«A Origem, publicada primeiramente em 1958, narra a história de um solar do norte, isolado e misterioso, onde se encadeiam três gerações e se cruzam as presenças de vivos e mortos. Dividido em quatro sequências, «A Casa», «O Amor», «A Morte» e «O Encontro com Deus», neste romance desvendam-se personagens tempestuosas, ambientes densos e apaixonados que passam também a habitar-nos. Graça Pina de Morais, cujas obras a Antígona tem vindo a editar, ousa aqui uma escrita violenta, arrebatadora, mas sempre actual, que se relê com emoção renovada.»
Graça Pina de Morais (1929-1992) nasceu no Porto e passou a infância no Douro e em França. Formou-se em Medicina em 1951, profissão que exerceu durante largos anos. Inicia-se na escrita em 1955, sob o pseudónimo de Bárbara Gomes, com a publicação de duas novelas: Semi-Deuses e Sala de Aula, seguidas de O Pobre de Santiago (contos). Afirma-se como romancista em 1958 com A Origem (Antígona, 1991), tendo também publicado Na Luz do Fim (contos, 1951), O Medo e Raquel (teatro, 1964) e Jerónimo e Eulália (Antígona, 2000), que mereceu em 1969 o Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências – considerada a melhor obra de ficção do ano – e o Grande Prémio Nacional de Novelística.
ATENÇÃO: este livro contém cena mau trato a um cão, páginas 217/218, Antígona
De onde somos é o que nos define? Existem várias maneiras de definir as nossas origens, e para Graça Pina de Morais, isso é feito através da identidade, valores e tradições que moldam as personagens, bem como a sua conexão com a terra, a espiritualidade e o lar ancestral. Versos de António Nobre servem de epígrafe a este romance que imediatamente me preparou para um tom reflexivo e introspectivo de profunda carga emocional. Há um toque de Dostoiévski na sua escrita, e uma breve menção aos Irmãos Karamazov; a autora, sendo médica, enriquece a obra com múltiplas camadas psicológicas e informações sobre a tuberculose, o suicídio e a saúde mental, sem nunca esquecer a tradição literária portuguesa.
Uma saga familiar situada numa Casa - com a palavra casa sempre iniciada por letra maiúscula como que personificada- na região do Douro. A Casa, assim como as três gerações da família, é também uma personagem. Uma história de amor intenso e ilimitado que transcende espaço, tempo, ausências, conflitos, ciúmes, mortes e outros acontecimentos violentos. Uma família de segredos, desgostos secretos que não revela, solitária de densidade existencial e transcendente e temperamento exaltado e místico.
Existe uma distinção evidente entre personagens masculinas e femininas. As femininas possuem uma profundidade emocional e uma conexão íntima com a Casa e a terra, preservando tradições e valores familiares como guardiãs da espiritualidade e da memória dos antepassados. Por outro lado, as personagens masculinas muitas vezes encontram-se em conflito com estas tradições, desafiando expectativas sociais e pessoais, o que confere tensão e complexidade à história.. A religião e o misticismo também desempenham um papel crucial na narrativa, influenciando as crenças e as acções das personagens. A leitura é algo deprimente, pois a autora expõe o lado mais doloroso da existência humana, o que cria uma atmosfera melancólica e introspectiva. Além disso, os segredos e desgostos que permeiam a saga familiar, bem como os conflitos e as perdas, contribuem para um tom geral de tristeza, reflexão profunda e até onírica mas sempre de amor.
Citação:«Os seres humanos são sujeitos, com frequência, a quebras na unidade do seu espírito.»
It is a book with dark spaces and characters who dive into the designs of existence, always bordering on madness. A writer who someone forgot and for no reason. Some of her books could be reprinted as they are almost impossible to find.
Adorei! Que maravilha de livro. É uma pena que poucos conheçam e leiam Graça Pina de Morais. Pois se até eu só a li agora! A história concentra-se nas emoções, muitas vezes escondidas ou mal compreendidas, de três gerações de uma mesma família. As personagens são tão ricas que é como se existissem. Com temperamentos diametralmente opostos, estes familiares partilham um destino comum em que a racionalidade convive, nem sempre de forma harmoniosa, com o sentimentalismo e em que o bom senso se cruza com a violência e com a loucura. O final é particularmente bem conseguido. Recomendo!
