Quando a força da Paixão e das Letras derrota o maior assassino de todos os tempos: Diogo Alves. Segredos de Amor e Sangue é um regresso do autor à época em que Diogo Alves, o célebre galego que matava no Aqueduto das Águas Livres, era o grande protagonista do crime em Lisboa. Em 1997 escreveu o argumento para o filme A Morte de Diogo Alves que venceu o Grande Prémio de Ficção da RTP. Agora, traz o célebre criminoso de volta como pretexto para reconstruir a Lisboa popular dos anos trinta do século XIX, um tempo em que a cidade se despia dos antigos trajes pré-liberais e dava os primeiros passos no Liberalismo emergente. Marcado pela violência e pela pobreza, este romance é uma história de ternura e de paixão, num tempo agreste, onde a força do Amor e das Letras se impõe à voracidade da guerra e do crime, num país que tinha uma população com noventa porcento de analfabetos. É um romance com histórias apaixonadas, de amor e morte, de fascínio pela descoberta das palavras escritas em português. Manuel Alcanhões, o narrador, eternamente apaixonado por Isabel, taberneiro em Alfama, testemunha a chegada do Portugal Moderno que vai aprendendo com as lições de um padre miguelista.
Nasceu em Moura onde estudou até aos quinze anos. Continuou os seus estudos em Beja e depois já casado e com dois filhos em Lisboa, fez o Bacharelato em Biologia, em 1975, tendo sido a partir desse ano, professor do Ensino Secundário, dessa área, até 1978.
Nesse ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal e formação de inspectores.
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.
Várias vezes louvado, deixou aquela instituição para se dedicar à vida académica.
No entanto, regressa dois anos depois para junto da então direcção da PJ com a incumbência de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. É nestas funções de assessoria que participa nos Casos de Polícia, programa da SIC que marca uma viragem nas relações entre polícia e comunicação social. Os 12 anos como inspector da Polícia Judiciária, proporcionaram-lhe inúmeras experiências e inspiração para as suas obras de ficção, sendo algumas delas adaptadas para televisão, através da sua produtora Antinomia.
Licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Simultaneamente desenvolveu intensa actividade como escritor. Várias vezes premiado em Portugal. Colabora regularmente em vários jornais e revistas nacionais. Desenvolvendo estudos sobre a violência e morte violenta, dirigiu a equipa que identificou e trasladou os mortos do cemitério da Aldeia da Luz, numa das operações científicas mais impressionantes dos últimos anos.
No que respeita à política é independente. Depois de na juventude ter vivido a euforia decorrente do 25 de Abril, com 21 anos, afastou-se de qualquer actividade política. Já depois de ter abandonado a PJ, aceitou por duas vezes integrar, na qualidade de independente, listas do PS à autarquia de Moura mas com o aviso prévio que não estaria disponível para aceitar lugares de acção política. Residindo em Santarém (S. Bento), o PSD deu-lhe apoio.
A 8 de Junho de 2009 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
O primeiro livro que li deste autor. Fica a vontade de continuar. "Gostava tanto de saber como se escreve a palavra Amo-te. Queria escreve-la e entregar-ta como testemunho. Até porque as palavras escritas parecem ter mais força do que aquelas que sao ditas. Fixam-se no tempo"
Apesar de a história de Diogo Alves não ser desconhecida para mim, li, inclusive, O Assassino do Aqueduto de Anabela Natário no início deste ano, não consegui ficar indiferente a mais um livro de Francisco Moita Flores.
Moita Flores é um mestre a contar a história da História. E fá-lo como ninguém.
Partindo de uma história romanceada de um taberneiro cujo sonho era aprender a ler e a escrever, o autor dá a conhecer ao leitor, de uma forma simples, mas agradável e perceptível, os costumes da época, o nível de iliteracia em meados do século XIX, a época em que viveu Diogo Alves, mais conhecido como O Pancada, aquele que seria o assassino do Aqueduto das Águas Livres, apesar de nunca ter sido condenado pelas mais de 70 mortes que ceifou.
Manuel Alcanhões, português analfabeto como os 90% dos portugueses daquela época, taberneiro, mas com uma visão do mundo muito diferente da dos seus congéneres, é o narrador. Perspicaz, vivido, é na sua taberna que passam os maiores rufiões do reino. Também só eles e pouco mais frequentavam tabernas daquele tipo numa alfama onde despontava o fado e onde fadistas como a Severa eram consideradas escória da sociedade.Apesar de iletrado questionava o método da polícia em fazer os já condenados por todos em reconhecer os crimes que cometeram ou não. Além disso, mostrava-se completamente contra a pena de morte, encarada pela maioria como um espectáculo digno de se ver.
Sabe a pouco... Acontece tudo muito depressa. Teria gostado de ver descrições da cidade de Lisboa, onde a acção decorre em vez da simples nomeação do espaço. Faltaram mais completas descrições das personagens e justificar a presença das figuras históricas. A história está muito bem construída e muito bem escrita. Com mais 300 páginas e seria um livro inesquecível. Recomendo, ainda assim.
