A Instrução dos Amantes, lançado em 1992 em Portugal, é uma obra literária sobre descobertas. O período dos primeiros amores, das decepções, das idealizações. Excerto: "Talvez seja ele, ainda, o segredo do riso dela. Não há memória mais terrível do que a da pele; a cabeça pensa que esquece, o coração sente que passou, e a pele arde, invulnerável ao tempo."
Born in 1962, Inês Pedrosa earned a degree in communication sciences from the Universidade Nova de Lisboa before working in the press, on radio, and on television, earning several journalism awards and serving as director of the Casa Fernando Pessoa publishing house from 2008 to 2014.
Previously, she was a columnist for the Portuguese national newspaper Expresso, for which her column was awarded the 2007 Prize for Parity for Citizenship and Gender Equality, and she is currently a columnist for Lisbon's weekly newspaper, Sol. Pedrosa has published eighteen books, including the prize-winning novels In Your Hands (winner of the 1997 Prémio Máxima de Literatura in Portugal), Eternity and Desire (finalist for the 2009 Portugal Telecom Award and the 2010 Prémio Correntes d'Escritas), and The Intimates (winner of the 2011 Prémio Máxima de Literatura). Her work has been published in Brazil, Spain, Italy, and Germany. In Your Hands is her English-language debut.
Para conseguir escrever uma review sobre este livro, vamos partir do princípio que um livro sobre a vida de vários adolescentes a enfrentarem a puberdade geralmente nunca dá certo!
A Inês Pedrosa ganha sempre em subtilezas, e é por esse motivo que este livro que poderia ser extremamente mau, consegue alcançar o limiar do razoável. Ela escreve bastante bem e dá ares de poeta em alguns excertos muito bem conseguidos (que acabei por adicionar aos quotes), mas mesmo assim não chega. Ficou muito aquém das expectativas. Eu penso que seja pelo desinteresse do tema. E pela tentava de empregar o calão da época (após 25 de Abril). Eu falo em tentativa mas ela pode muito bem tê-lo conseguido, e falando de adolescentes, ok faz sentido usar linguagem corriqueira, mas a meu entender é outra forma de perder pontos, somente porque não me é aceitável que um livro seja escrito nesses termos (o que só acontece com livros de língua portuguesa). Penso que seja pelo rápido mutismo desses termos, que nos dias de hoje já soam a falso ou a forçado, ou talvez a brejeiro.
O amor do tal homenzinho pela Mariana também me pareceu um tanto ou quanto descabido e os motivos que o levaram a perpectuar o crime também. Depois a Cláudia (que infelizmente tem o meu nome) é uma personagem tão mundana que chega a ser absolutamente desinteressante, bem como a sua amizade pela Isabel. E o seu irmão, numa tentativa de rebeldia, exala uma intelectualidade extravagante que nada tem a ver com o mundo real. E etc etc etc.
Só não digo que não gostei porque gosto muito da forma de escrever desta autora, e sei que ela tem obras tão bem conseguidas como é o caso do Fazes-me falta e vou continuar a lê-la, e tenho ganas de conhecê-la melhor. Mas este livro foi desapontante, sem dúvida.
Quem me conhece minimamente sabe que admiro o trabalho da Inês Pedrosa enquanto escritora e também como jornalista, confessando não estar assim tão atento ao trabalho dela desde que entrou para a Casa Fernando Pessoa em Lisboa. Mas todos nós temos de ser capazes de reconhecer uma falha no trabalho de qualquer personalidade que admiramos e, infelizmente, consigo reconhecer A Instrução dos Amantes como uma das falhas na carreira da Inês, apesar de ser o primeiro romance que publicou.
A Instrução dos Amantes conta a vida de um grupo de adolescentes, às vezes tantos e alguns sem importância para a história que acabei por me esquecer dos nomes de quase todos. Neste livro importa apenas a Cláudia, a Isabel, o Dinis, a Teresa, a Mariana (falecida logo no início desta pequena obra) e o Ricardo, apesar de ser mencionado muito esporadicamente. São estas as personagens que me prenderam a atenção numa narrativa bem escrita mas com demasiadas ideias soltas, onde não houve tempo para ser mais desenvolvida. Sim, porque para conseguir relacionar-me com todas estas personagens era necessário mais umas 200 páginas no livro. E para além desta impressão de falta de caraterização das personagens também não me identifiquei com nenhuma. Sei que é um grupo de adolescentes mas não interessa, há sempre uma ou outra característica num livro que nos é familiar ou, mesmo que não seja, gostamos de uma outra personagem. Nesta Instrução dos Amantes não gostei de nenhuma personagem.
Começando pela Cláudia, mascarada com uma defesa no grupo de amigos e mesmo para o namorado Ricardo mas que acaba por destruir ao apaixonar-se por Dinis. Isabel, a irmã de Dinis, que chega a compreender a razão pelo qual Cláudia começa uma amizade com ela mas não faz nada para a impedir - o que acho completamente ridículo mas lá no fundo evidencia como funciona uma amizade entre duas mulheres (apesar do romance ter sido publicado em 1992). Dinis, o idiota do irmão de Isabel, que pretende continuar na sua redoma e dar para trás a Cláudia, de forma a não torná-la namorada, a não abrir os seus sentimentos a um ser humano. Completam este cenário Teresa, sempre concentrada a encontrar o verdadeiro amor mesmo na adolescência e a falecida Mariana, que é só referida pelos outros na história. Ora bem, estas personagens são vazias. Esqueçam se esperam algo de forte porque não o vão ter neste livro. Gosto muito do trabalho da Inês mas este livro ficou muito mau, especialmente se comparar com o último que ela lançou no ano passado.
