O professor do Insper, Diego Werneck, se tornou um dos maiores analistas acadêmicos do STF no Brasil. Esse livro resume vários dos achados da ciência política e jurídica sobre a politização do Tribunal e os superpoderes ilimitados dos ministros. Em resumo, Werneck explica que:
1) Os ministros fazem o que querem: "Moraes tirou do ar o site de um veículo jornalístico, suspendeu perfis de pessoas em redes sociais, determinou que o Executivo não poderia alterar a composição de certas equipes da Polícia Federal, suspendeu políticos de seus cargos, autorizou operações policiais sem ouvir previamente o MP e determinou a abertura de novos inquéritos mesmo quando o MP pedia o arquivamento" (pp. 30-31).
2) A atuação dos ministros do STF não pode ser compatibilizada com a doutrina clássica de Estado de Direito e democracia: "sem dupla barreira - o legislador não pode ser juiz e o juiz não pode ser legislador - a própria ideia de Estado de Direito deixa de fazer sentido" (p. 33).
3) O STF é uma instituição fundamental para a democracia, mas "disfunções de desenho [institucional] e de comportamento de seus integrantes vêm erodindo aos poucos sua legitimidade enquanto Tribunal" (p. 51).
4) O problema da "ministrocracia": os ministros têm, individualmente, superpoderes para "decidirem sozinhos questões profundamente importantes, juridicamente controversas e de alto impacto político sem controle relevante por parte de seus colegas" (p. 146-47).
5) O controle da pauta e do tempo: os ministros escolhem se, o quê e quando querem julgar alguma questão. Por meio do controle das pautas de julgamento e do tempo - através de pedidos de vista -, os ministros individuais "têm prerrogativas para intervir na política fora do Tribunal, sem controle prévio efetivo pelos colegiados da instituição" (p. 194).
6) A alta exposição midiática dos ministros: em nenhuma democracia sólida, juízes da Suprema Corte se expõem como no caso brasileiro. Por meio de opiniões individuais, informais e até ilegais (contrárias à Lei Orgânica da Magistratura Nacional), os ministros "estão acima de qualquer controle" (p. 224).
11 monarcas.