Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva, expondo-os, todas as noites,às ameaças dos rochedos traiçoeiros. Sob sua luz vacilante, Cecília, matriarca da família Godoy, reconstitui as cicatrizes do passado com linhas e agulhas. Em dolorosa solidão, ela tece uma interminável tapeçaria em que entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.
Muitas gerações da família de origem espanhola zelaram pelo farol naquela ilhota perdida no sul. Apesar da oposição de Doña, sua mãe, Ivan se apaixona por Cecília. Os dois se casam e têm seis filhos — Lucas,Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, e o temporão Tiberius —, que povoam a ilha com suas personalidades marcantes e talentos misteriosos.
Apaixonada pelos livros, a jovem Flora descobre que possui o dom para a literatura e começa a escrever um romance. Tão poderosas são suas palavras que certas cenas deixam o papel e transbordam para a realidade. O manuscrito chega às mãos do inglês Julius Templeman, professor de Cambridge e especialista em literatura latino-americana. Tomado pelo frescor e pela vitalidade da criação da jovem, ele decide deixar a Europa e ir até La Duiva para conhecer pessoalmente a autora. Sua chegada provoca mudanças profundas e irreversíveis nos moradores da ilha e no próprio Julius. Ele desperta desejos, desencadeia paixões e torna-se o vértice de um inusitado triângulo amoroso, cujas consequências levam os filhos de Cecília a se espalharem pelo mundo em busca de outros verões.
Com uma linguagem poética, Leticia Wierzchowski dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando sua própria tapeçaria delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.
Leticia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre, RS, em 1972, e estreou na literatura em 1998 com o romance O anjo e o resto de nós. A autora é considerada uma das maiores revelações da literatura nacional do início do século XXI. Uma das raras escritoras a perceber e a traduzir, em palavras, a personalidade, o sentido e o poder de ação de personagens e cenários brasileiros. Em 2003 o romance A casa das sete mulheres foi adaptado pela Rede Globo em uma série de 50 capítulos. Desde então, a produção televisiva já foi veiculada em quase 30 países, e a obra de Leticia ganhou caminhos internacionais. Ela tem livros editados na Espanha, Portugal, Grécia, Itália e Sérvia-Montenegro.
“Sal” de Letícia Wierchowski foi uma leitura arrebatadora, mas que só foi concluída após duas tentativas anteriores. Isso faz com que eu reforce a minha ideia de que é preciso que o/a leitor/a esteja em sintonia com o livro a ser lido e de que é preciso que a leitura seja realizada no momento certo, para que de fato haja uma conexão entre o/a leitor/a e a obra. Mas quando é este ‘momento certo’? Não há um ‘momento certo’, nós simplesmente sentimos quando o livro nos chama.
Esta foi uma leitura bastante demorada, mas não pela dificuldade da escrita ou por o livro ser ruim, pelo contrário. O livro é de uma beleza e sensibilidade indiscutível! Mas esta beleza e sensibilidade vem acompanhadas por uma escrita densa e intensa, que despertam no/a leitor/a sentimentos diversos e por vezes extremamente pesados. Nestes momentos, precisei deixar a leitura de lado para respirar e conseguir digerir o que estava acontecendo na história.
O livro narra a história da família Godoy que vive em uma pequena e isolada ilha chamada La Duiva, onde foi construído um farol. Sob a luz vacilante do farol, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça a vida de seu marido Ivan e de cada um dos seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.
“Sal” é dividido em três partes. Na primeira, Flora é a narradora e conta a sua visão da família e dos acontecimentos, de como toda a história se desenrolou. A segunda parte é contada por Tiberius, o filho mais novo de Cecília e Ivan, e sua busca incessante pelo irmão Orfeu. Por fim, na última parte, cada integrante da família fala de um personagem sob sua própria perspectiva.
Em suma, o livro é uma instigante viagem sobre a Alma. É uma leitura dolorosa, intuitiva e introspectiva. Por mais que eu tenha me apegado à todos os personagens (principalmente à Flora e Tiberius), tentei não sentir dó ou pena de nenhum personagem, apenas fui aceitando e acolhendo seus destinos, suas aventuras e desventuras.