A história do assassino e ladrão Diogo Alves contada pela perspetiva de um taberneiro de Alfama cujo grande sonho era saber ler e escrever. O que mais gostei foi mesmo a descrição recheada de pormenores pitorescos da cidade de Lisboa num período política e socialmente conturbado.
Romance histórico sobre a vida em Lisboa no século XIX, paixão pelas letras nos tempos em que foi o ultimo criminoso executado em Portugal - Diogo Alves
Este foi o terceiro livro que li de Francisco Moita Flores e que vem confirmar a minha opinião – FMF é um comunicador nato, um contador de histórias fabuloso. Mais que a história do Pancada (alcunha pela qual Diogo Alves respondia), Segredos de Amor e Sangue é a história de amor de Manuel Alcanhões pela sua Isabel e pelas letras. Estamos em meados de 1840 e Manuel é um taberneiro de Alfama, entre as prisões do Limoeiro e a de Aljube, onde o seu amigo, padre Salles, é confessor. Manuel desde sempre que tem um sonho – ler. E é o padre Salles, um padre miguelista, que, enquanto bebe licor de poejo, o vai ensinando ler e a escrever – de notar que, em meados de 1840, 90% da população era analfabeta, e que só os padres ou quem tinha dinheiro aprendia a ler. A fome, a falta de trabalho, as más condições de vida levam a que haja cada vez mais ladrões na cidade de Lisboa e muitos deles frequentam a taberna de Manuel Alcanhões que acaba por tomar conhecimento dos crimes que executaram ou que estão a planear. Pancada/Diogo Alves, é um dos meliantes que costuma parar por ali e Manuel acaba por saber que é ele o autor das mortes no Aqueduto. No entanto é quase impossível provar que assim é. De lembrar que, na altura em que o livro se passa, as provas aceites em tribunal se baseavam quase que só nas confissões dos autores – muitas delas arrancadas pela tortura dos suspeitos. Manuel Alcanhões é um homem com ideias avançadas para a época em que vive. Não só sonha ler como trata Isabel, a sua mulher, como igual, ao contrário dos outros homens que, nessa altura, tratavam as mulheres como suas propriedades. Pelo livro e pela taberna de Manuel passam várias personagens da época – João de Deus, Joaquim António de Aguiar, Almeida Garrett, etc. Venha então o próximo romance histórico de FMP, que eu o lerei também com o mesmo interesse.
Peguei neste livro julgando que teria um mistério histórico em torno do famoso assassino em série do Aqueduto de Lisboa. Logo no início, contudo, apercebi-me do meu erro: tanto o narrador quanto o leitor sabe desde cedo a identidade do assassino, bem como o seu método de agir. Assim, o romance é mais um registar de memórias e considerações do narrador, um taberneiro de pensamentos bastante avançados para a época. O leitor acaba por se embrenhar nas suas considerações sobre a condição da mulher, o amor e respeito que tem pela esposa, a realização que sente – e o esforço que despende – com a aprendizagem das letras já em adulto, as descrições sobre o dia-a-dia na sua taberna e no bairro da Alfama, onde vive, e a culpa e receio que sente em relação ao famoso assassino, cujas acções não se atreve a denunciar. Uma vez que é escrito como sendo um registar de memórias, a linha temporal não é propriamente fixa, saltando o taberneiro de acontecimentos que vão desde o tempo de Maria I, até ao tempo de Maria II, a época em que decorre a acção principal, e mencionando ainda a Guerra Civil – no entanto, adopta a óptica de um português que, conquanto tenha conhecimento dos acontecimentos políticos, raramente se interessa pelos seus detalhes. Dá o suficiente para que um leitor que já o saiba compreenda ao que se refere, mas não para que um leitor que não o saiba o fique a saber.
Foi a primeira obra literária que li de Francisco Moita Flores, apesar de já conhecer as séries das quais foi autor. A escrita surpreendeu-me pela positiva, sem artifícios e pseudo-intelectualismos, com uma linguagem directa e simples, bem própria das personagens que descrevia, pessoas comuns do povo. Conta-nos a história de Diogo Alves, o famigerado bandido galego que aterrorizou Lisboa na primeira metade do século XIX, com uma série de crimes, sendo o mais falado o dos roubos/assassinatos no Aqueduto das Águas Livres mas o que o vai conduzir à condenação é o assassinato de 4 pessoas num assalto a casa de um médico lisboeta famoso. É interessante conhecer a história do bandido em paralelo com a do protagonista, o taberneiro Manuel, e a sua mulher Isabel, o seu grande amor, o humanismo que transmitem, o amor pelas letras que o leva a querer aprender a ler já adulto. A obra que lemos é fruto da escrita deste personagem, que conviveu com Diogo Alves e o seu gang, que frequentavam a taberna.