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Ensaios da Fundação #35

Sobre a Morte e o Morrer

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O presente texto ocupa-se principalmente com o processo de morrer e não tanto com o evento da morte. Assim, depois de uma breve revisão da história das concepções e atitudes perante a morte ao longo dos séculos, dá-se especial atenção ao actual modo de morrer em Portugal, com a transferência da morte no domicílio para a morte hospitalar. Os cuidados paliativos, a dor, perda e sofrimento, o testamento vital, o suicídio assistido e eutanásia, a espiritualidade, a fé e as noções da «arte de morrer» e da boa morte são temas abordados numa perspectiva de um olhar e de uma proposta pessoais.

76 pages, Paperback

First published May 1, 2013

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Walter Osswald

7 books1 follower

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Maria Ferreira.
227 reviews49 followers
June 18, 2018
Discute-se na praça pública a eutanásia e o suicídio assistido, tem sido assunto debatido com algum fervor, por isso atrevi-me a esta leitura para compreender melhor este fenómeno.

Sobre a Morte e o Morrer, Walter Osswald, professor catedrático e investigador aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto escreve um ensaio que nos explica o processo da morte desde os tempos mais longínquos, associado a pestes e guerras, em que o processo era visto como algo natural na espécie humana, que culminava com o fim do corpo, não da alma, comparando-o com o nosso tempo, em que morte é escondida, é negada, é contranatura, e para muitos, ateísta.

Refere Walter Osswald que se há um inegociável e universalmente válido direito há vida, também há um direito à boa morte, ou seja, uma morte em condições de dignidade e de compostura, sem sofrimento, aureolada de afeto.

Explica que a morte não pode ser a pedido: nem do próprio nem dos familiares. Nem do próprio porque segundo as estatísticas, a maioria dos doentes que solicitam a morte assistida, mesmo doentes em fases terminais, fazem-no por se encontrarem num grande sofrimento depressivo, que após recuperação, acabam por rejeitar a ideia. Nem a pedido de terceiros, sejam familiares próximos ou não, porque pode configurar crime. Para sustentar esta afirmação, Oswald socorreu-se dos malfadados médicos que eutanasiaram milhões de pessoas durante a II guerra mundial, primeiramente as crianças com deficiência, depois os adultos, os homossexuais e por fim os judeus. Sendo permitido legalmente.... “tudo poderá caber dentro da lei”.

É um livro pequeno, com uma escrita sensível, aborda o assunto sob o olhar médico, mas sem nunca descurar a ética, a moral, o sentimento do indivíduo por si mesmo e a sua perceção da morte:
“Importam-me muito algumas coisas e sobretudo algumas pessoas. Mas, se no dia em que morrer, que certamente já está próximo, tudo acabar, deixarei de me importar com essas coisas e essas pessoas, e então nada tem importância, nada tem última importância. Mas, e se não for assim? Se depois da morte continuarmos a viver? Então não acontecerá apenas que essas coisas e essas pessoas continuarão a ser importantes para mim, mas que também durante o tempo que estou neste mundo terei escolhido livremente quem pretendo ser, quem quero ser para sempre. E então, precisamente então, comprometi-me a ser para sempre (e não apenas para um tempo limitado) esse tal que quero ser, esse que me esforço por ser. É então que tudo, concretamente este mundo, tem verdadeira importância: porque estou a fazer, a querer, a dizer algo que é para sempre.” Julián Marías (pag. 75)