É muito difícil falar de “Sal”... tanto é que escrevo esta resenha meses depois de concluir a leitura. Em contra partida, é fácil senti-lo. Somente uma imersão e entrega total à esta leitura poderá desnudar as belezas nele presentes. Portanto, se você se sentiu interessado pelo livro, leia-o. Mas leia sem pressa. Deixe-se levar pelo balanço das ondas e pela maresia de La Duiva e sinta toda a potencia da história e das palavras da autora.
Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva, expondo-os, todas as noites,às ameaças dos rochedos traiçoeiros. Sob sua luz vacilante, Cecília, matriarca da família Godoy, reconstitui as cicatrizes do passado com linhas e agulhas. Em dolorosa solidão, ela tece uma interminável tapeçaria em que entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.
Muitas gerações da família de origem espanhola zelaram pelo farol naquela ilhota perdida no sul. Apesar da oposição de Doña, sua mãe, Ivan se apaixona por Cecília. Os dois se casam e têm seis filhos — Lucas,Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, e o temporão Tiberius —, que povoam a ilha com suas personalidades marcantes e talentos misteriosos.
Apaixonada pelos livros, a jovem Flora descobre que possui o dom para a literatura e começa a escrever um romance. Tão poderosas são suas palavras que certas cenas deixam o papel e transbordam para a realidade. O manuscrito chega às mãos do inglês Julius Templeman, professor de Cambridge e especialista em literatura latino-americana. Tomado pelo frescor e pela vitalidade da criação da jovem, ele decide deixar a Europa e ir até La Duiva para conhecer pessoalmente a autora. Sua chegada provoca mudanças profundas e irreversíveis nos moradores da ilha e no próprio Julius. Ele desperta desejos, desencadeia paixões e torna-se o vértice de um inusitado triângulo amoroso, cujas consequências levam os filhos de Cecília a se espalharem pelo mundo em busca de outros verões.
Com uma linguagem poética, Leticia Wierzchowski dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando sua própria tapeçaria delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.
RESENHA
Fabuloso! Uma obra madura, complexa, fantástica, tão impressionante quanto foi o "A Casa das Sete Mulheres". Talvez a magnus opus da Letícia, amei esse livro!
Vamos lá, o que dizer de um livro tão bom como esse?
"Sal" é um livro mais ousado estilística e estruturalmente da Letícia, uma prosa de uma escritora no auge de seus poderes narrativos.
"Sal" conta, através de múltiplos pontos de vista, a história de uma família cuja sina é cuidar de um farol.
Através das vozes narrativas, temas como as questões de gênero, as dificuldades de uma relação homossexual sonhos despedaçados dramas familiares e a dificuldade de compreensão entre as pessoas.
É um livro que trata também, sobre como o tempo pode minar as relações amorosas mesmo quando começam um grande paixão. Foi interessante notar a recorrência desse tema, em "Sal", pois é também o tema central de "Navegue a Lágrima". A diferença é que em "Sal", a destruição das relações amorosas se dá em tons dramáticos e até quase épicos, enquanto "Navegue a Lágruma" tem um tom mais inimista.
Como sempre acontece na ficção de Letícia, em "Sal" tudo ganha vida, seja o ocenao, o farol, objetos inanimados, doenças, insanidades, tudo se entrelaça por meio de narrativas, unificados pela emoção dos personagens. O cenário das histórias são extensões das almas dos personagens, um toque ao estilo romântico do século 19, em uma abordagem bem contemporânea.
Mesmo sendo um livro dramático e com passgens bem sofridas, , senti uma mensagem sobre o valor da resiliência frente a dificuldades da vida, e de como a eterna esperança de ser feliz, mesmo quando não realizada ou se materializando com uma força destrutiva, sustenta o caminhar dos protagonistas.
O livro também tem muitas referências mitológicas. Deuses gregos permeiam as páginas, além de referências à Shakespeare.
"Sal" também aborda a questão da criação do escritor, o modo como o imaginário de um criador se mistura com a realidade objetiva em sua volta.