Salva a escrita em algumas partes do livro. Em A Instrução dos Amantes falta-lhe conteúdo, diria mesmo até sentimento. Escrever sobre a adolescência não é fácil e este livro é um mau resultado dessa tentativa. Resta-me esperar por novos livros da Inês Pedrosa, esses sim vão ser bons com certeza!
Não me dou bem com este tipo de prosa, pretensiosa, com laivos de uma intelectualidade artificial, que me faz estar em esforço permanente para conseguir entender. Não é preciso, não é isto que faz um grande escritor e, a mim, decididamente não é isto que me oferece prazer na leitura. Como o livro é pequeno fui até ao fim. Se fosse mais longo tinha sido colocado de lado.
Escrita leva sobre u grupo de adolescentes e suas interligações amorosas. O grupo de jovem de um bairro de Lisboa ou proximidades, de classe média. anos 80. gostam de motos de se divertir mas não são propriamente um gang. Ricardo Luz é o líder não por ser o mais forte, mas por ser o mais intrépido e por ter a rapariga mais gira, a cláudia: Ou vice versa. Cláudia é o centro do romance, pois conta-se a sua saída d grupo por se ter apaixonado por dinis, um jovem que é intelectual e que lhe não liga quase nada, o que a faz apaixonar-se ainda mais. Dinis não pertence ao grupo mas é irmão de isabel que lhe pertence, e que continua a ser amiga de cláudia. Namorando com Filipe, o músculos do grupo. Também há João, menino rico, por quem Teresa, a intelectual do grupo está apaixonada. E depois outros a gravitar à volta: Linhos, Radar. episódios engraçados de analisar as certezas e dúvidas do grupo nas suas sucessivas alterações, dedicações amores e invejas. Também algumas personagens adultas.
3.5* O seu primeiro romance, onde a sua escrita permanece em estado bruto, tímida, ao mesmo tempo descontrolada e soberba. Não é um tipo de escrita para qualquer paladar, mas não deixa de valer o seu mérito, que teve a sorte de engrandecer com a evolução da experiência. A narrativa em si não é de fácil apego, pois tem várias personagens e um emaranhado de histórias articuladas. Convém ler-se com tempo e dedicação, caso contrário não irão entender nada. As histórias falam de amores e desamores, de paixões, do sentido da vida e do sentido da morte. O que move este grupo de adolescentes. Não é um narrativa corrida do ponto A ao B, é mais uma onda de pensamentos, exaltações e emoções que nos leva por arrasto por todos os planos adiante.
só aos amigos é dado o espectáculo da nossa miséria.
apesar de inês pedrosa ter um talento inegável para a escrita, as suas obras não são as adequadas para mim. parecem-me sempre todas presunçosas, distantes, artificiais. também não achei a história rica nem interessante.
acho que a autora tem um potencial continuamente desperdiçado.
É um livro bastante meloso aconselhável para aqueles que estão a passar por um desgosto amoroso, desejosos de ir ao âmago das razões dos desencontros. Não o teria lido caso não fosse esse o meu estado porque pede mesmo uma grande carência emocional para que se perceba a linguagem intrincada que ela utiliza. É uma bíblia sobre a psicologia do amor adolescente. É terno e deprimente.
Acabo sempre entregue aos encantos de Inês Pedrosa nas noites quentes de Verão. Inocentemente agradável, livro que não nos embate com a força de um grande clássico mas que pressente exactamente os momentos em que precisamos de um beijinho na testa. "Não quero lembrar-me dos teus olhos arrefecidos. A saudade guarda o que ficou por repetir."
Eu sou uma grande fã da Inês Pedrosa. Esse livro me encantou um pouco menos; talvez, em parte, por tratar-se de uma história adolescente e suas paixões; e, portanto, mais distante do meu momento atual. De qualquer forma, é ainda um livro agradável e muito bem escrito.
Tão fraquinho, tão mal escritinho, tão mal apanhado! E a capa? Que dizer desta capa inqualificável? Quem é que aconselhou esta jornalista a ser escritora? Fez escola e agora as livrarias só têm coisas deste estilo escritas por portugueses. Perdemos a boa literatura toda!
Mais um livro que comprei numa feira de livros em 2ª mão. Achei fraquinho e sem estrutura. Custou a ler, mas quis ver se haveria algo que me agarrasse ao fim. Pareceu-me um livro da coleção "Uma aventura" mas em vez de 12 anos, os miúdos têm 16 e passam os dias à procura de enfrentar o tédio com os namoros, as zangas e os poemas entre eles. O livro segue um grupo que vive num bairro de prédios, um subúrbio e as conversas nas escadas. O que me cativou o livro quando o vi, foi a nostalgia da minha juventude nos anos 90, sem telemóveis e com conversas intermináveis nas esquinas das ruas ou nos bancos de jardim. A segunda parte do livro é um pouco pastosa com os amores e a amizade das amigas Isabel e Cláudia. As paixões sem correspondência, os interesses de cada uma. Para mim foi bem dificil de ler, mas talvez para um adolescente faça mais sentido. Leitura para adolescentes.
Da leitura deste primeiro romance-novela da escritora Inês Pedrosa “A Instrução dos Amantes” num escrita escorreita, relata encadeados de diversas histórias da juventude suburbana, descrevendo as suas múltiplas amizades, paixões, ceticismos familiares e religiosos, pertença de grupo, incluindo as poucas perspetivas de futuro numa sociedade de adultos. Deste modo a autora, impregna-se no mundo dos jovens, onde expõe alguns dos seus problemas, que se repetem ao longo das gerações e parte dessas problemáticas são transversais a locais não suburbanos fora das cidades e vilas.
Um livro sensaborão. O enredo não prende, as personagens não conquistam, salva-se a escrita, que denota já o talento que se viria a revelar de Inês Pedrosa.