“A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer.” Stig Dagerman
Profile Image for Fátima Linhares.
959 reviews341 followers
February 28, 2019
Um ensaio bem escrito e explorado sobre um tema de que ninguém quer falar.
Profile Image for João Barradas.
275 reviews31 followers
November 24, 2017
Entre as cenas da evolução da humanidade, defendidas por Darwin, o marco que garantiu a humanização da espécie foi a empatia face ao outro que distingue a nossa de outras. O aprimoramento de tão altruísta relação tem o seu apogeu quando paradoxalmente a vida terrena chega ao fim e a mortalha da “Senhora da foice” no-la aconcehga, garantido um momento solene para o culto dos mortos feito pelos seres mais cientificamente avançados.
Um tema tão fundamental para o Homem que o acompanhou na Idade da pedra, o dizimou na Idade das Trevas, foi no entanto segregado para o excomunhão, assumindo nos dias de hoje o título de tabu secreto. Ridículo quando todas as noites, ao colocarmos a cabeça sobre a almofada, nos entregamos ao reino do Sono, o irmão da temida não dita. Sem receios mesquinhos, devemos entender que “a vida é certa e a morte o seu caminho obrigatório” pois, por muito que advoguemos o carpe diem, através do bom aproveitamento de todos e cada um dos dias que tocam a cada um nesta encenação, não podemos relegar para segundo plano o cavaleiro apocolíptico negro e esquelético que tem, agrilhoado ao seu pescoço uma tabuleta, com um “pensa em mim”, qual súplica.
Fruto dessa desinformação e omissão da sua discussão, assistimos ao escavar infinito da tumba da deturpação deste conceito, tão notório na transmutação do local onde ocorre da protecção e serenidade do lar para a sobrelotada azáfama hospitalar. Justificada pela falta de condições domiciliárias, a exaustão e a impotência, a escolha feita tem um paga não esperada mas com a factura feita: uns últimos momentos sozinho, entre cortinas brancas sem o acompanhamento pelos entes queridos. Tudo pelo simples facto das Moiras não tecerem bem o manto, o pallium, que consiga cobrir - e aliar - pessoas com doença (e não doentes pois a doença não define a vida de ninguém), cuidadores informais e profissionais de saúde.
A desmistificação do fim requer a alteração da perspectiva da sensação que nos define: o medo. Ele centra-se não no suspiro final mas em todo o rol de emoções negativas associadas, nomeadamente a dor em todas as suas dimensões - física, psicológica, social e espiritual, até ao conceito de “dor total”. Para além deste quinto sinal vital já mais abordado, também deve ser tido em conta o sofrimento não apenas da pessoa que sofre mas também todos os que a rodeiam como a pedra, que lançada ao charco, cria ondas cujos raios atingem as margens. E tais ondulações podem criar maremotos destrutivos com lutos patológicos que é preciso evitar e cimentar a sucessão saudável da angústia para a saudade e desta para a noção de privilégio de comunhão de momentos para sempre recordados.
O erro crasso surge quando se enraiza na mente em ebulição a ideia errónea de sobrecarga, cuja concepção leva à vontade de atingir a meta antes do tempo previsto, advogando uma autonomia total por uma decisão tão letal. E no turbilhão de ideias mal entendidas entre “suicídio assistido”, “eutanásia” e “distanásia” (que foi sorver um pouco da história às fundações do Holocausto), surge não a razão para uma morte mas a morte de um razão. Contrariamente, ao nascer para viver, o Homem augura atingir a imortalidade, como as linhas celulares incubadas em vários desses laboratórios, e uma compreensão pelo transcendente, o além mundo. Se a física poderá estar ainda a um par de anos de distância, a mental, como recordação de todos aqueles com quem nos cruzamos, está mais que estabelecida.
Como ninguém fica para testemunha, percepcionemos apenas que se toda a gente morre, ninguém será mais que ninguém e mais ou menos lentamente o fio da vida será cortado… sem esquecer que uma morte feliz, com dignidade, é superior a uma vida infeliz. Assim, neste processo de degradação, resta agradecer o título de curador da vida, um papel que nos inclui a nós e todas as nossas circunstâncias, cuja duração de actuação será ditada pelos compassos do Maestro.
Profile Image for Luís.
2,398 reviews1,416 followers
August 20, 2020
Unfortunately, it is still present, in a natural way, in the majority of health professionals, that we must "cure" all patients and for us, the fact that we fail is a "failure" that is difficult to admit.

Palliative care is the "active response to problems arising from a prolonged, incurable and progressive disease, in an attempt to prevent the suffering that it generates and to provide the maximum possible quality of life for these patients and their families" (Portuguese Association of Palliative Care ).

I could not fail to emphasize that as professionals, we have to take care of the patient entirely (see the patient as a whole)—this way of directly caring linked to the method of treating the patient with humanization.

Be it the physical or psychological condition you are going through. The patient has his rights, duties and desires that must be evaluated by a truly multidisciplinary team that puts himself in the patient's shoes.

There are still many myths and false definitions of palliative care, palliative care is not terminal care, it does not only serve to reduce pain and much less are places where death expected.