O farol é a imagem máxima do livro, unificando as tramas, servindo de metáfora, de tema, de personagem, de símbolo, de tudo! Personagens vivem ao redor do faro, se afastam dele e retornam a ele, um farol que também guia o leitor dentro das miríades de narrativas de "Sal".
Recomendadíssimo!
RECOMENDADO PARA QUEM CURTE:
Romances literários de alta qualidade.
Romances de exploração das psiques dos personagens.
Narrativas que exploram diversos pontos de vista diferentes.
Narrativas que abordam as questões do relacionamento homosexual.
Prosa bem escrita e uma história que nos leva às lágrimas.
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Sensível e delicado. O estilo da autora, as descrições, a profundidade dos personagens maravilhosamente construídos, cujas histórias se entrelaçam em uma narrativa melancólica e, ainda assim, doce, resultam em um livro que encanta, angustia e resigna com os caminhos inevitáveis da vida.
[Review in Portuguese] Sal, de Letícia Wierzchowski Intrínseca - 239 páginas Um tapete de tricô que narra a vida da família Godoy.
Título: Sal Autora: Letícia Wierzchowski Editora: Intrínseca ISBN: 978-85-8057-381-7 Ano da Editora: 2013 Nº de Páginas: 239 Leia também: Sal, Um Prólogo
Sinopse: A família Godoy vive em La Duiva há algumas gerações cuidando daquele farol. Ivan e Cecília se casaram com alguma dificuldade e criaram seis filhos.
Mas tudo muda quando um estrangeiro vem de longe e vira de cabeça para baixo a vida dessa família.
O que eu achei do livro: Bom.
Quando li Sal, Um Prólogo eu me encantei não só pela narrativa de Letícia Wierzchowki como também pelos seus personagens. Fiquei bastante ansiosa para conferir o livro em si e quando ele chegou aqui em casa, iniciei a leitura sem pensar duas vezes!
Sal é uma colcha de retalhos belamente montada e construída. A minha analogia está tecnicamente fora do que se é esperado - porque no próprio livro a autora dá de graça a analogia para ser feita com sua história. E não é um colcha de retalhos, mas um tapete de tricô., feito com as mais diversas cores representando os membros da família. Entretanto, durante toda a leitura eu pensava em uma colcha de retalhos. Cada membro da família era para mim um tecido diferente - não apenas uma cor, mas um tecido, cheio de nuances: cores, texturas, padrões e tamanhos. Algo mais complexo do que apenas uma linha, algo mais "quebrado" do que uma linha. Retalhos. Para mim os personagens eram retalhos que compunham uma colcha. E não exatamente ordenado como seria necessário em tapete de tricô, mas meio bagunçado e fora de ordem como em uma colcha de retalhos.
Leitor, prepare-se, é um emaranhado, seja de linhas de tricô ou retalhos, o que irá encontrar em Sal. Não espere aquela narrativa linear, toda certinha, cronologicamente acertada. Confesso, fiquei confusa no início do livro para conseguir criar em minha mente a história que a autora desenhava. Há uma sequência dos fatos, mas eles estão meio embaralhados e é preciso atenção para que o leitor consiga captar as nuances da história e formar o quadro completo em sua cabeça.
Sal é narrado por vários personagens. Não lembra a quadrilha como no caso do prólogo, mas voltamos à colcha de retalhos sobre a qual falei acima. Um personagem vem e conta sua parte da história e é seguido por outro que às vezes conta a mesma parte, por vezes conta outras, segue para o futuro ou para o passado. É um tanto estranho, ligeiramente confuso, mas absolutamente encantador! A narrativa da autora é extremamente bela e poética. Não é simplista, nem dinâmica, é um texto mais denso para ser lido aos poucos, com bastante tempo e apreciação.
Quando Julieta ganhou voz na trama, me senti maravilhada de tão lindo que é o texto dessa personagem e achei que até o final do livro não encontraria outro melhor. Mas a história de Orfeu levou lágrimas aos meus olhos e desejei que a vida dele pudesse ter sido narrada mais minuciosamente, mais detalhadamente, me peguei até mesmo desejando que tudo pudesse ser diferente (talvez não tudo, mas algumas partes essenciais). Definitivamente me apaixonei por Orfeu de um jeito quase impossível de transmitir em palavras, um personagem que tocou fundo a minha alma.
