"Tragédia carioca", Orfeu da Conceição transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas canções, pois os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda do grande amor. Desesperado, Orfeu decide descer ao Hades (o reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientada em uma favela carioca, Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim - a peça inclusive inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor -, cenários de Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura entre poesia e música popular, entre teatro e canção.
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (October 19, 1913 - July 9, 1980), better known as Vinicius de Moraes, nicknamed O Poetinha (the little poet), was born in Rio de Janeiro, Brazil. Son of Lydia Cruz de Moraes and Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, he was a seminal figure in contemporary Brazilian music. As a poet, he wrote lyrics for a great number of songs that became all-time classics. He was also a composer of Bossa nova, a playwright, a diplomat and, as an interpreter of his own songs, he left several important albums.
"Baseada na mitologia grega, um universo que por si só me fascina desde criança, esta história transporta-nos para o mundo das favelas, um mundo repleto de pobreza mas onde a sede de viver impera. Dizer isto assim pode parecer de pouca monta, contudo se tivermos sempre em mente que esta peça foi estreada na década de 50 e que ao palco apenas subiram actores negros, facilmente percebemos o impacto que esta produção teve na altura e o porquê de ter alcançado um estatuto de evento histórico. "
Nunca pensei estrear-me com tão conceituado autor com uma peça de teatro. Uma experiência interessante que me deixou com vontade de poder recuar no tempo e assistir à estreia deste espectáculo que ficou para a História.
O mito de Orfeu e Euridice transportado por Vinicius de Moraes para um morro de favelas do Rio de Janeiro, apenas com personagens negros. Como não podia deixar de ser, os diálogos são poéticos e musicais. As notas de cena são muito extensas, com música para violão e samba, ruídos de rua e da natureza, amanhecer coloridos e noites escuras... Foi levado à cena uma vez, em 1956, a custas do autor, com cenários de Oscar Niemeyer e música de António Carlos Jobim. Deve ter sido um espetáculo extraordinário! Será que fizerem alguma gravação?
É a primeira vez que leio algo de Vinicius de Moraes. Conhece algumas das suas letras de canções. Sigo alguns fãs desta personalidade. Mas só este ano decidi verter-me por este caminho...
"Orfeu da Conceição" é uma releitura moderna do mito de Orfeu. Na história original Orfeu é capaz de descer aos infernos para ficar com a amada. Mas esta releitura é mais negra e não tem um final feliz. O que mantém-se? Orfeu continua a ser um música e amante de poesia. E Eurídice continua a ser a musa inspirador do herói.
É bastante difícil conceber uma peça de teatro com tantos figurantes, com musica, Carnaval, etc. e traduzir tudo isso, em toda a sua força, para uma folha de papel - com muitos diálogos e apenas pequenas anotações cénicas. Existem peças em que isso chega (e resulta no imaginário), existem outras em que não. Lamentavelmente, esta é uma das últimas. Não é que a história não seja linda, nem as canções maravilhosas, mas é que falta magia apenas na palavra escrita. Por isso achei que iria gostar mais do que realmente gostei. Reconheço, no entanto, a sua importância tremenda à época, na luta pela igualdade racial. E espero poder ver alguma encenação dela (tentei procurar mas não encontrei senão o filme, se alguém puder sugerir, por favor comente abaixo) *