4.5 ⭐️ Com uma escrita rica, intensa e envolvente, este livro presenteia-nos com uma história de família muito bem contada, com personagens bem construídas nos seus traços de personalidade e distintas nas suas atitudes, sentimentos e relacionamentos. Recomendo!
”A Origem” é um livro indispensável para quem “acredita” no poder das palavras; para quem “acredita” que ainda existem tesouros escondidos - este tem mais de cinquenta e oito anos – na literatura portuguesa… ”A Origem” é um romance com personagens inesquecíveis e cenários deslumbrantes; numa narrativa primorosa, dominada pela paixão e pelo amor, por dúvidas e interrogações intemporais, pelo misticismo e pelos contrastes abruptos e inexplicáveis, pelas crenças religiosas e pelas crises existenciais, onde o ódio e a morte perpassam, acabando por subjugar os relacionamentos e as emoções. ”A Origem” é um livro para quem “gosta” de ler e de literatura – portuguesa - de excelência…
"Leonardo nunca se surpreendera a pensar em si mesmo, nunca avaliara as suas próprias qualidades, não sabia se era bom, se era mau. Absolutamente destituído de egoísmo, humilde partícula no meio da multidão infinita dos homens que povoam o mundo, deixava com simplicidade que a sua existência decorresse, até que esta se extinguisse, como o mais banal dos factos. Amava a vida mas não temia a morte: o medo era um sentimento estranho ao avô Leonardo." (Pág. 12)
"A raiz do seu ser era constituída por um misticismo ardente e telúrico." (Pág. 13)
"O ser humano é sujeito, por vezes, a sensações de pavor e angústia que surgem momentâneas e lancinantes, não por um facto real que deveras aterrorize, mas por algo de irreal que não pode discernir, nem concretizar." (Pág. 24)"
"O homem ama apaixonadamente a vida mas a morte vive na sua alma, vai corroendo-o insensivelmente, aos poucos, aniquila-o ao longo dos meses e dos anos, rouba-lhe através do tempo a força e a juventude. O ser humano, pequeno deus orgulhoso, sem imortalidade, sente esta lenta espoliação; sobre ele cai a ansiedade, o sentido da falta de significado da existência. É como o condenado à morte aspirando ansioso que a sentença seja cumprida: prefere entregar-se à morte, de uma só vez. Isto não é mais do que a demonstração de um amor apaixonado pela vida e por si mesmo." (Pág. 54)
"Os homens, cansados de olhar a vida, esgotados de contemplar a monotonia das reacções humanas, queriam criar formas novas; não as conseguindo concretizar, mergulhavam num mundo indistinto, caótico, onde todos os valores se confundiam. O que era o Bem, o que era o Mal? Onde estava a Beleza ou a Fealdade? Não havia caminho a seguir apenas luzes fugazes iluminavam encruzilhadas indistintas e tortuosas. Um gérmen de angustiante loucura grassava nas almas humanas que tinham nascido com o destino de pensar. É necessário acreditar no valor absoluto de alguma coisa para empreender uma caminhada, e o valor absoluto das ideias e dos sentimentos era uma divindade caída." (Pág. 96)
"João olhava Maria Clara quase com ódio: "As mulheres são todas as mesmas! Gostam de explorar os sentimentos dos outros e armam uma tragédia sem razão nenhuma."" (Pág. 172)
Temos A Casa, quase um personagem em si, com uma aura de mistério. Habitada primeiro por Leonardo e a sua mulher, Maria da Anunciação e pelos filhos ainda jovens do casal, Moisés, Maria da Soledade, Maria Clara e Constança. Depois chega lá uma menina, a Andorinha, que se envolve com Moisés e desse envolvimento resulta João.
Após a morte dos pais os filhos ficam na casa. Estes filhos têm uma aura muito própria, mas todos gravitam à volta de Maria Clara, a irmã mais bonita "que tinha não sei quê de estático, intocável e majestoso". O irmão Moisés adora a irmã e tem por ela uma extremosa adoração, adoração essa que também é partilhada pelo seu filho João.
Não conhecia de todo a obra de Graça Pina de morais, mas posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com esta Origem. As personagens e a escrita envolveram-me de uma maneira que não estava à espera.