É palpável a diferenciação de narrativa na voz de cada um dos personagens. Fiquei bastante impressionada com as habilidades da autora! Não só por conseguir delimitar as vozes e suas diferentes maneiras de narrar, mas principalmente por fazer com que tais vozes combinassem perfeitamente com as complexas características criadas para cada um dos personagens de seu livro. São todos protagonistas à sua própria maneira. Todos são importantes, essenciais e completamente diferentes entre si. Envolventes, marcantes, apaixonantes e detestáveis. Humanos, até demais em alguns momentos.
A edição da Intrínseca ficou um primor! A capa é muito linda e combina demais com o livro, exatamente o tipo de capa que eu mais gosto. Além disso, o título tem um efeito metálico bem bacana e a lombada é um arco-íris de cores! Quando peguei o livro em mãos pela primeira vez, foi o que mais me chamou atenção: a lombada maravilhosa. Destoa da capa tão séria, em tons de cinza, mas, surpreendentemente, não é apenas muito bonita, mas totalmente condizente com a trama.
A diagramação interna do livro está belíssima! A divisão dos capítulos está bem bacana e as fontes escolhidas são interessantes. Ainda assim, nesse ponto tenho duas reclamações, bem pessoais. A primeira é quanto ao tamanho da fonte que aparece em itálico. Justamente por estar em itálico, ela ficou pequena, poderia ter sido um pontinho maior para tonar mais agradável a leitura (e aqui o meu amor pelos ebooks acaba falando mais alto e exige que eu faça essa observação: eu poderia ter aumentado o tamanho da fonte no meu ereader e não teria sido, de forma alguma, um problema! Mas meu amor pelos livros físicos também exige que eu diga que tocar um livro e sentir seu cheiro ainda é algo inigualável! Ok, formatos, recado dado). Segundo, novamente o texto em itálico: não está justificado. Tenho sérios problemas com textos alinhados à esquerda. Só um gosto mesmo, afinal de contas, não muda em nada na leitura a orientação do texto, mas acho mais agradável ler um livro com texto justificado.
Até agora só falei maravilhas do livro, mas não o classifiquei como excelente. Por quê? Porque a trama em si não me agradou tanto.
Os personagens me encantaram, a forma "colcha de retalhos" de contar a história me deixou maravilhada, mas o enredo não. Não só por ser trágico (eu até gosto de histórias trágicas), mas por ser demais, em vários sentidos. Sem que eu entre em detalhes que poderiam estragar a trama não é fácil dizer exatamente os motivos, mas acho que para uma resenha basta dizer que tudo o mais me agradou no livro, com exceção da história que estava sendo contada. É mais ou menos por aí.
Queria essa narrativa, esse lugar, esses personagens, mas outra história. Não que a história contada em Sal seja ruim, porque não é. É uma história boa, só não tão boa quanto personagens tão maravilhosos e uma escrita tão perfeita mereciam.
Leiam Sal! É uma leitura diferente, cativante, extremamente interessante. Agora quero ler todos os livros da Letícia Wierzchowski - estou tremendamente apaixonada pela escrita da autora.
PS: A história se passa em La Duiva, um lugarejo perto de Oedvetinom. Sacou a brincadeira da autora? Não sei se é porque eu tenho mania de ler as palavras ao contrário, mas essa pulou na minha cara enquanto ainda lia o prólogo. Não sei por que ela decidiu colocar o nome da cidade invertido, mas eu achei bem legal!
Farol, mar, lendas, um livro misterioso, uma família com pessoas cheias de segredos... tinha tudo pra ser uma ótima história. Eu já tinha ouvido maravilhas sobre a autora. O que poderia dar errado?
O seguinte: clichês. Os personagens são clichês bidimensionais. A trama da história que parece tão multifacetada e com várias possibilidades acaba sendo tão... pobre. E rola um desrespeito e desconhecimento horroroso com o pouco da comunidade lgbt que ela tenta retratar.
