Tendo seu lançamento precedido por momento de comoção – o da morte de sua autora –, Baladas é a compilação dos três primeiros livros de poesia de Hilda Hilst: Presságio, de 1950; Balada de Alzira, de 1951; e Balada do Festival, de 1955.
A presente obra teve seu título atrelado ao caráter determinante de seu gênero poético: o da "balada", ou seja, poema escrito para ser acompanhado por música, sem rigidez no número das estrofes e marcado sobretudo pelo uso do estribilho, ainda que em Hilda este nem sempre apareça. Agraciada em 2002 com o Prêmio Moinho Santista pelo conjunto de sua obra poética, Hilda Hilst iniciou a produção de seus versos inspirando-se em temas românticos e corriqueiros, mas não sem importância: a dialética do homem que nasce inocente e morre no auge de sua lucidez, e da natureza que tudo toma e sepulta, devolvendo rosas ao mundo; a dor dos rompimentos inevitáveis; o aprisionamento da solidão; o desassossego do amor.
Hilda de Almeida Prado Hilst, more widely known as Hilda Hilst (Jaú, April 21, 1930–Campinas, February 4, 2004) was a Brazilian poet, playwright and novelist, whose fiction and poetry were generally based upon delicate intimacy and often insanity and supernatural events. Particularly her late works belong to the tradition of magic realism.
In 1948 she enrolled the Law Course in Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(Largo São Francisco), finishing it in 1952. There she met her best friend, the writer Lygia Fagundes Telles. In 1966, Hilda moved to Casa do Sol (Sunhouse), a country seat next to Campinas, where she hosted a lot of writers and artists for several years. Living there, she dedicated all her time to literary creation.
Hilda Hilst wrote for almost fifty years, and granted the most important Brazilian literary prizes.
Cuánta tristeza existe en estos poemas! Nostalgia, amor, momentos perdidos. Había leído algo de su ficción, pero estos poemas tienen otro peso, me quedo por ahora con su poesía, o con las ganas de seguir descubriendo más a esta autora brasileña.
"Está el desconsuelo que permanece en los preludios de mi alegría."
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Existe un canto de gloria que no se inició nunca pero está guardado en mi pecho disolviendo la memoria.
Y más allá de la canción incontenible de tu amor ausente más allá de la amargura no revelada de esta espera existe siempre la tierra que deshace las primeras ganas de Existir.
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Las cosas no existen. Lo que existe es la idea melancólica y suave
Ler Hilda Hilst foi uma experiência maravilhosa. Tenho a certeza que vou (re)ler estas Baladas muitas e muitas vezes. Quatro estrelas que são quase cinco.
II
Me mataria em março se te assemelhasses às cousas perecíveis. Mas não. Foste quase exacto: doçura, mansidão, amor, amigo.
Me mataria em março se não fosse a saudade de ti e a incerteza de descanso. Se só eu sobrevivesse quase nula, inerte como o silêncio: o verdadeiro silêncio de catedral vazia, sem santo, sem altar. Só eu mesma.
E se não fosse verão, e se não fosse o medo da sombra, e o medo da campa na escuridão, o medo de que por sobre mim surgissem plantas e enterrassem suas raízes nos meus dedos.
Me mataria em março se o medo fosse amor. Se março, junho.
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XI
Quando terra e flores eu sentir sobre o meu corpo, gostaria de ter ao meu lado tuas mãos. E depois, guardar meus olhos dentro delas.
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XVI
Tenho preguiça pelos filhos que vão nascer.
Teremos de explicar tanta cousa a tantos deles. Um dia hão de me perguntar tudo o que perguntei: Mãe, por que não posso ver Augusto quando quero? Mãe, eu andei lendo muito esses dias e estou quase chegando a encontrar o que eu queria.
Inutilidade das palavras.