"Sabes? Parece que gosto de ti, rapaz! - E baixou a cabeça, tomado do estranho pudor que sempre o possuíra quando confessava um amor verdadeiro! - Ela morreu e deixou-me de herança este amor! Mais valera que não deixasse nada! Para quê? Sim, para quê?! Depois da morte dela qual é a criatura humana que me pode fazer falta? Gostar de alguém só serve para me incomodar. Dela, era diferente: era a paz, a luz... Os outros, tu... que me importa a mim que te vás embora...?!"
Uma saga familiar parecida a tantas outras que inundam a literatura... Mas é a rica construção psicológica das personagens que torna este livro cativante. Uma galeria de personagens, cada uma com o seu carácter pincelado a cores de protagonista. Uma narrativa omnipresente que nos leva a desenvolver uma proximidade única com cada uma dessas personagens.
“O seu amor à terra não era o do camponês esperto, ganancioso, vigilante das culturas na mira do lucro. Era o amor que se tem pelas obras de arte, aquele em que, para além do que se vê, há uma vibração de alma de natureza ignorada, um halo de encantamento. (...) Quantas vezes, de madrugada, ao abrir a porta de casa, antes de se juntar aos seus homens para o trabalho - sempre trabalhara no meio dos seus homens -, tinha o desejo de se pôr de joelhos, em agradecimento àquele primeiro olhar lançado sobre a terra!”
A Origem, da Graça Pina de Morais, entrou direta para a minha lista de favoritos. Esta fabulosa escritora teve uma obra curta, mas muito premiada nos anos 50 e 60. Estranhamente, é, hoje, pouco divulgada e os seus livros difíceis de encontrar. Esta história de uma família disfuncional, repleta de fabulosos personagens, cobre, ao longo de três gerações, a vida e a morte da prole do velho Leonardo, patriarca de um mundo fechado na sua casa do Douro. Douro que nunca é nomeado e só no fim do livro confirmado. É uma fantástica análise da natureza humana cheia de reflexões brilhantes e citáveis. Procurem a Origem, encomendem, peçam emprestado, roubem. Vale a pena. A minha vai agora para a prateleira, para o meio do Saramago, do Eça, do Camilo e do Aquilino, que é o seu lugar.
“A Origem” é considerado um dos livros mais ingratamente esquecidos da nossa literatura, escrito em 1958 pela médica cardiologista e escritora, Graça Pina de Morais, foi reeditado pela Antígona em 1991 e desde então mantido em publicação pela editora de Luis Oliveira. Nas linhas que se seguem procurarei dar conta da importância do livro e também de algumas das suas potenciais fragilidades.
Para os interessados peço que leiam o resto da resenha no blog, contem várias imagens e referências relevantes para a compreensão do texto que não consigo transpor para aqui sem algum trabalho adicional: https://virtual-illusion.blogspot.com...
De vez em quando, aprecio ler um romance criativo e original (?). Daqueles em que abundam as gigajogas: muita ou pouca pontuação; parágrafos fora do sítio, para dar uma melhor ilusão de poesia; palavras que impõem a consulta do dicionário; apenas com uma ou duas personagens à deriva nos seus conflitos interiores; e por aí... Mas do que gosto mesmo é de romances com uma escrita simples, obedecendo às regras gramaticais; com uma boa história, de preferência sagas familiares; com muitas e consistentes personagens, que me põem alegre ou triste, consoante riam ou chorem, e me deixam saudades quando me despeço delas. Como A Origem...
Este livro relativamente desconhecido (pelo menos para mim era desconhecido) é, afinal, uma pérola que merece ser lida por todos. Não sei dizer se é uma obra-prima, uma espécie de "Monte dos Vendavais" à portuguesa ou qualquer outra coisa. Só sei que nunca mais esquecerei o Leonardo, o Moisés, a Maria Clara, o João Vasco e a Catinha, a Andorinha e até a Ana Joaquina. Este romance que ficou aparentemente esquecido merece ser lembrado.
Uma obra totalmente desconhecida, encontrada por acaso. Acabou por revelar-se uma grande supresa. A escrita simbólica de Graça Morais lembra-nos uma obra de Agustina Bessa Luís ou a obra "Gente feliz com lágrimas " de João de Melo.
Moisés, Ana Joaquina são o espírito malvado da narrativa. As irmãs Constança e Maria Clara são almas bondosas incapazes de prejudicar o outro. João é filho de Moisés, apesar de tentar agir pelo bem, a sua vida caminha para a condenação.
