and a lot of its nobility, their houses are falling apart and those they used to call servants are accumulating a lot of wealth their sons and daughters are becoming educated . This is the setting of the story, we get to see a lot of the old nobility prejudices and the way those hurt people, and a kind off different kind of nobility that comes from working a honest work and growing the finances of their houses and feeling genuine satisfaction from doing a job well done. We get to see the new kind of nobility, one’s that are not quite as moved by those prejudices that plague the nobles of old. It’s a love story, one that suffers a bit of the old way of viewing love and the woman’s role in society and in a relationship. It was an overall good read, will definitely read more of Julio Dinis’ books.
Adorei! Não sou de todo de livros históricos, nem de romances, muito menos com tantos formalismos. Porém, há uns tempos que decidi que deveria ler os clássicos portugueses, que era uma falha na minha cultura literária não os conhecer e Júlio Dinis não tem desiludido. Este livro é sem dúvida o meu favorito, quer dele, quer de autores da mesma (ampla) época literária. Tem ritmo, intriga, pessoas casmurras e outras descontraídas, retrata bem o seu tempo e as mudanças que decorreram a seguir às guerras liberais. Gostei mesmo!
O primeiro livro 5 estrelas de 2025! Este é a terceira obra que leio de Júlio Dinis e de longe a minha favorita. Este autor corre sério risco de se tornar um dos meus autores portugueses preferidos. A sua escrita é cativante, sem ser excessivamente pesada ou descritiva, os personagens bem trabalhados e as histórias marcadas pela crítica social (sendo que alguns dos temas permanecem atuais nos dias de hoje). Para além disso, aprecio tanto os laivos mais irónicos e cómicos como os mais contemplativos que amiúde podemos encontrar em certas passagens. Recomendo!
Pode parecer estranho mas nunca tinha lido Júlio Dinis, a perda era minha! Um retrato da sociedade provinciana portuguesa do seculo XIX que nos mostra as mudanças ocorridas nos diversos estratos sociais que nem sempre as mentalidades acompanham. Persongens completamente reais que poderiam viver ao virar da esquina e uma história bastante agradavel de seguir.
Um clássico. Um retrato da sociedade rural portuguesa, onde os senhores de terras pobres e endividados preferiam a vida ociosa e decadente a lutarem pela melhoria das suas terras.
Uma família em decadência é tomada pelas rédeas pelo filho mais velho, que com a ajuda de um antigo trabalhador da sua casa, que se dera bem e é já dono de terras, recupera aos poucos os seus bens.
No meio disto surgem amores proibidos, mesquinharias de ociosos e rancores antigo sentidos de parte a parte pelos mais velhos.
Sem dúvida um retrato muito fidedigno da sociedade rural do século XIX.
Sem dúvida difícil de ler por parte de que não está habituado á linguagem e expressão desse tempo. 4🌟
Um romance bucólico do virar do século, alimentado pelos tons quentes da terra e em cujas páginas se sente ainda o toque fresco e quebradiço da urze sob o orvalho, o aroma adocicado do campo em manhãs de primavera. Júlio Dinis acolhe sem pretensão os ensinamentos da escola romântica que antecede a sua geração, assim como toda a boa influência dos clássicos da literatura inglesa, sem no entanto se demarcar daquela em que temática e estilisticamente se inscreve. Não é, e desenganem-se os cépticos, um livro de ritmo lento, como, de resto, talvez se adivinhasse. A sua preocupação não está no aprimoramento da linguagem, aspecto que considerei positivo tendo em viva conta outros grandes nomes do panorama literário da época, mas sim na pintura e, nesse aspecto, o autor atinge os seus objectivos de maneira despretensiosa, não sem brio e até com certo mimo. Na realidade, não é inteiramente fiel o retrato que nos é oferecido da sociedade rural portuguesa, em particular da região norte, naqueles tempos de moribunda fidalguia; no entanto, e já o querido Oscar dizia, uma obra não é tanto um espelho da sociedade que a desponta e nutre como o é do seu consciencioso público. E o conceito de que o povo português, principalmente nas zonas rurais, é mais estúpido, escrupuloso e complacente do que em qualquer outro beco encardido noutra capital europeia qualquer é válido até hoje, conceito que nós, que o somos, mais alimentamos.
