Take the long way home...
In those old days way before smart phones and Google maps, one read a travel guide book to learn something about the place you just found along the road. You want some historical facts, maybe a funny anecdote and a little relevance as to why this place is in the guide book in the first place. Sometimes it helps; sometimes, not.
So what if your guide book was written by a Nobel laureate? Is it a better guide? Are the anecdotes better? I could be cynical and say, it’s all about churches, castles and places to stop for lunch.
Well for one, and having been to Portugal, there are a lot of churches, castles and places to stop for lunch. But they are so good there. So let’s not be so cynical.
It’s published in 1981, about a half dozen years after Portugal has shaken off its Salazar rule. Democracy is still young and the country is very poor. Mass tourism hasn’t really kicked into high gear when Saramago makes his thorough journey through his native land (with the exception of the Algarve). He begins, in the far northeast, Tras-do-montes, made famous much later in The High Mountains of Portugal. He slowing traverses across and down hitting many famous and not so famous places right down to land’s end of Sagres.
Saramago is quick to point out he is not a tourist, but a traveler. To travel is to discover; a tourist only encounters. “O viajante não é turista, é viajante. Há grande diferença. Viajar é descobrir, o resto é simples encontrar.” p. 366
In those days, one pounded on the door of the nearby building to get the keys and maybe ask for a guide, if you were lucky, to see the historical place. Admission was either free or make a donation. Directions? Ask a local.
Saramago asked a lot of questions, observed, got lost, met some odd encounters and documented his native Portugal. Things he liked, talking with the museum director in Faro to things not so positive like the over commercializations of Fátima. It’s a funny thing. He is a well-known atheist and yet he was fascinated by all those churches. Very similar to Julian Barnes too. He was also a well known communist and only once did he visit a collective in the Alentejo. But his fascination for his country shows.
This comes as an odd review. I think for many, it can be a little dated and maybe a little boring. Easily a three star rating. For me it was the opposite. Using Google as my “eyes” I routinely followed his path on line and checked out the photos along the way. His good humour keeps me entertained. We made the journey “together.” Literally too, because we saw many of the same places in the Alentejo and to be honest, this was a wow factor for me. And there are so many places I still need to see.
This book was published a year after “Raised from the Ground” and before “Memorial do Convento” and so this book revealed some interesting things. One, he says very little about Mafra, where Memorial is set; and he truly seems so much at ease in the Alentejo, where “Raised from the Ground” is set. And interestingly he calls Casa do bicos in Lisboa one of the most beautiful buildings in the city. Years later his Foundation would be located in this house, and having visited it, I heartily agree with him.
As a Saramago fan, I am too biased. It was a fun journey, one that I made in his own language too. And with that I can only thank him for such a pleasurable, long way home. And I agree with him, “the journey never ends, only the traveler stops. And when ready, the traveler gladly carries on the journey.”
And as a geek, some of my favourite lines (sorry, it would take to long to translate):
“...aqui têm todos os tons do verde, do amarelo, do vermelho, do castanho, roçam mesmo as franjas do violetas...Viajante no País das Maravilhas. (Vila Real do Mateus, p. 56)
“Onde perde, ganha.” Cabeceiras de Basto, p. 73
“Declara já o viajante que este é um dos mais belos museus que conhece. Outros terão riqueza maior, espécies mais famosas, ornamentos linhagem superior: o Museu de Alberto Sampaio.” Guimarães, p. 77
“Dirá que o interior, amplo, imerso em penumbra, faz com que definitivamente acreditemos na possibilidade que o homem afinal tem viver entre a beleza.” A-ver-o-Mar, p. 90
“Nadeau com grandes ambiçãoes esta igreja. Se o viajante não se engana, Braga começou por quere não ficar atrás de Santiago de Compostela.” Sé da Braga, p. 113.
“Num corredor de acesso, metida em vitrina, estava uma figura feminina toda de r DNA’s vestida, com um galante chapéu de aba larga, igualmente toucado de rendas, todo um ar de maja goyesca, castiça no porte da cabeça e nos cabelos soltos... E Nossa Senhora do Enjeito (Egito).” Braga, p. 118
“O viajante está decidido a não andar de igreja em igreja como se de tal dependesse a salvação de sua alma.” Porto, p. 138
“E também, confesse-se aqui um pecado de gula, para ver se tornam a saber-lhe tão bem os divinos pastéis que comeu encostado a Torre dos Sinos, fazendo da mão esquerda guardanapo para now perder migalha.” p. 170
“...de geral consenso, este é o mais belo monumento que daquele existem Portugal” Sé Velha, Coimbra, p. 178
Pergunta Guerra. “Connected o ditado do pão, do queijo e do vinho?” “Não conheço.” “ É assim: pão com olhos, queijo sem olhos, vinho que salte aos olhos. É o gosto a terra.” Cidadelhe, p. 208
“...deixar Linhares que de longe tanto se parece com a grega Micenas e aonde custou tanto a chegar como se Micenas fosse.” p. 215
“Hoje há uma estrada, sim senhores, e no seculo XII como seriam os caminhos?, a pedra, como foi transportada? Ou serviu a que da escarpa foi retirada brutalmente para abrir a plataforma onde se cavaram os alicerces.” Capela de São Pedro das Águias, p. 248
“E aqui está o que abundantemente justifica a Abrantes: esta Igreja de Santa Maria do Castelo, onde o Museu de D. Lopo de Almeida foi instalado há cinquenta anos.” p. 281
“E vai protestando um pouco de indignação, um pouco de mágoa, um pouco de enfado diante do estendal de comércio das inúmeras lojinhas que, aos milhões, vendem medalhas, rosários, crucifixos, miniaturas do santuários, reproduções mínimas e máximas da Virgem.” Fátima, p 296
“Desta ponte não fará o viajante outro sermão aos peixes. O Almonda e um rio de águas mortas, vida, nele, só a da podridão.” Leiria, p. 315
“O Convento de Mafra é grande. Grande é o Convento de Mafra. De Mafra é grande o convento. São três maneiras de dizer, podiam Er algumas mais, e todas se podem resumir desta maneira simples: o Convento de marfar é grande.” p. 354
“Aqui encontraria o viajante uma sugestão para Gaudi se não fosse mais exato terem bebido nas mesmas fontes exóticas o grande arquiteto catalão e o engenheiro militar alemão Von Eschwege, que veio à Pena por mando doutro alemão, D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, dar corpo a delírios românticos muito do gosto germânico. Castelo Pena, Sintra, p. 360.
“Tem o museu milhares de peças de que o viajante não falará.” Museu de Arqueologia e Etnografia, Lisboa. p. 369
“Bem fez em ter usado linguagem marinheira. Aqui mesmo à entrada está, à mão esquerda, Vasco da Gama, que descobriu o caminho para chegar à Índia, e, à direita, a jacente estátua de Luís de Camões, que descobriu o caminho para chegar a Portugal.” Mosteiro de Jerónimo, p. 370.
“...por gosto mórbido ou franciscano mortificação da carne, vá à Capela dos Ossos, se pelo contrário não lhe parecer, como parece, que roça a obscenidade aquele ordenamento arquitetural de restos humanos, tantos que acabam por perder significado sensível.” p. 441
“O Museu de Beja é regional e faz muito bem em não quere ser mais do que isso.” p. 454
“A vocação do turista no Algarve é claramente concentracionária.” p. 485
“ primeiro havia os Lusitanos, vieram os Romanos, depois os Visigodos e os Árabes, mas, como era preciso haver um país chamado Portugal, apareceu o conde D. Henrique...” p. 487
“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam... É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.” P. 492-3