Revolução e Contra-Revolução – eis o binómio analisado neste importante acontecimento político e social de 1836. O processo contra-revolucionário inicia-se com efeito no mesmo instante em que a força popular, irreprimível, se torna triunfante. Desde que os meios repressivos não são mais capazes de suster o impulso revolucionário, a revolução não pode mais ser travada de fora para dentro, então passa a ser travada de dentro para fora. As forças conservadoras procuram logo fazer instalar representantes seus nos órgãos directivos da revolução a fim de conter o ímpeto popular, de assegurar os interesses ameaçados e de recuperara a ordem alterada.
VICTOR DE SÁ nasceu em Barcelos, a 14 de Outubro de 1921. Começou a trabalhar em Braga, no ramo livreiro, em 1941. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1959 e doutorou-se em História na Universidade de Paris em 1969. A partir de 1975 tornou-se professor universitário no Porto e em Braga, regendo na Faculdade de Letras da Universidade do Porto as cadeiras de História Contemporânea de Portugal e do Colonialismo e Descolonização. Foi o primeiro deputado à Assembleia da República eleito pelo PCP pelo círculo eleitoral de Braga, tendo desempenhado essa função entre 1980 e 1981, onde presidiu à Comissão Parlamentar de Cultura e Ambiente. Desenvolveu um trabalho pioneiro, que se veio a tornar de referência, no campo da historiografia da Época Contemporânea Portuguesa, fundamental para o conhecimento da génese e desenvolvimento do liberalismo em Portugal, bem como para a história do século XIX português. Faleceu a 31 de Dezembro de 2003, em Braga.