Spoilers: * * * * * Primeiro de tudo, se fica bem claro que Julius sempre se relacionou/sentiu-se atraído por mulheres e então descobre sua atração por Orfeu, ele não "descobriu que era veado". Ele descobriu que era bissexual. Eles existem, eu juro.
Segundo de tudo: o drama todo da história acaba sendo que Orfeu é gay. O tal do livro mágico? Nada. Esquece a doença da Julieta, as diferenças entre Lucas e o pai, a relação entre Eva e Flora, a própria vida da Eva - que em nenhum momento parece ser uma personagem verdadeira, servindo só pra causar breves conflitos com Flora ou com Orfeu -, as premonições de Tiberius... a gente mal fica sabendo o que aconteceu com Lucas e Eva. Julieta morre, os dois vão embora, e é isso que você precisa saber, aparentemente.
Mas Orfeu ser gay é o que destrói a família. Ele é culpado explicitamente no livro pelo suicídio da Flora e implicitamente pelo ataque cardíaco do pai. Dá-se a entender também que a culpa dos outros terem ido embora é da vergonha que ele causou. Ele enfeitiçou e roubou o homem da irmã. Os clichês se amontoam.
Mas tudo piora quando ele e Julius fogem. Os dois são felizes, pombinhos, vivendo uma vida monogâmica, cheia de amor, "perseguindo o verão". E aí de repente Julius está com AIDS. Agora, perai. Nenhum dos dois é descrito no livro como usando drogas. Nenhum deles se envolve com outra pessoa. DE ONDE VEIO ESSA DOENÇA DO JULIUS??? Porque ou você está deixando implícito que todos os gays são promiscuos e se envolvem em atitudes de risco ou que um homem que se relaciona com outro homem automaticamente corre o risco de acordar um belo dia e descobrir que tem AIDS. A minha impressão foi que rolou um "ah, bota ele aí com AIDS que isso é doença de gay".
E a partir daí nada mais fez sentido. A história virou sobre como Orfeu sofre. Como Orfeu fez os outros sofrerem. E todo o potencial do livro morreu afogado.
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Nota-se que a pessoa que escreveu ao sinopse não leu o livro como um todo. Ao contrário da sinopse (e algumas resenhas aqui no Goodreads), a história não é contada somente pela matriarca da família, mas sim por diferentes pontos de vista, cada um com uma cor que melhor representa cada integrante desta família que cresceu ao redor de um farol no Uruguai.
Gostei muita da narrativa lírica, mas acessível. Alguns personagens começam de forma clichê, mas isso muda ao longo da história. Alguns acontecimentos importantes, como mortes, luxúrias, traições, são revelados de forma sutil, quase de soslaio.
A autora também inverteu o nome de Montevidéu. No livro, as personagens se referem À cidade como Oedivetnom. Para mim, isso foi feito para dar um ar de lugar genérico ao lugar. Não interessa saber que cidade tal era a capital do Uruguai, mas sim que era uma cidade grande perto do farol da família e era isso que importava. Recurso importado de Lygia Fagundes Telles, que em As Meninas invertia o nome "dinheiro", talvez para diminuir sua importância nos dilemas da personagem.
Tinha tudo para ter cinco estrelas de mim, até que no terço final do livro, uma parte da história é recontada em outro ponto de vista, com uma voz mais lírica. Irritei-me com tal repetição, que pareceu advinda apenas da necessidade da autora em exercitar sua prosa poética.
Mas no geral, Sal é uma obra excelente. O estilo da autora é interessantíssimo, poético mas facilmente inteligível, e com certeza lerei A casa das sete mulheres e Neptuno no futuro.
