A narrativa começa com a prostituta Benedita, que, depois de longa ausência, aparece com um bebê nos braços e, antes de desaparecer de novo, entrega-o ao negro Massu, que ela alega ser o pai da criança. Massu, que vive de fretes, precisa batizar o menino antes que complete um ano. Escolhida a igreja e a madrinha, resta o problema maior - eleger o padrinho da criança. Para não melindrar nenhum amigo, Massu consulta os orixás, e o próprio Ogum decide ser o padrinho. A situação põe em polvorosa a comunidade boêmia de Salvador. Mães e filhas de santo, prostitutas, jogadores, todos se mobilizam para o grande acontecimento, embora nem sempre os planos ocorram da maneira programada.
Jorge Amado was a modernist Brazilian writer. He remains one of the most read and translated Brazilian authors, second only to Paulo Coelho. In his style of fictional novelist, however, there is no parallel in Brazil. His work was further popularized by highly successful film and TV adaptations. He was a member of the Brazilian Academy of Letters from 1961 until his death in 2001. In 1994, his work was recognized with the Camões Prize, the most prestigious award in Portuguese literature. His literary work presents two distinct phases. In the first, there is a clear social critic and political focus, with works such as Captains of the Sands and Sea of Death standing out. In his more mature phase, he adopts an aspect of good-humored and sensual chronicler of his people, abandoning ideological motivations, with works such as Gabriela, Clove and Cinnamon, The Double Death of Quincas Water-Bray and Dona Flor and Her Two Husbands.
”O batizado de uma criança parece coisa muito simples, vai-se ver e não é, implica todo um complicado processo. Não é só pegar o menino, juntar uns conhecidos, tocar-se o bando para a primeira igreja, falar com o padre e pronto. Se fosse só isso, não seria problema. Mas é necessário escolher, com antecedência, o padre e a igreja, levando-se em conta as devoções e obrigações dos pais e da própria criança, os orixás e encantados aos quais estão ligados, é necessário preparar as roupas para o dia, escolher os padrinhos, dar uma festinha para os amigos, arranjar dinheiro para consideráveis despesas. Trata-se de tarefa árdua, pesada responsabilidade.”
Um conto delicioso de se ler, com infinitas referências culturais brasileiras. Vc se envolve na magia da religiosidade afro dos personagens e quando vê, acabou a leitura!
Como diz o professor de sociologia da USP Reginaldo Prandi no posfácio "Quem nunca soube o que é candomblé, quem nunca entendeu o sincretismo, quem nunca foi à Bahia, depois da leitura de O compadre de Ogum dificilmente poderá continuar alegando ignorância no assunto". Embora originalmente tenha sido originalmente publicado como parte de Os pastores da noite, em alguns momentos achei o texto prolixo, mas não mais que bem-humorado, leve e um marco para a época no qual o estigma sobre o candomblé era ainda maior. A leitura deste livro talvez seja estimulante, assim como foi para mim, rumo a outros romances de Jorge Amado.
"O batizado de uma criança parece coisa muito simples, vai-se ver e não é, implica todo um complicado processo."
Jorge Amado tem seus problemas mas ai ele escreve de um jeito tão gostoso de ler...
Esse livro tem uma premissa muito, muito interessante, que eu poderia detalhar mais e falar sobre os personagens mas francamente eu não conseguiria ser breve e eu estou com uma leve preguiça, então vou manter simples (literalmente é só ler a sinopse no site da Companhia das Letras): Ogum, o orixá, resolve ser o padrinho de um menino. Inusitado, certamente, porém direto. Na obra, Jorge Amado trata de um tema que sempre me fascinou: o sincretismo religioso no Brasil, no caso entre o candomblé e o catolicismo, e esse tema é explorado de maneira original e interessantíssima. Saio dessa leitura com um conhecimento muito maior das religiões de matrizes africanas do que entrei, e vale notar que esse não é um manual do candomblé ou um livro didático, mas um livro que vai apresentando sua temática de maneira orgânica e bastante original. Sério, muito interessante.
Vale a pena também comentar o excelente posfácio de Reginaldo Prandi, no qual ele escreve sobre o "triunfo do sincretismo em Jorge Amado" e detalha mais a sociologia por trás da temática do livro. Fascinante.
Contudo, acho que é relevante citar que O Compadre de Ogum está longe da perfeição. Temos algumas tropes do Jorge Amado que eu preferiria não ver novamente. No caso, violência sexual perpetrada pelo protagonista sendo minimizada, como existe em Capitães da Areia. Isso me incomoda profundamente, e eu realmente preferiria que essa parte não tivesse sido escrita. Não agrega. Envelheceu mal. Ainda assim, gostei muito do livro como um todo, e acredito que suas qualidades superam seus defeitos. Vale a leitura, especialmente considerando que é super curtinho.
Li esse livro, ou melhor, finalizei a leitura dele no dia da minha deitada para Oxalá, e que escolha maravilhosa de livro como companhia enquanto aguardava o início dos trabalhos! Uma obra pequena, divertidíssima, repleta de brasilidade e de figuras do candomblé. Não poderia ter melhor pessoa para contar a estória de um Ogum que decidiu ser padrinho de uma criança que seria batizada numa igreja católica - tinha de ser Jorge Amado! Saravá!
Gostei da leitura. Estava buscando algo na linha de "A morte e a morte de Quincas Berro d´água" e aí erro meu porque cada livro é um livro né. Não foi uma leitura tão divertida quanto o anterior, mas tem suas peculiaridades. Gostei da presença dos orixás na história. E tem alguns pontos divertidos. O bom é que a história é curta também, rápido de ler. Vale a pena para conhecer o autor e ter contato com esse sincretismo religioso do candomblé com o catolicismo.
Massu precisa convidar um de seus muitos amigos para ser padrinho de seu filho, porém tem dificuldade de escolher apenas um. Todos querem a honra de apadrinhar o rebento, mas em um acontecimento místico e inesperado, Ogum revela: o padrinho havia de ser ele mesmo. Começa então a saga de Massu para organizar o batizado - que deve acontecer no rito do candomblé e do catolicismo. Como levar Ogum para a igreja?
“Olhos azulados qualquer menino pode ter, mesmo sendo o pai negro, pois é impossível separar e catalogar todos os sangues de uma criança nascida na Bahia. De repente, surge um loiro entre mulatos ou um negrinho entre brancos. Assim somos nós, Deus seja louvado!”
Una maravilla!! Te transporta directamente al Brasil místico de Bahía y es una forma increíble de conocer de primera mano todo lo que rodea al candomblé y los orixas. Me ha fascinado. Además, es súuper divertido. Joia!
Mundano, no sentido mais belo da palavra. Um texto tão bem caracterizado pelos lugares e personagens que ao longo da leitura parecia que estava lendo um relato real, uma fofoca do cotidiano.
Uma aula sobre o candomblé, que desperta o interesse e curiosidade dos ignorantes ao tema - como eu.
Ainda mais interessante de ler após visitar Salvador e a Casa do Rio Vermelho.