"Amazona", título extraído do mito das mulheres guerreiras, é a narrativa da ascensão de uma mulher brasileira em direção à liberdade e, por que não?, ao Poder. Um poder que passa da sedução pela sexualidade para uma conscientização política. Crime e paixão no Rio de Janeiro, no melhor estilo aventuresco dos folhetins, envolvem a bela Dionísia com Jean, o fotógrafo francês de olhos azuis, e Silvia, elegante e voluntariosa filha de um grande banqueiro, num triângulo amoroso de graves consequências.
Sérgio Sant'Anna was a Brazilian writer, born in 1941 in the city of Rio de Janeiro. He has written poems, plays, short stories, novelas and novels. His works have been translated to German and Italian. His works are heavily meta-fictional and is a strong influence on the newer generation of brazilian writers.
Apesar de ser narrado por um narrador em terceira pessoa, os comentários machistas desde o primeiro capítulo constroem um ar de intimidade e proximidade incômoda, enxergamos de forma muito palpável um corpo para essa voz que nos narra a história. A estética é toda a de uma pornochanchada, explorando nudez e escracho, nudez que funciona aqui como mercadoria e também como parte das contradições existentes na cultura brasileira, especialmente pela junção entre autoritarismo estatal e erotismo na intimidade que são parte de quem nós somos como país. A fotografia, a abertura para a virada da cultura de massas em que toda a imagem se torna pornográfica aparece aqui com a descrição de ensaios fotográficos sensuais (Sérgio Sant'Anna sempre mandou muito bem na ekfrase) e a presença de um tipo de "male gaze" por parte do narrador, que foca e disseca o corpo feminino para o deleite de hominhos emocionados. Ele não deixa de se lambuzar no Kitsch do qual quer fazer troça, discute racismo, budismo, maconha e psicanálise em meio a uma intriga tosca de espionagem e crimes violentos no Rio de Janeiro. O fascinante nele é o mesmo que o torna limitado e em certos momentos até risível. Uma estética irmã das novelas e minisséries mais escrachadas da globo, uma trama que vai se resolvendo quase sempre com um elemento que foi apresentado apenas em poucas páginas anteriores. No entanto ele funciona deliciosamente como uma leitura mais ligeira. Merecia ser popular ao menos para que nós o odiássemos, esse narrador que é uma mistura de leitor de Machado de Assis com boêmio classe média carioca, consumidor voraz de pornografia.
Quando uma obra segue atual após décadas de seu lançamento a culpa é da genialidade do escritor? Ou será que foi a sociedade que não avançou tanto quanto deveria?
Amazona foi lançado próximo ao fim da ditadura militar e chocou, apesar dos ares progressistas que já circulavam na iminente redemocratização.
Muita coisa mudou e avançou neste país desde então. Mas Amazona ainda chocaria parcela importante da população em 2022, 36 anos depois.
Um livro à flor da pele, sensual, dinâmico, político. Um ótimo retrato da elite brasileira da época com protagonismo das mulheres.
Apesar de ser narrado por um narrador em terceira pessoa, os comentários machistas desde o primeiro capítulo constroem um ar de intimidade e proximidade incômoda, enxergamos de forma muito palpável um corpo para essa voz que nos narra a história. A estética é toda a de uma pornochanchada, explorando nudez e escracho, nudez que funciona aqui como mercadoria e também como parte das contradições existentes na cultura brasileira, especialmente pela junção entre autoritarismo estatal e erotismo na intimidade que são parte de quem nós somos como país. A fotografia, a abertura para a virada da cultura de massas em que toda a imagem se torna pornográfica aparece aqui com a descrição de ensaios fotográficos sensuais (Sérgio Sant'Anna sempre mandou muito bem na ekfrase) e a presença de um tipo de "male gaze" por parte do narrador, que foca e disseca o corpo feminino para o deleite de hominhos emocionados. Ele não deixa de se lambuzar no Kitsch do qual quer fazer troça, discute racismo, budismo, maconha e psicanálise em meio a uma intriga tosca de espionagem e crimes violentos no Rio de Janeiro. O fascinante nele é o mesmo que o torna limitado e em certos momentos até risível. Uma estética irmã das novelas e minisséries mais escrachadas da globo, uma trama que vai se resolvendo quase sempre com um elemento que foi apresentado apenas em poucas páginas anteriores. No entanto ele funciona deliciosamente como uma leitura mais ligeira. Merecia ser popular ao menos para que nós o odiássemos, esse narrador que é uma mistura de leitor de Machado de Assis com boêmio classe média carioca, consumidor voraz de pornografia.