Eu não dei muita fé, a princípio (parecia um pouco o estilo do que li dela na Granta e que, apesar de bem feito, não me interessou muito). Decidi que se fosse muito artístico/intelectualoide eu pelo menos marcaria como "lido" nem que fosse "lido com leitura dinâmica". Então apertei o botão "piloto automático" na hora de ler esse livro que eu não ia entender mesmo.
Só que, rapaz(ou moça (ou você que não gosta das classificações anteriores)), a única coisa que essa postura me trouxe de bom foi que não abandonei o livro por motivos de cabeçudice. Que. Livro. Não vou dizer que entendi/peguei/captei tudo, porque seria uma grande mentira: eu precisaria ser mais inteligente etc. Mas COMO eu gostei do que consegui pegar.
É como poesia, sei lá (aliás, eu gostaria muito de TER esse livro, não apenas ter lido uma vez emprestado da biblioteca justamente porque pretendo fazer com ele o que faço de vez em quando com "Um útero é do tamanho de um punho", da Angélica Freitas: reler em ritmo devorador). Tem lá a parte que, para apreciar melhor, o bom é ter referências (históricas, poéticas, literárias -- e outras experiências de vida), mas também tem a parte que consegue emocionar o povo todo na praça da cidade.
Eu devia dar quatro estrelas, porque só em outras leituras que vou conseguir entender melhor o livro, mas as cócegas no cérebro tão me mandando dar 5 estrelas. E eu sou muy obediente a estas.