Quem me conhece minimamente sabe que admiro o trabalho da Inês Pedrosa enquanto escritora e também como jornalista, confessando não estar assim tão atento ao trabalho dela desde que entrou para a Casa Fernando Pessoa em Lisboa. Mas todos nós temos de ser capazes de reconhecer uma falha no trabalho de qualquer personalidade que admiramos e, infelizmente, consigo reconhecer A Instrução dos Amantes como uma das falhas na carreira da Inês, apesar de ser o primeiro romance que publicou.
A Instrução dos Amantes conta a vida de um grupo de adolescentes, às vezes tantos e alguns sem importância para a história que acabei por me esquecer dos nomes de quase todos. Neste livro importa apenas a Cláudia, a Isabel, o Dinis, a Teresa, a Mariana (falecida logo no início desta pequena obra) e o Ricardo, apesar de ser mencionado muito esporadicamente. São estas as personagens que me prenderam a atenção numa narrativa bem escrita mas com demasiadas ideias soltas, onde não houve tempo para ser mais desenvolvida. Sim, porque para conseguir relacionar-me com todas estas personagens era necessário mais umas 200 páginas no livro. E para além desta impressão de falta de caraterização das personagens também não me identifiquei com nenhuma. Sei que é um grupo de adolescentes mas não interessa, há sempre uma ou outra característica num livro que nos é familiar ou, mesmo que não seja, gostamos de uma outra personagem. Nesta Instrução dos Amantes não gostei de nenhuma personagem.
Começando pela Cláudia, mascarada com uma defesa no grupo de amigos e mesmo para o namorado Ricardo mas que acaba por destruir ao apaixonar-se por Dinis. Isabel, a irmã de Dinis, que chega a compreender a razão pelo qual Cláudia começa uma amizade com ela mas não faz nada para a impedir - o que acho completamente ridículo mas lá no fundo evidencia como funciona uma amizade entre duas mulheres (apesar do romance ter sido publicado em 1992). Dinis, o idiota do irmão de Isabel, que pretende continuar na sua redoma e dar para trás a Cláudia, de forma a não torná-la namorada, a não abrir os seus sentimentos a um ser humano. Completam este cenário Teresa, sempre concentrada a encontrar o verdadeiro amor mesmo na adolescência e a falecida Mariana, que é só referida pelos outros na história. Ora bem, estas personagens são vazias. Esqueçam se esperam algo de forte porque não o vão ter neste livro. Gosto muito do trabalho da Inês mas este livro ficou muito mau, especialmente se comparar com o último que ela lançou no ano passado.
Salva a escrita em algumas partes do livro. Em A Instrução dos Amantes falta-lhe conteúdo, diria mesmo até sentimento. Escrever sobre a adolescência não é fácil e este livro é um mau resultado dessa tentativa. Resta-me esperar por novos livros da Inês Pedrosa, esses sim vão ser bons com certeza!
1,5/5