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O valete de espadas

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234 pages, Paperback

First published January 1, 1960

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Gerardo Mello Mourão

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Gerardo Mello Mourão (Ipueiras, 8 de janeiro de 1917, Rio de Janeiro, 9 de março de 2007) é uma figura bastante enigmática na história da literatura brasileira. Poeta laureado, vencedor do Prêmio Jabuti com seu épico Invenção do Mar, indicado ao Nobel de Literatura em 1979 e elogiado por figuras como Ezra Pound e Carlos Drummond de Andrade, Mello Mourão ainda é um desconhecido no Brasil.

Ainda garoto, Gerardo Mello Mourão saiu de sua terra e foi morar em Valença (RJ). Depois disso, entrou para o seminário São Clemente, dos Padres Redentoristas, em Congonhas do Campo (MG) e posteriormente fixou residência no Rio de Janeiro (RJ). A passagem de GMM no seminário, entretanto, explica, parcialmente, a proeminência do tema religioso, quando não mítico e metafísico, em sua obra poética. Foi nos exercícios litúrgicos, nas declamações dos missais e nos incensórios ritualísticos que o poeta entrou em um contato mais profundo com a dimensão sacra da vida. Além disso, o próprio autor afirmou saber “nove línguas, inclusive o grego e latim” e disso também deriva o seu diálogo constante com a tradição clássica.

Contudo, Mello Mourão realiza, em sua obra, um movimento dialético que tenciona com extremos aparentes: a terra natal x o mundo, o regional x o universal, o ritmo da poesia x a cadência da prosa. Em uma entrevista, ele diz:

A herança que eu tenho é o negócio do Ceará. O Ceará é negócio, a minha vida, a minha formação, o meu sentimento de País, o meu sentimento de Brasil. O resto é bobagem. O resto é… Toda minha obra literária se funda ali. Eu fiz outras coisas na vida, fiz política liberal, fiz política convencional no Brasil, fui Deputado, tudo isso. Eu ocupei muitas coisas. Mas tudo isso na minha vida foi adultério. O meu matrimônio é com a minha terra e com a minha poesia, que é fundada ali, começou ali. Então, é a minha vida, é a minha poesia, o resto é besteira. Tudo é adultério, o matrimônio foi aquele ali (MOURÃO, 2001)

Nos anos 1940, esteve em Buenos Aires e se juntou a um grupo de cinco colegas (Abdias do Nascimento, Godofredo Iommi, Raúl Young, Efraín Bó e Napoleão Lopes Filho), que se autodenominou “La Santa Hermandad Orquidea”. A irmandade, uma espécie de guilda poética, fez um pacto de viajar pelo mundo e renegar toda a produção lírica feita até aquele momento. O grupo adotou como divisa o lema “Ou Dante ou nada”.

A convivência com a confraria teve considerável influência na obra posterior de Gerardo Mello Mourão. Em primeiro lugar, a ideia de conhecer a América e escrever um épico nativo, uma espécie de Amereida, até foi esboçada pelo grupo, mas só concretizada, de fato, com o poema Invenção do Mar, escrito por Mourão em 1997 e vencedor do Prêmio Jabuti em 1999 (façanha repetida por GMM em 2003 com o livro Algumas Partituras). Segundo o livro Breve Memória Crítica da Obra de Gerardo Mello Mourão, Ezra Pound teria afirmado que: “em toda minha obra o que tentei foi escrever a epopeia da América. Creio que não consegui. Quem conseguiu foi este poeta de O País dos Mourões”.

As andanças e experimentações da confraria poética parecem ter moldado em GMM determinada concepção do poema como algo que deve ser submetido a um elemento que o ultrapassa. Tal entendimento, prefigura a “caça aos mitos fundadores” que envolverá seus principais trabalhos poéticos. Ao comentar sobre as atividades do grupo, mas falando de si mesmo, Gerardo explana:

Sem desertar do pacto ambicioso feito pelos jovens que a si mesmo chamaram “La Santa Hermandad Orquidea”, e dos quais está certo de que pelo menos um- Godofredo Iommi- chegou ao que se propusera, sabe hoje, amadurecido no orgulho e na humildade, que a poesia é mais importante que o poema. O mito é mais importante do que a obra. Como Orfeu, que é apenas um mito. Ou como Linos. Ou como as Musas. Ou como Apolo. Deste modo, aprendendo a cada dia, com as horas, com os elementos e com as pessoas- como poeta Edi Simons, cuja profissão é a palavra- certo de que o mito e, pois, a poesi

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