Em Os Fidalgos da Casa Mourisca, o quadro socioeconómico do país, pelo menos na medida em que este se torna útil para o desenrolar da acção, é introduzido com a maior modéstia e minuciosa atenção aos aspectos mais gerais da coisa. Na boca de Jorge, jovem fidalgo de salutar complexão, Júlio Dinis assume as inclinações liberais que o aconchegam, o que não obsta a que, durante todo o romance, o chamado “conflito de classes” seja de tal forma relativizado, sentimentalizado e de todas as maneiras popularizado que nunca chega a ser um conflito real, só no plano das relações pessoais entre os jovens enamorados e respectivas famílias. A ideia de que o “trabalho consola, o trabalho enobrece”, cristalizando uma falsa percepção de igualdade entre a classe dominante e seus vassalos, é hoje um entrave ao que quer de revolucionário que, por fim, se encontre na obra. O bom do Tomé que me perdoe, mas o tempo das vacas gordas já lá vai.
A minha principal motivação para ler este romance histórico foi ser uma das leituras da juventude da minha mãe, da qual ela guarda boas memórias. Nunca fui muito entusiasta de retratos históricos da sociedade, porém a curiosidade levou a melhor e decidi dar uma oportunidade ao livro.
Não me arrependi de o ter feito. É uma leitura simples e previsível, mas que não deixa de ser agradável. Mostra um retrato muito pitoresco das aldeias do interior do país. Os personagens estão bem elaborados considerando o seu ambiente e contexto histórico. Este último está presente na narrativa principalmente através das posições e convicções das mesmas. É uma visão algo simplista, contudo para mim isso foi um ponto positivo, pois tornou a leitura em algo leve.
A nível do romance, no entanto, esta história não faz de todo o meu género. Embora obviamente não esperasse um romance atrevido, também não contava que fosse ser tão platónico. É tudo muito casto e sem sal! Valeu principalmente por me mostrar uma perspectiva diferente, com dilemas que nunca teria considerado noutros contextos.
Resumindo, foi positivo para variar um pouco das minhas leituras habituais, mas não passará a fazer parte das mesmas.
Mais um clássico repleto do traço caracteristico de Júlio Dinis. Uma história repleta de amores e desamores, tempos passados e futuros e amor à família.
Apesar de conhecer desde sempre os livros de Júlio Dinis cá em casa, a verdade é que nunca tinha lido nenhum até que finalmente resolvi lê-lo para um dos meus desafios anuais literários. Era hábito designar os solares senhoriais por Casa Mourisca e neste caso, os fidalgos estão numa má situação económica, resultante de um má gestão mas também do orgulho de D.Luís. Até que Jorge, o filho mais velho, decidi pedir ajuda a um antigo trabalhador de sua casa e que alcançou uma posição mais estável, para o ajudar a recuperar a propriedade da Casa Mourisca. Enquanto que o seu irmão mais novo, Maurício, é um pouco mais leviano mas boa pessoa. Temos também Berta, filha de Tomé da Póvoa e que foi educada em Lisboa, mas que regressa a casa. Foi uma leitura muito agradável e fluída, com uma escrita que me relembrou a do Eça, mas mais acessível. A história foca-se nas dificuldades que a burguesia vai enfrentando, perdendo a sua influência, e o surgimento de novos ideais políticos. Assim, o autor vai fazendo uma crítica à sociedade e aos valores, com uma escrita cativante. O romance está também presente na história, e desde logo se desconfia do final amoroso do par romântico, mas não achei aborrecido, como também existiram alguns episódios que me fizeram rir, por causa de se "tentar esconder algo". Foi uma excelente leitura e que me fez querer ler os restantes livros de Júlio Dinis.
Júlio Dinis neste livro apresenta-nos personagens bem desenhadas e oferece-nos a possibilidade de entrarmos bem fundo dentro dos seus mais íntimos pensamentos. A imagem das paisagens bucólicas do campo é-nos descrita com prazer e cor, sendo certo que rapidamente nos apaixonamos por toda aquela realidade – que em algumas circunstâncias e com autores menos talentosos cheiraria a mofo – o que faz com que não consigamos deixar de ler num ápice a obra.
[...]Este é, obviamente, um livro que aconselhamos. Júlio Dinis é, certamente, um dos maiores autores da língua portuguesa e cada vez mais consideramos imprescindível na formação de qualquer leitor.
Da escola realista, a escrita desta obra é muito povoada de elementos colados à realidade, como as descrições dos lavores dos jornaleiros no campo, mas a escrita muito simples, muito neutra e natural. Para quem aprecia a escola literária do realismo, este é um livro que recomendo vivamente.
Na destruição do velho sistema feudalista, e do nascer do novo paradigma da burguesia surgiu assim a obra " Fidalgos da Casa Mourisca" submetida aos ideais iluministas. Acreditando na inocência da coexistência pacifica entre dominantes e dominados, exploradores e explorados é descritível assim nestas páginas de Júlio Dinis a imaginária ordem vigente. Divagando em falsos moralismos e frases de ordem " Trabalha porque serás coberto de ouro" leva o leitor para uma paixão eterna sobre o trabalho.