Tenho preguiça, tanta preguiça pelos filhos que vão nascer. Dez, vinte, trinta nos e estarão procurando alguma cousa. Nunca se lembrarão daqueles que já morreram e procuraram tanto. Vão custar (ó deuses) a entender aqueles que se mataram.
Os filhos que vão nascer, coitados! Hão de pensar que são eles os destinados. Hão de pensar que você nunca passou o que eles estão passando.
maria anda como eu: impossibilitada de fazer tudo o que quer.
tem mãos amarradas ar de doente, olhar de demente, cansada.
maria vai acabar como eu: covarde nas decisões, amante das coisas indefinidas e querendo compreender suicidas.
maria vai acabar assim sem rumo, andando por aí, fazendo versos e tendo acessos nostálgicos.
maria vai acabar bem tristemente. de qualquer jeito, lendo jornais, tendo marido indefinido.
(não sei por que maria quer compreender muito, demais, a vida do suicida. e maria vai acabar se fartando da vida.)
a vida, coitada, é camarada, gosta de maria, quer fazer maria viver mais, porque maria é desgraçada. quer deixá-la para o fim, assim à mostra, e eu francamente não entendo por que maria não gosta da vida.
Após minha experiência de releitura de Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, resolvi encarar a autora de frente, lê-la pela primeira vez em ordem cronológica - primeiro a poesia, depois quem sabe a prosa - e, nesse processo, conhecer os livros que me escaparam pelo caminho.
O que me traz ao Baladas, uma coletânea dos três primeiros livros de poema dela.
A Hilda dos anos 50 definitivamente não é ainda a minha Hilda, mas está em processo. O verso não apresenta ainda o polimento e a elegância que é tão característica da poética dela, mas a predileção pelo modelo clássico já está lá.
Não é que seja um livro ruim, mas os outros são tão bons em comparação que as obras da juventude acabam sendo, bem, curiosidades, e só.
existe sempre o mar sepultando os passáros renovando soluços rompendo gestos
existe sempre uma partida começando em ti tomando forma e sumindo contigo
existe sempre um amigo perdido um encontro desfeito e ameaços de pranto na retina
existe um canto de glória iniciado nunca mas guardado no meu peito dissolvendo a memória além da irrevelada amargura desta espera existe sempre terra desfazendo as vontades primeiras de Existir.
Minha primeira vez lendo Hilda Hilst. Confesso que a primeira metade dos poemas não me conquistou muito, mas a segunda metade me arrebatou. Eu amei os temas e amei desvendar algumas alegorias. Com certeza vou querer ler mais.
Este poemario contiene versos delicados, tristes y cargados de nostalgia. Hay una proyección del paisaje de Brazil que se traslada en los poemas y los hacen muy visuales, bellos. Es como ver una película de Glauber Rocha.
Hay un paisaje sin color dentro de mí. Lo veo tan cerca y tan espléndido… súbita luz,barco dorado,espejo, y transformándose en niebla intacto se sumerge.
Sin duda, mi amigo, la isla sería nuestro puerto. Y después vendría el monólogo y la certeza de las cosas imposibles.
"(...) Os livros são criaturas. Cada página um ano de vida, cada leitura um pouco de alegria e esta alegria é igual ao consolo dos homens quando permanecemos inquietos em resposta às suas inquietudes.
acho que nunca vou superar Balada de Alzira e o amor que eu tô pela Hilda Hilst
Nem o digas aos homens Era o rio e antes do rio havia areia. Era praia e depois da praia havia o mar. Era amigo ah! e se tivesse existido quem sabe ficava eterno.
Nada ficou de mim além de eu mesma. Tênue vontade de poesia e mesmo isso
Vindo de "O Caderno Rosa de Lori Lamby", essa leitura me desagradou um pouco, para ser sincero. Nenhum poema chamou minha atenção (but then again, I'm not a huge fan of poetry in general).
3 stars, not because it's bad, but because it's young work (barely into her 20s), and isn't stunning, as least not to me - her later poetry is pretty amazing