A tradicional boneca russa constituída por uma série de bonecas, que são colocadas umas dentro das outras, da maior até a menor, ganhou vida através de personagens do escritor Sidney Rocha. O resultado é o livro de contos 'Matriuska', que apresenta 18 contos que trazem temas polêmicos, mas reais e costumeiros, abordando prostituição, miséria, aborto, ignorância e traição.
O que o autor nos traz aqui são contos curtíssimos, o pouco espaço é utilizado não para tecer uma narrativa, mas para realizar exercícios de estilística literária. Assim, quase não há histórias, mas situações. Cenas. Como se o autor tivesse pensando numa história e desistido da ideia, se contentando então com um, dois, talvez três parágrafos com muito estilo e quase nada de substância.
Não me entendam mal: é bem escrito. Sidney Rocha é, obviamente, um escritor competente e reconhecido. Mas o que se apresenta aqui não são narrativas, mas ideias de narrativas. Não há arco, desenvolvimento, jornadas de personagens. Aliás, te desafio a lembrar o nome de algum logo após terminar a leitura. Aliás, te desafio a lembrar a "trama" de algum dos contos logo após a leitura, tão rarefeitas são.
E nisso tudo, os cacoetes. Não tem letra maiúscula, a não ser, por vezes, quando alguém fala algo. Ás vezes. Por que? Porque sim. Não há espaços entre palavras e pontuação. Por que? Porque é moderno, saca? Tem um monte de dois pontos. Ás vezes, dois pontos a que se segue uma frase e dois pontos de novo. Ás vezes até no título. De que serve isso? É bem diferente, pô! Algumas palavras são fundidas às outras, simulando oralidade...mas não todas as que poderiam. Por que? Que saco, Fred, é o estilo! Quase todos os títulos são palavras estrangeiras. Por que? Por que? Por que?
Não pergunta, Fred. É moderno. É diferentão, sabe?
Então, no lugar de narrativas, o que se tem é exercícios de estética. Pode ser o suficiente para alguns leitores. Pode ser até desejável para alguns.
Para mim, não.
1,75 estrelas. Arredonda para 2, já que o goordreads não fraciona e, afinal, o livro é tão curto que se lê numa sentada, não chega a irritar.