“Gisa traía os homens. Era um hábito. Mais, até: um prazer. Traiu o primeiro ainda muito jovem, tinha talvez quinze anos de idade. O namoradinho gostava dela, ela gostava do namoradinho, mas um dia lhe surgiu aquele rapagão mais velho, moço de cabelo à escovinha e farda abacate do serviço militar. Gisa namorou com ele também. Namorou com os dois ao mesmo tempo, e viu que era bom. O medo de ser descoberta, a comparação das carícias de um e outro, a idéia de que enganava dois homens, tudo isso lhe dava uma estranha sensação de poder e fazia com que se sentisse muito, muito bem.” (Trecho da crônica “A mulher que trai”) Mulheres!, livro de crônicas de David Coimbra com textos publicados no jornal Zero Hora (de Porto Alegre) entre 2003 e 2005, é agora lançado em formato pocket. O título desta compilação não deve ser lido apenas como uma interjeição, daquelas pronunciadas aos amigos em mesa de bar, de dedo erguido e fazendo referência a um incompreensível ou inaceitável comportamento feminino. David Coimbra, jornalista, cronista, escritor e indefectível bem-humorado, debruça-se sobre mulheres de todas as idades, formatos, profissões e mentes como um paleontólogo sobre fósseis e esqueletos, e observa seu objeto de estudo (e desejo) com tanta compaixão quanto curiosidade, com tanto humor quanto fascinação. Nas suas crônicas-histórias, o autor retrata de forma ficcional os vários tipos de mulher moderna e a relação delas com outras mulheres, com o sexo, com a liberdade e o casamento, com a maternidade, com os homens, com o próprio corpo – e, é claro, dá vazão ao eterno (pelo menos até os conturbados dias de hoje) fascínio masculino por esse estranho e encantador espécime. E como nem só de mulher vive o homem, o leitor encontrará também textos sobre outros mistérios da natureza.
David Coimbra nasceu em Porto Alegre, em 28 de abril de 1962, às 10h da manhã de um sábado, no Hospital Cristo Redentor. Cresceu no IAPI, na Zona Norte da cidade. Formou-se em jornalismo pela PUC-RS em 1984. Durante a faculdade, trabalhou como assessor de imprensa da Livraria e Editora Sulina, redigindo resenhas de livros, entrevistando autores, acompanhando escritores em suas visitas ao Estado.
O David me irritou um pouco com o frequente uso das mesmas expressões, mas isso eu relevo. Achei os contos e as crônicas bem gostosos de ler, terminei tudo num dia só. Não costumo comprar livros assim, totalmente fora dos planos, mas comecei a passar os olhos pela história em que ele descobre que a mãe é virgem e simplesmente precisei comprar o livro de onde provavelmente muitas outras boas narrativas tinham grande potencial de me entreter por horas. E conseguiram!