Tenho sentimentos conflitantes em relação a esse livro. Ao mesmo tempo em que penso "nossa, uma boa história acabou de acontecer na frente dos meus olhos", também não consigo dizer que gostei do que li. Não sei, em muitos momentos as personagens me pareceram artificiais e poéticas demais, com reflexões meio incabíveis, buscando uma poesia forçada no cotidiado que não me parece possível - pelo menos, não para todas. A narrativa é boa, ela realmente me surpreendeu positivamente pela construção do tema, que chegou sorrateiro e se construiu bem (apesar de todo o "mistério" sobre o que aconteceu depois que o estrangeiro chegou ter me cansado um pouco na metade do livro, que se arrastou). Mas me ficou a sensação de "barra forçada", sabe? É dito que somente Flora tinha interesse pela leitura, mas todas as vozes me pareceram tão similares à dela, cheias dessa suposta poesia e reflexão profunda-literária. Além disso, não faz muito sentido a família se reunir em tertúlias para ler e declamar poemas se todos se sentem tão alheios à paixão da menina pelos livros... Cecília lendo Shakespeare e Neruda, mas mesmo assim não conseguindo entender a filha? Estranho, para dizer o mínimo. Eu gostei da história (não tanto de alguns finais, mas entendo as escolhas da autora), mas não achei que todas as vozes fossem críveis, todas se parecem muito, não consegui acreditar que fossem de personagens diferentes porque todas me soaram como a (petulante-intelectual) Flora o tempo todo. Sinto que deveria ter gostado mais do que acabei de ler, mas não consegui.
Sabe quando você termina um livro tão intenso, mas tão intenso, que tem até medo de comentar algo sobre ele para a magia não ir embora? Pois é, eu sinto isso constantemente (e não só com livros), pois acredito que certas coisas perdem a sua essência quando tentam ser explicadas demais. E esse é o caso de Sal. ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ Resumindo bem simploriamente, Sal narra a história da família Godoy: o resultado de um conjunto de vidas cruzadas que navegaram até uma ilha que é guiada por um farol. ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Partindo dessa premissa, eu esperava uma leitura monótona e um tanto chata, mas quando menos esperei, eu já estava me afogando nas páginas do livro. ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Acredito que o ponto mais forte de Sal é a sua estrutura, de forma que, em cada capítulo, somos apresentados a um personagem diferente, descobrindo seus segredos e pretensões. Além disso, a escrita extremamente poética da autora também foi uma grande surpresa positiva pra mim, que adorei tentar desvendar certas metáforas e enigmas escondidos nas frases. No entanto essa questão varia bastante, uma vez que muitos leitores de narrativas preferem uma história de palavras secas e narrativa pura. ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Outro fator bem importante na minha opinião, foi a maneira como a autora tratou de uma vida que precisou seguir um rumo final solitário e infeliz por questões de intolerâncias e mágoas familiares, mas não posso falar muito sobre esse ponto sem dizer algum spoiler, então vamos terminar por aqui. Quem sabe isso não os deixem curiosos para ler Sal, não é mesmo? Hahhaah ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ No mais, eu diria que o início da leitura foi realmente um tanto monótona e chata, mas que o final pareceu uma volta de montanha russa com direito a variadas emoções transbordando do carrinho. Então, se você iniciou Sal e não gostou muito, tenta persistir um pouquinho que talvez você se surpreenda como eu. Admito que terminei a leitura com uma sensação de que algo ficou faltando, porém como não sei dizer exatamente o que foi, deixarei Sal com 4,5 estrelas mas com gostinho de 5.
O tipo de narrativa de "Sal" lembrou-me "O amor segundo Buenos Aires" de Fernando Scheller (de quem, à propósito, busquei a indicação para sua leitura em um artigo dele), ou seja, vários narradores-personagens. Trata-se da história da família Godoy, habitantes de La Duiva, uma ilha "ao sul do sul", onde reina o seu farol. São Ivan e Cecília, e seus 6 filhos (Lucas, Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, Tiberius). Eu quis ter gostado mais do livro e penso que daria uma boa pequena série de TV, como foi "A casa das sete mulheres" da mesma autora. No entanto, o excesso de adjetivos e metáforas foi aos poucos tornando a narrativa em algo parecido como uma história de amor, a qual lhe faltou a alma. E há incongruências, pois tanto Eva e Orfeu saboreiam do mesmo prazer e intensamente, mas ela, permanece, ele adoece. Ficam algumas frases muito bem pensadas, e as saudades de dois personagens, Cecília e Orfeu, mãe e filho. Filho que ousa ser quem é. Aquele que foi melhor construído através das páginas desse livro.