Gostei detrês coisas. Interessante retrato da sociedade da altura; história que flui principalmente devido á ótima caracterização dos personagens; muito bem escrito. Epá gostei.
Gosto muito dos romances de Júlio Dinis, apesar de terem sempre uma estrutura semelhante, deixam-nos sempre a pensar com quem se irá desenrolar o romance, além da caraterização da vida rural e das pessoas do campo, que conseguimos imaginá-las ainda a morar nas vilas mais rurais do nosso país. Apesar disso, os temas que se refletem nestes livros são muito mais do que apenas os aspetos românticos. Este em especial que tem uma mensagem bem clara.
Primeira reflexão que me ocorreu a ler este livro, foi sobre o relaxamento em que podemos cair quando atingimos um certo patamar de riqueza ou de conquista de objetivos. No livro, falamos da Casa Mourisca e dos fidalgos que quase se consideram demasiado dignos para restabelecerem as suas contas através do trabalho e da ajuda de pessoas mais humildes. Este livro reflete o que estava a acontecer na época e apela à mudança. Se levarmos este pensamento para hoje, quantas pessoas ficam como esta casa na história, estagnadas por pensarem que já sabem tudo ou já conseguiram tudo o que queriam?
A segunda reflexão que este livro me trouxe foi sobre sentimentos. Ser levado por sentimentos ou reprimi-los como fossem crimes, duas oposições altamente destruidoras e ambas terríveis. No entanto, quem nunca passou pelos dois? Quem nunca num momento de raiva disse o que não devia ou que não queria? Quem nunca se calou sobre sentimentos porque não queria magoar amigos ou pessoas queridas?
Acredito que todos já tenhamos vivido os dois opostos e, por vezes, ficamos com culpa por sentir certos sentimentos, mas para mim, não há mal nos sentimentos mesmo que eles não sejam muito positivos, como tristeza ou ciúme, por exemplo, mas sim, o que fazemos com eles. Para não ser levado pelas emoções é preciso ter noção que elas existem (tantas vezes nem sabemos!) para depois refletir como reagir ou o que iremos fazer, e isso parece simples, mas é tão difícil, não é?
Os Fidalgos da Casa Mourisca é mais um romance que nos leva a viajar pelo campo, num outro tempo, reflete sobre classes sociais e sobre o empobrecimento da nobreza em Portugal. Um romance bonito e que nos leva a refletir sobre as qualidades que são mais importantes para cada pessoa, seja qual for as nossas preferências, podemos sempre encontrar alguém semelhante a nós. Um romance que nos enternece e que nos aquece o coração como todos os livros de Júlio Dinis.
Ah love. One can say it’s not a real love story unless problems happen. In this case, trouble abounds.
When his daughter Beatrice dies, a noble man D. Luiz sinks into gloom and bitterness. His estate, Casa Mourisco, falls into ruin and his surviving sons Jorge the elder and Mauricio seem rudderless. They need direction. D. Luiz’ servant, Thomé da Povoa, started a new as a farmer. Life is much better for his family.
Thomé has a daughter, Bertha who is also the god daughter to D. Luiz. Mauricio, who is a real ladies man, sets his eyes on her. Jorge has a plan - get Casa Mourisco up and running but he needs help. Can Thomé help out? Of course, Jorge is in close contact with Thomé, which means close contact with his daughter Bertha.
And that spells trouble for all three. D. Luiz, being a fidalgo or nobleman wants his sons to marry nobility and Bertha, the daughter of a farmer doesn’t cut it. To save the day, enter in D. Luiz’ niece, the Baronessa Gabriella, who comes to the rescue.
This book reminded me a lot of Pride and Prejudice or A Room with a View. Everyone gets involved, everyone puts in their two bits worth and the lovers are too focused to even notice that they are in love, until it’s too late. It’s a comedy of manners which means a comedy of errors. Great fun.
Of course at the heart of the book is a battle between the aristocracy and the new bourgeois society. D. Luiz is suspect of everyone’s motives to climb the social ladder. The farmer Thomé is very conscious of not overstepping the line and would be happy if his daughter married another farmer. Jorge realizes that the old ways are not working and is willing to learn from the farmer. Mauricio is just bored in the country and needs something or someone new. Gabriella questions that old school thinking of the aristocracy. Is it time for a change? Or should love conquer all? Bertha, although she was educated in the big city, was not happy there and only wanted to return home to the farm.
So it’s not quite a simple romance (one could say the same of Jane Austen too). It is too bad Júlio Dinis is not more well known as this book should be part of those great nineteenth century romances that we all have come to love, or at least, respect. This one, I loved.