Palliative care is probably the best example of humanizing care; they are provided by properly trained and attentive professionals who act preventively in the various symptoms that the patient presents. They perform this care without ever forgetting caregivers and family members, involving them in the care delivery team.

To humanize is to become human, and that should always be the motto for the provision of care, and our attention should be direct to the patient and not just the Disease.

In palliative care, if there is no humanization, they probably are not in its definition.

Source: https://www.atlasdasaude.pt/artigos/i...
Profile Image for Pipa.
31 reviews4 followers
October 18, 2020
Hoje em dia 60% das mortes acontecem em ambiente hospitalar.
"Morre mal o paciente que morre sozinho, ocultado dos companheiros de enfermaria por biombos ou retirado para uma sala de pensos; morreu mal aquele em que retiraram o suporte respiratório horas depois de ter ocorrido a morte; morre mal a pessoa que não teve a companhia de familiares, amigos ou companheiros de trabalho ou o conforto dos ritos da sua religião."

Nunca como agora houve tanta necessidade de mais e melhores Cuidados Paliativos, de forma a não cair no "erro trágico de recorrer a medidas desproporcionais, tentando desesperadamente e a elevado custo atrasar uma morte inevitável, nem se recorra à eutanásia, paradoxalmente matando quem vai morrer."
Porque DEIXAR MORRER, NÃO É MATAR!
Profile Image for Rita Brás.
9 reviews2 followers
February 4, 2021
Pequeno resumo dos debates em torno da morte na parte introdutória, dedicando-se depois ao processo de morrer. Perspectiva médica, mais próxima das ciências naturais, com debates em torno da bioética. Por isso, a discussão do cuidado centra-se mais nos/as profissionais de saúde e menos nos/as cuidadores informais e familiares. A leitura vai fazendo saber a posição do autor contra a legalização da eutanásia. Interessante pelas referências ao tratamento da morte na arte e na literatura e pelo exercício de sistematização.
Profile Image for Armando Mendonça.
57 reviews7 followers
July 24, 2019
quando parecia que estava perante uma opinião racional e isenta, os últimos capítulos, com a polarização do tema, apresentaram uma opinião absolutamente irracional e dogmática ao pretender que se proceda conforme a fé de uns, obliterando totalmente a opinião de outros, bastantes, chegando à ofensa ideológica dos que não “assinam” a sua fé, seja lá isso o que for.
é, em resumo, uma boa publicidade das clínicas e empresas que se fazem pagar muito bem, para manter em estado vegetativo ad eternum seres, outrora conscientes, mas cujos processos biológicos estão irremediavelmente degradados, com um final absolutamente previsível e irremediável.
Profile Image for Maria Silva.
246 reviews2 followers
July 2, 2017
A eutanásia é sempre matéria que nos faz pensar na forma como desejaríamos morrer, mas como diz o autor: que a morte aconteça quando o momento chegue, uma vez que se morre pouco todos os dias.
Neste livro temos uma rápida análise da morte e do morrer e do que ele chama uma boa morte. Ainda será matéria de debate pois as opiniões diferem de acordo com as experiências que cada um tem.
No geral é uma boa leitura, mas não é suficiente para um tema tão delicado.
Profile Image for Ana.
3 reviews
November 15, 2017
Um dos pais portugueses da bioética. Linguagem acessível e visão compreensiva do tema.
Fácil para leigos. Muito útil para profissionais e estudantes da àrea da saúde e cuidadores em geral.
Recomendo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Rita Moura de Oliveira.
416 reviews34 followers
May 18, 2018
Apesar do nome alemão, o autor deste livro é bem português, nascido no Porto em 1928. Walter Ossald é médico e especialista em Bioética, reconhecido pelo seu humanismo.

Neste livro, aborda-se sobretudo os modos de morrer nos nossos dias, a morte solitária e assética, muitas vezes em contexto hospitalar, a morte que muita gente não quer reconhecer como inevitável. Fala-se de suicídio assistido, de cuidados paliativos, de eutanásia, de distanásia (prolongamento forçado da vida), de fé e espiritualidade, do testamento vital. Tudo de uma forma muito clara e objetiva, acessível a qualquer pessoa minimamente interessada no assunto.

Uma leitura muito enriquecedora até para quem, como eu, quase se recusa a aceitar a inevitabilidade da morte.
Displaying 1 - 10 of 10 reviews

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