"(...) Este livro constitui uma primeira aproximação ao significado da pedagogia histórico-crítica. Isto porque está em curso o processo de elaboração desta corrente pedagógica, através da contribuição de diferentes estudiosos. De minha parte, venho dedicando-me a uma pesquisa de longo alcance que se desenvolve com ritmo variável e sem prazo para sua conclusão, por meio da qual se pretende rastrear o percurso da educação desde duas origens remotas, tendo como guia o conceito de 'modo de produção'. Trata-se de explicitar como as mudanças das formas de produção da existência humana foram gerando historicamente novas formas de educação, as quais, por sua vez, exerceram influxo sobre o processo de transformação do modo de produção correspondente. (...) Pretende-se, assim, revelar as bases sobre as quais se assenta a pedagogia histórico-crítica para viabilizar a configuração consistente do sistema educacional em seu conjunto do ponto de vista dessa concepção educacional."
Peça fundamental para a pedagogia histórico-crítica. Saviani aborda os contextos históricos e filosóficos utilizados para fundamentar sua teoria pedagógica, fortemente influenciada pelo materialismo histórico e pelo ideal marxista.
Importante para alunos de cursos de licenciatura que buscam se familiarizar com essa tendência pedagógica.
Há trechos repetitivos, visto que partes do livro são retirados de palestras e entrevistas, mas sempre há um acréscimo teórico aos temas que se repetem.
Esse livro estava na bibliografia de Didática e é excelente. O primeiro "fio condutor" do livro é um desentendimento entre dois orientandos do Saviani. Uma orientanda escreveu uma tese sobre a importância do "conhecimento técnico" para a formação dos professores. Recebeu uma réplica de um colega, que enxergava esse conhecimento técnico como elitista. Saviani então assume um papel de conciliador, apontando as similaridades no pensamento de ambos e esclarecendo os mal entendidos. Desde o início, compreendi o ponto de vista da primeira orientanda e senti certa impaciência com a crítica que ela recebeu. Concordo com Saviani: a competência técnica não é antagônica ao compromisso político, pelo contrário, é forma mediadora dele.
O que me deixou estupefata foi encontrar, em um livro de 1991, os mesmos debates com os quais convivo atualmente. Sabe aquelas briguinhas da Letras de "conhecimento x é coisa de burguês, prefiro ver netflix?" meu, tá tudo nesse livro. Novamente, concordo com Saviani, que diz que o saber apropriado pelas classes dominantes nem sempre será inerentemente dominante. Logo, esse saber não é nada descartável, e considerando-se os efeitos da incompetência técnica dos graduandos, é perigoso flertar com esse discurso de recusa do estudo. Aquele meu texto sobre inferioridade na universidade tá encharcado das coisas que li nesse livro, embora eu não o cite.
Outra alegria foi ver bem formulados, ali, alguns pensamentos aos quais eu me inclinava, embora não soubesse justificá-los tão bem. Por exemplo, quando ele diz que é possível afirmar a objetividade e negar a neutralidade ao mesmo tempo, pois embora todo conhecimento seja interessado, nem todo interesse impede o conhecimento objetivo.