Não tem como dar menos que 5 estrelas e esse livro. Tem tudo que eu gosto. Praia, mar, família grande e muito plot de tirar o fôlego envolvendo todos e ao mesmo tempo individual.
A muito tinha esse livro na estante, mas depois de lido me arrependi de não ter lido antes.
Tem algum tipo de continuação e quero ler, com certeza.
Um farol, uma ilha uma família que fez de uma cidade estrangeira seu lar. Tomou de conta de tudo que pertencia a ilha, inclusive o farol e um tipo de vida no paraíso, até a chegada de um estranho em busca da escritora do livro perfeito. No caso uma das filhas da família. E é aí que tudo fica muito, muito interessante.
Leiam, uma leitura nacional, um tesouro escondido em meio à tanta coisa boa, ainda não desconhecidos.
2019: "(...) amálgama de ficção e de realidade, de paixão e de tragédia, de palavra e de lã (...)"
Sal foi uma leitura incrível: desde as primeiras páginas o modo de narrar da autora me ganhou por completo. Acompanhar a jornada de uma família, o luto e o processo criativo de uma escritora em ascensão - e queda livre (brusca) - foi fenomenal. Gostei das vezes de cada personagem, do espaço que tomam, da presença que assumem e das personalidades múltiplas expressas nestes capítulos curtos, que tanto fazem fluir a história. Foi curioso perceber o ciclo de vida dos Godoy, as quebras temporais, as desconstruções vitais e os constantes enlaces entre a estrutura primordial de uma família imigrante e os remanescentes rotos destas origens. Me vi, tal qual a família e os agregados ao longo da narrativa, apaixonada pelo farol e por La Duiva, dois personagens tão importantes - se não mais - que os humanos a compor este enredo. Há fascínio e fantasia agindo por detrás das linhas escritas, conduzindo, surrealistas, os fios que levam às pontas de desfecho. Li aos poucos, permitindo mergulhar a cada linha lida, tendo a certeza de absorver tanto quanto possível os rumos dramáticos de Sal. Minhas expectativas e suposições foram, brilhantemente, substituídas por caminhos surpreendentes e novas reflexões. Há muito para ver, mais ainda sobre o que pensar e não faltam personagens a propagar a mensagem e a intensidade de deixar-se ancorar nesta praia, após a travessia com Tobias. Finalizei encantada, tecida na trama de Cecília e emocionada com as voltas de Tiberius. Incrível!
Gostei muito, envolvente desde o começo e tão repleto de mitos e arquétipos que poderia ser um estudo. Achei a parte três menos interessante (qdo cada um fala decoutro) .
A autora tem uma escrita muito bonita (apesar das muitas palavras difíceis que tem no livro). Mas não me encantou realmente. Foi uma experiência boa, mas não leria de novo.
Comprei e abandonei. Após 6 meses, consegui ler. Não sei o que dizer sobre este livro! Relata a história da família Godoy, bem sensível e uma confusão de sentimentos.
"(...) amálgama de ficção e de realidade, de paixão e de tragédia, de palavra e de lã (...)"
Sal foi uma leitura incrível: desde as primeiras páginas o modo de narrar da autora me ganhou por completo. Acompanhar a jornada de uma família, o luto e o processo criativo de uma escritora em ascensão - e queda livre (brusca) - foi fenomenal. Gostei das vezes de cada personagem, do espaço que tomam, da presença que assumem e das personalidades múltiplas expressas nestes capítulos curtos, que tanto fazem fluir a história. Foi curioso perceber o ciclo de vida dos Godoy, as quebras temporais, as desconstruções vitais e os constantes enlaces entre a estrutura primordial de uma família imigrante e os remanescentes rotos destas origens. Me vi, tal qual a família e os agregados ao longo da narrativa, apaixonada pelo farol e por La Duiva, dois personagens tão importantes - se não mais - que os humanos a compor este enredo. Há fascínio e fantasia agindo por detrás das linhas escritas, conduzindo, surrealistas, os fios que levam às pontas de desfecho. Li aos poucos, permitindo mergulhar a cada linha lida, tendo a certeza de absorver tanto quanto possível os rumos dramáticos de Sal. Minhas expectativas e suposições foram, brilhantemente, substituídas por caminhos surpreendentes e novas reflexões. Há muito para ver, mais ainda sobre o que pensar e não faltam personagens a propagar a mensagem e a intensidade de deixar-se ancorar nesta praia, após a travessia com Tobias. Finalizei encantada, tecida na trama de Cecília e emocionada com as voltas de Tiberius. Incrível!
