Não achei nada muito profundo, nada muito novo, pouca interpretação bíblica baseada na Bíblia e muito anacronismo e imposição de ideias sobre ela.
O autor demorou 5 capítulos para falar sobre amar as pessoas, e ao longo de 222 pg, falou de amar os outros aproximadamente umas 5 ou 6 vezes, mesmo afirmando que Jesus é o maior especialista em pessoas.
Mas o que mais me incomodou foi a forma como ele fragmenta a vida em "mundo real" e "mundo ideial". Essas duas categorias servem para o autor dizer para nós o que é o mundo real para ele e excluir o que podemos ter do mundo ideal na realidade. Com isso quero dizer que não é porque pessoas fazem mal a nós no "mundo real" que o que é dito por Jesus serve apenas ao "mundo ideal" e não podemos ver outras pessoas ao nosso redor vivendo isso na realidade.
Digo isso baseado nesses parágrafos logo no início do livro que dão base para tudo que ele falará a seguir:
"No mundo ideal, as pessoas amam umas às outras, ninguém julga para não ser julgado. A família, nesse lugar, é a que mais preserva os familiares. E aqueles que nos ofendem e nos perseguem são perdoados sem demora ou ressentimentos.
Contudo, no mundo real, as coisas ainda não funcionam assim. No mundo real, familiares fofocam, amigos traem e quem deveria amar você simplesmente o abandona.
No meu ponto de vista, foi exatamente por esse motivo que Jesus passou por esta terra, para apontar o futuro, o mundo ideal: precisávamos de esperança!
Enquanto vivemos a batalha “ideal” versus “real”, precisamos aprender a sobreviver no mundo tal como ele se apresenta diante de nós. É esse o mundo em que vivemos agora. Espero que aquela senhora que me escreveu nas redes sociais entenda isso!"
Esses parágrafos parecem dizer que o que Jesus veio ensinar não serve ao "mundo real" pq diz respeito ao "mundo ideial". Logo, no caso mais extremo, o que Jesus diz não tem relevância para o que vivemos aqui, e no melhor cenário, podemos escolher o que queremos dele para nossa vida.
"Mundo real" vs "mundo ideal" nega a chegada do reino de Deus e a possibilidade de ação divina na transformação de pessoas ao nosso redor pelo poder de Deus, tirando Deus do mundo real e colocado ele nas idealizações sem efeito prático na vida, por mais que ele tente falar que não ao longo do livro. Assim, é difícil saber se o que ele cita da Bíblia tem de fato algum valor, uma vez que diz respeito ao "mundo ideal" e não ao "mundo real".
A última coisa a destacar é como ele fomenta a objetificação de pessoas, tornando-as necessárias, ou estratégicas, ou contornáveis. Estimula amizades por interesses ao invés de dar outro nome para isso, o que seria mais sábio e mais coerente com que ele está fazendo em apresentar teorias. E ainda estimula a manipulação para se ter o que deseja das pessoas.
Estimula também o egoísmo ao objetificar seres humanos, dizendo coisas como: "Neste livro, vou chamá-las de facilitadores e bloqueadores." se referindo à pessoas contornáveis; ou "É importante entendermos que, na vida, algumas pessoas não são pedras de tropeço, como falamos no início do livro, são pedras no sapato mesmo! Já outras são essenciais para a construção da escada do sucesso, mas sempre serão como pedras: incômodas e pesadas de se carregar."
Assim, não recomendo o livro a quem quer ser especialista em pessoas como Jesus que ensinou e viveu o amor ao próximo, e não a categorização de pessoas.