Pondé evoca Nelson Rodrigues para traduzir as mazelas do cotidiano. Neste livro, Luiz Felipe Pondé reúne reflexões e provocações sobre a condição humana e os diversos tipos sociais. Inspirado na obra de Nelson Rodrigues, toma como fio condutor a adúltera, o arquétipo representativo da tragédia humana. Em capítulos curtos, ácidos e bem-humorados, o autor discorre não apenas sobre o cotidiano, mas também - e principalmente - sobre aquilo que escorre pelo ralo. O cotidiano do qual fala Nelson Rodrigues, do qual não queremos saber. Aquele que colocamos embaixo do tapete, ou no quartinho dos fundos. Nesse cenário, ninguém escapa. Nem você, leitor ou leitora, que certamente odiará este livro do começo ao fim. É inevitável, mas preciso. Como nos provoca Pondé, 'só uma filosofia selvagem se dá ao luxo de dizer a vida como ela é'.
Pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
Pra quem está acostumado com o estilo do Pondé, é mais do mesmo: aforismos mais ou menos relacionados, tendo como tema geral a obra e "filosofia" de Nelson Rodrigues. São várias cutucadas com relação aos costumes e hipocrisias da sociedade moderna, em especial com relação à esquerda, aos intelectuais, ao "pessoal do bem".
Ele repete um pouco o que já disse em outros livros (a palavra educada seria "revisita"), o que torna a leitura menos interessante pra quem já conhece o estilo do cara. Se tem alguma novidade, deve ser o fato de ele parecer estar pisando em menos ovos e descendo a letra mesmo, em especial com relação à praga esquerdista alojada na academia, no governo, e na mídia. Tem veneno de sobra pra eles.
O autor mergulha na essência da obra de Nelson Rodrigues para comprovar uma triste realidade: os dilemas rodrigueanos são mais atuais hoje do que nos anos 60. As feministas de Facebook, intelectuais festivos e outras espécies da fauna coletivista contemporânea seriam um prato cheio para o "Escritor Maldito".
O livro não é de fácil leitura. Mas Pondé é um frasista talentoso e traz alguns insights realmente muito interessantes.
Muito gostoso de ler. Pondé dá uma surra nas feministas e deixa claro a opressão que vive a mulher moderna que precisa o tempo todo fingir que é forte e independente em todos os sentidos. E alerta: quem tira vantagens disso é o homem sem caráter.
Gostei muito de "Marketing Existencial", que li mais cedo este ano e com grande frequência escuto o programa Linhas Cruzadas - com a excelente Thaís Oyama - como se fosse um podcast. Naturalmente, acabei adquirindo alguns outros livros do Pondé e decidi ler este agora, sem nem saber exatamente do que se tratava.
Parece realmente que a intenção de Pondé era fazer deste livro um verdadeiro compêndio de notas de rodapé para as crônicas e os textos jornalísticos de Nelson Rodrigues, mais ou menos como uma série de tweets fixados a cada texto postado. Com isso em mente, acredito que o livro atende seu objetivo, heheheh.
O tom mais direto e, posso até dizer, agressivo, pode assustar, agradar ou até ser indiferente, a depender do quão familiarizado o leitor está com o estilo do autor. Bem, a leitura me fez lembrar de um episódio recente de Linhas Cruzadas, sobre censura: Pondé diz que nunca se sentiu censurado, seja escrevendo artigos ou livros, seja falando em entrevistas ou programas do Youtube; porém, imagina que talvez devesse ter se autocensurado em alguma medida nos seus trabalhos escritos, não por achar que errou ao escrever, mas porque não teria valido a pena, não teria causado nenhuma mudança, nenhuma melhoria. Enfim, sinto que ele falava deste livro.
O livro é interessante, tem insights curiosos e está distribuído em capítulos curtos que facilitam a leitura. Dá para concluir em poucas horas e com passagens bastante divertidas. O tom, no entanto, pode ser bastante agressivo em alguns momento, sem necessidade. Não concordo com tudo que o autor coloca, mas a provocação vale a pena.
Infelizmente esse foi o conjunto de ensaios do Pondé que menos gostei, não é ruim, mas pra quem já leu muito do autor é a mesma narrativa e alguns pensamentos já recorrentes.