Cadernos Ultramares seeks to present Brazilian culture and thought in a qualified way, through volumes bringing together important essays by renowned authors in different areas of knowledge. This volume features two fundamental essays by Sérgio Buarque de Holanda, one of the most important thinkers on the formation of the classic "O homem cordial" and "Um mito luso-brasileiro".
Na edição "Penguin e Companhia das Letras", tem alguns outros textos além do "Homem Cordial", que achei o único razoavelmente bom.
O "poder pessoal" tem algumas histórias políticas e as observações do autor, como questões do Império e da República.
"Poesia e crítica" é apenas de 5 páginas e não me chamou atenção.
No "Homem Cordial" já temos um texto mais maduro e interessante.
Fala bobagens na parte que quer descrever sua interpretação de um conflito de classes e exploração do trabalhador.
Reclama das "imposições" familiares opressoras, mas em parte tem ideias positivas, no sentido de adquirir um senso de responsabilidade após sair da aba dos pais.
Define que o homem cordial tem em sua vida social uma fuga de si mesmo, necessitando viver amparado nos outros. Lembra a observação de um inglês que disse que para fazer negócios com o brasileiro é necessário antes ser amigo dele.
Fala sobre o desrespeito no excesso de proximidade aos santos, como se fosse alguém muito próximo. Também nota a falta de empenho espiritual, conforme estrangeiros, por parte dos brasileiros, em sua devoção católica.
Inútil artigo "Botica da Natureza", sobre aplicações de partes de animais e plantas em doenças, em cada região e povos do Brasil. Sem interesse também no "Experiência e Fantasia"
A gente sempre escuta alguém falando "blábláblá o brasileiro não consegue separar o privado do público". Essa ideia é justamente abordada pelo "Homem Cordial", dentro do "Raízes do Brasil". O Estado não é uma extensão do círculo familiar - e essa confusão é tupiniquim por excelência. Sérgio Buarque de Holanda explica como e porque a família sempre forneceu o modelo de qualquer composição social entre nós (e essa intimidade forçada que parece intrínseca a qualquer relação interpessoal). Já faz mais de 80 anos que esse livro foi escrito, mas vejo que as pessoas ainda confundem as coisas. Não é que o brasileiro seja "malandro", ou que arranje um "jeitinho brasleiro", mas que o brasileiro saiba especialmente levar suas suas afinidades emotivas e aspirações pessoais pro campo que deveria ser público - e vê alguém que não faz isso como "frio" "fechado" ou "inacessível".
Coletânea de textos de Sérgio Buarque de que se salva apenas o capítulo do homem cordial que integra a obra Raízes do Brasil. Em o homem cordial, Buarque lê muito bem o brasileiro: dispõe de uma cultura civil que mistura os âmbitos público e privado por meio de relações personalistas. A sociedade é permeada de relações sociais com base nos afetos e emoções, empregando-se inclusive o diminutivo na linguagem para aproximar as relações de forma afetiva. Por fim, fala da aversão brasileira ao ritualismo e sua perda do formalismo diante da religiosidade.
Razoável - 2,5 O livro reune 5 ensaios de do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda (também conhecido com pai do Chico Buarque e primo do Aurélio Buarque de Holanda, é um dos intelectuais mais importantes do sec XX), selecionados por Lilia Schwarcz e apresentados em ordem cronológica, escritos entre as décadas de 30 e 50.
O ensaio "o homem cordial" é uma das mais importantes obras de meados do sex XX para compreender a formação da estrutura social brasileira, talvez ao lado de "os donos do poder" de Raymundo Faoro. O brasileiro, cordial (que utiliza a dualidade de cordialidade e de visceralidade - cordial derivado de 'cuore', que é a acepção dada no texto), com relações sociais baseadas em laços (muitas vezes sanguineos) e dessa relação entre família e estado. Dessa forma, também o patrimonialismo tão característico da estrutura social brasileira se apresenta.
A linguagem é um tanto truncada, junção da característica da época, além de serem textos de ensaios, com uma abordagem filosófica. Os textos são ensaios e exigem do leitor, além de atenção e leitura cuidadosa, também um nível prévio de bagagem de leituras e conceitos filosóficos, ante aos quais são desenvolvidos os argumentos reflexivos do autor, nos diferentes ensaios produzidos.