Masterpiece! A book nourished with emotion but covered with suffering.
Under the vacillating light of a lighthouse situated on the small and isolated island of La Duiva, Cecilia, the matriarch of the Godoy family, reconstitutes the scars of the past with lines and needles. In painful solitude, she weaves an endless tapestry in which she interweaves the bells of Ivan, her husband, and her six children (who populate the island with their outstanding personalities and mysterious talents), choosing a color for each one.
One of her daughters discovers that she has a gift for literature and begins to write a novel. So powerful are her words that certain scenes leave the paper and overflow into reality. The manuscript reaches the hands of Englishman Julius Templeman, a Cambridge professor and specialist in Latin American literature. Taken by the freshness and vitality of the young woman's creation, he decides to leave Europe and go to La Duiva to meet the author personally. His arrival provokes profound and irreversible changes. He awakens desires and unleashes passions, the consequences of which lead Cecilia's children to spread throughout the world in search of other summers.
Very well developed plot and scenery, characters built in a perspicacious way. Those who are not used to very poetic prose will tire quickly. Whoever isn't, will be caught up and will dive into this sea full of salt.
Some chapters are narrated in the first person, however, by the various characters. Therefore, the reader should be careful not to become bewildered. Salt is divided into three parts. In the first, the chapters are fast and there is a lot of dynamics. The second part is immersed in a character, whose fate made me shed tears and more tears at the end. The third part is the ending of the characters' stories.
It's a phenomenal book that deserves to be read with the calm of a boat without an engine in an ocean without wind.
Com uma escrita impecável, primorosa, envolvente, muito bem detalhada e poética, Sal me transportou, literalmente, da cidade metropolitana, a qual vivo, para uma remota ilha do Sul. E de lá para o mundo. O enredo, no entanto, me incomodou em alguns aspectos, embora a proposta da autora fosse muito boa. Sal começa com a matriarca Cecília, que vive sozinha na isolada ilha de La Duiva, tendo por companhia apenas o velho farol que foi cuidado por gerações da família de seu marido. Diante de avassaladora solidão, Cecília resolve tecer uma tapeçaria dando para cada membro de sua família uma cor. Como se estivesse entrelaçando as vidas de cada um deles, seu falecido marido e seus filhos dispersos no mundo. Conforme as cores são tecidas na tapeçaria, cada personagem vai narrando sua história ou, até mesmo, a do outro. Temos vários pontos de vista, o do personagem que conta e, também, como o outro o vê. Não sei dizer ao certo o que me incomodou, se por o enredo ter se centrado mais em alguns personagens, mesmo entendendo que um desses personagens foi o que desencadeou a separação de quase toda uma família; se por vezes a história ter saído do lado crível, onde até aceitei a interferência do farol devido a forma poética da escrita da autora, mas não aceitei a da avó assombrando a pobre Julieta; se a covardia de Julius ou o dramalhão de Flora que de tão apaixonada pelos livros quis fazer de sua vida digna de um romance. Apesar de tudo gostei do livro, em parte, com certeza, pela brilhante escrita de Letícia Wierzchowski e também pela mensagem de esperança, de recomeço, que sempre surge diante de uma nova vida. Ah, Tiberius... 5 estrelas para a primorosa e brilhante escrita de Letícia, 4 estrelas pelo enredo.
A história cativante de um família se desenrolando aos pés de um farol, em algum lugar da América do Sul. Com bons personagens, e personalidades bem desenvolvidas, notei porém uma certa repetição da história, contada por muitas vozes. Um certo ar de Cem Anos de Solidão, misturado com as tragédias gregas e uma pitada de Sheakspeare. Leitura interessante e fluida, onde o estilo narrativo da autora é reconhecível e se sobrepõe às vozes dos personagens.