Uma vila, uma mulher misteriosa e acontecimentos que fogem ao controle da razão. A desgraça assola a todos e ninguém sabe como a deter. Quem é o verdadeiro responsável pela deflagração do terror? Essa é a linha da trama de Mary, de Magno Costa, um soberbo trabalho de narrativa visual que apresenta um vilarejo atormentado por suas crendices e tudo o que está acima de sua compreensão. Inteiro composto somente por imagens, o livro apresenta uma obra rica, ambientada em algum lugar dos EUA puritano. Quem será a misteriosa Mary e por que ela está sendo perseguida pelos religiosos locais? O ganhador do prêmio HQ-Mix de desenhista revelação em 2011, Magno Costa (Oeste Vermelho, Matinê) mostra toda sua desenvoltura narrativa em um trabalho marcante e arrebatador para a coleção ZUG.
Impressionante narrativa sem texto (exceto o introdutório) em que toda a densidade da história está na arte quadro a quadro (aqui, apenas um quadro por página).
A narrativa oscila o ritmo como o pulsar de um coração, que vai acelerando diante da angústia crescente.
Por fim, em tempos de luta contra a misoginia, a trama é um bom reforço de fatos históricos que devem sempre ser lembrados, antes de soltar impropérios chauvinistas.