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Montedemo

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«Mais tarde alguns lembraram que tudo começou naquele Domingo seco em que a terra tremeu. Coisa sem importância, num instante seco sentida noutro instante acalmada, nem mesmo Irene a tonta pensou que lhe servisse de mote em pregação. Um tremor ligeirinho no afrouxar da noite, hora de moribundos e de bêbedos, todos pensando que se balouçavam em líquidos maternos, quentes e protectores. Os outros, muito poucos, que estavam acordados: mulheres suspensas do tossir das crias, velhos apunhalados por insónias, tinham ficado em dúvida se fora realmente o chão que se ondeara numa sacudidela ou se tontura provocada por um sangue de repente engrossado ao de cima dos olhos.»

72 pages, Paperback

Published January 1, 1983

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About the author

Hélia Correia

61 books46 followers
HÉLIA CORREIA nasceu em Fevereiro de 1949, licenciada em Filologia Românica e professora de Português do ensino secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
Na sua ficção, conflui o reatar de uma herança literária que impõe certa linearidade à escrita romanesca com a assimilação de traços da narrativa contemporânea que vão de um García Márquez ou Carpentier até à novelística de Agustina Bessa-Luís, numa tendência para surpreender o sobrenatural no quotidiano da vida provinciana e burguesa, ou para transpor para a escrita romanesca o plano em que a dimensão social das relações humanas se cruza com a religiosidade, com a superstição e até com o irracional. Estreou-se na poesia, em 1981, com O Separar das Águas e O Número dos Vivos em 1982. A novela Montedemo, encenada pelo grupo O Bando, deu à autora uma certa notoriedade. Aliás, Hélia Correia revelou, desde cedo, o gosto pelo teatro e pela Grécia clássica, o que a levou a representar em Édipo Rei e a escrever Perdição, levadas à cena, em 1993, pela Comuna. Escreveu também Florbela, em 1991, que viria a ser encenada pelo grupo Maizum. Destacam-se ainda na sua produção os romances Casa Eterna e Soma, e, na poesia, A Pequena Morte/Esse Eterno Conto.
Recebeu em 2002 o prémio PEN 2001, atribuído a obras de ficção, pela sua obra Lillias Fraser, e em 2006 o Prémio Máxima de Literatura, pela obra Bastardia.

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Profile Image for Catarina Alonso.
26 reviews8 followers
March 23, 2019
Não foi bem uma leitura, mas uma audição.

Neste tipo de situações custa-me manter a concentração durante a leitura, no entanto a escrita do livro despertou a minha atenção. Achei a escrita muito boa e delicada.

A história, que se passa numa aldeia, está cheia de simbolismos populares; destaca-se a figura da mulher e abordam-se temas como o prazer, o pecado e o preconceito.
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