Neste livro de Júlio Dinis temos um retrato da sociedade portuguesa na transição pós-revolução liberal. A nobreza, com crenças ainda no absolutismo, é representada pelos fidalgos da Casa Mourisca, principalmente na figura do patriarca D.Luís e de seu procurador, o Frei Januário. A decadência da nobreza é retratada pelo estado lastimável da casa dos fidalgos e pela sua péssima situação financeira.
A causa liberal acaba por "invadir" a casa mourisca através da esposa de D.Luís (já falecida na história). O seu irmão lutou e morreu ao lado dos liberais na e um de seus companheiros acabou indo morar de favor junto a família de D.Luís. Os filhos do patriarca, Jorge e Maurício, têm personalidades bem distintas e apesar de terem sido educados de acordo com o gosto político de D. Luís, tiveram acesso a filosofia liberal por meio do ex-companheiro do tio que contava histórias heroicas dos liberais. O patriarca também teve uma filha, Beatriz, cuja morte trouxe bastante desgosto ao patriarca.
Há uma nova classe ascendente em Portugal que é retratada pelo próspero lavrador Tomé da Póvoa e sua família. Isso se reflete bem quando Tomé envia a sua filha Berta para estudar na cidade, algo impensável na época para um simples lavrador. O regresso de Berta vai desencadear grandes mudanças na rotina da aldeia. Outra fonte de mudanças é Jorge, o filho mais velho do fidalgo D. Luís, que, notando a mudança de ares no país, decide fazer alguma coisa para que a familia se adapte aos novos tempos. Jorge resolve começar um processo de reabilitação física e financeira da casa mourisca e com isso restaurar a dignidade do nome da família.
O estilo de escrita de Júlio Dinis torna a leitura bastante agradável. O narrador é um ótimo 'contador de histórias' e consegue inserir no meio do relato a sua opinião e até alguma ironia. É claro que a história tem a sua dose de drama romântico, típico do século XIX, chegando a parecer um folhetim. Entretanto, não considero que seja uma leitura minimamente aborrecida.
Numas arrumações em casa dos papás, encontrei no meio dos tesouros de juventude do meu pai a colecção da Círculo de Leitores das obras de Júlio Dinis. Nunca tinha lido nada do autor e pensei: ‘Não é tarde nem é cedo’. E, pimbas, entrei a pés juntos no seu último romance. Veredicto? Fantástico! A narrativa situa-se ali pela metade do século XIX, depois da Guerra Civil e o triunfo do Liberalismo, que pôs em xeque a autoridade atávica da classe nobre. Trata o romance duma família de fidalgos, caídos na penúria e agarrados à visão absolutista, que os impedia de aceitar tudo o que era moderno para se libertarem da desgraça. Um dos jovens da casa, Jorge, encurralado entre preservar a honra e o orgulho da família e aceitar algumas das vantagens de aderir às instituições do novo regime, decide reerguer o nome da família e devolver prosperidade à sua casa. O pior é quando se apaixona pela filha do seu vizinho lavrador, feito rico pela sua indústria, tendo-se desamarrado da miséria a que a sua condição social o teria relegado, caso o tempo fosse outro, pois agora a ascensão de classe faz-se através do trabalho e sucesso. Temos por isso política e um romance proibido. E os diálogos... soberbos. Consta que Júlio Dinis encontra-se ali entre o Romantismo de Garrett e o Realismo de Eça, sempre demonstrando que a clivagem entre grupos sociais existe, mas que não é irreconciliável. No fundo, um autor que escreve finais felizes. Refrescante, no conjunto da literatura portuguesa.
I really didn't want to give it two stars, because it feels too harsh (I know it is a good book considering its genre and time period), but it was SO BORING. It was my second attempt at finishing it - which was only accomplished by being stubborn, I have got to say. I didn't like the characters that much - okay, Gabriela was fine, and D. Luís a little bit too - and the writing style is not my thing. It is important, though, that my opinion is taken with a grain of salt, since I am not particularly found of this period/genre of literature.
O primeiro livro que leio deste autor e recomendo a todos que sejam falantes da Língua Portuguesa! A escrita dele é bela, valoriza as formas e sentidos das palavras e estruturas sem ser prolixa, sendo direta e densa. Ainda assim, é um livro com uma história edificante que mantém o melhor ritmo das novelas! Quero ler outras obras deste autor!
O habitual tom delicodoce de Júlio Dinis, juntamente com as características ingenuidade e inocência nos conflitos de enredo. Mas aqui talvez a intriga dependa demasiado de convenções sociais cediças e tradições bafientas para envolver. O culto ao pai caprichoso excede o que é possível tolerar com prazer. Sem embargo, merece nota de interesse a inteligência, perspicácia e engenho da prima Gabriela, e o divertidamente desajeitado e pecaminoso frei Januário.