"A origem" pincela-se por "quadros de emoções " de representações da casa, do amor, da morte e de Deus. A narração irregular demonstra a angústia de uma geração traumatizada pela guerra.
Estilísticamente interessante, ainda que sem rasgo. Muito curiosa a utilização da "Casa" como pilar narrativo e alicerce da existência terrena e espiritual das personagens. Achei a primeira parte muito cativante, mas a progressiva tónica na espiritualidade e na introspecção das personagens - que vivem quase completamente alheadas do mundo que as rodeia, diga-se de passagem - transformou o resto da leitura num exercício algo enfadonho.
Graça Pina de Morais é uma escritora portuguesa caída no esquecimento. Ao ler este livro não consigo perceber como a sua escrita deixou de ser lida. A Origem leva-nos ao encontro de três gerações de uma mesma família, fechada em si mesma, vivendo na casa e terras que a circundam. É uma narrativa belíssima, com uma escrita com detalhes panteístas que se combinam com uma narrativa claustrofóbica, que deixa uma impressão indelével em quem lê. Leonardo, a mulher, os filhos e o neto João perpassam pelas páginas da obra, mostrando-nos o seu interior turbulento, feito de sonhos que não chegam a viver ou sequer a conhecer, de esperanças que não existem e de uma conformidade com uma ordem superior da vida que suspeitamos que levam como certeza gravada dentro de cada um. O extraordinário no talento da escritora é a forma como, pouco revelando da intimidade de cada personagem, constrói um retrato preciso de cada uma delas. Um escrita que me recordou Agustina Bessa Luís e Miguel Torga e que merecia seguramente mais destaque nas letras nacionais.
É difícil ler este livro sem pensar em Agustina Bessa Luís e n'A Sibila, publicado poucos anos antes. As paisagens durienses são próximas, o carácter telúrico é semelhante, a narrativa que segue as famílias ao longo de gerações é semelhante e há um personagem não humano sempre presente: a casa de família. Mas Graça Pina de Morais consegue, em não raros momentos, ir mais fundo na procura do âmago da alma humana.
Em A Origem, a A Casa, assim, em maiúsculas, é um personagem maior, centro e âncora de toda a história. Mesmo quando a autora nos quer levar para fora, para as trincheiras da Flandres e da batalha de 9 de abril, fá-lo de modo muito ligeiro e sem detalhes, quase como se de uma obrigação se tratasse. O que lhe interessa é o interior: da Casa, dos personagens. E, oh, que tragicamente desesperados são todos os personagens.
A sesnsação de clausura n'A Casa pode complicar por momentos a leitura do livro mas o renovar das gerações e um ou dois momentos chave da narrativa voltam a trazer-nos para o meio da família. A segunda parte do livro, com a chegada de João Vasco, parece-me ser a mais conseguida, pelo seu desassombro e pelo modo como vamos assistindo à construção da sua personalidade desde a nascença até ao fim da narrativa.
Estava a espera de mais conteúdo na A Origem de Graca Pina de Morais; nao dúvido da arte de escrever da autora, porém o livro apesar da ambicao do romance afinal é constrangedor pois faz um retracto social muito seco e ao gosto do regime salazarista, e quando se confronta a obra com outros livros da mesma época, é um livro normalíssimo. Nao tem nada de especial. Por isso mesmo lhe dei uma estrela.
"… junto ao tanque, crescia uma robusta araucária verde-escuro, onde centenas de pássaros faziam os seus ninhos: ao fim da tarde, vinham em revoadas e mergulhavam na árvore; dela saía então um gorjear contínuo, que a certas horas se tornava quase estridente, de uma estridência que não feria, mas apaziguava."
Primeira página e senti imediata conexão! Tenho o privilégio de acordar com estes sons (não só, mas também). Que escrita refinada ... (Marta, és uma "influencer" 😁😍!)
Agradeço igualmente à Celeste o alerta que colocou na sua resenha, porque, sinceramente, preferi não ler a cena de maus tratos ao cão (págs. 217/218 - Antígona).
Graça Pina de Morais denuncia de forma implacável a hipocrisia do ambiente social e familiar com a compreensão instintiva da grandeza e da miséria da condição humana.
Todas as personagens são tão ricas, tão intensas, díspares e complexas que estou em crer, se tornarão inesquecíveis para mim: o magnânimo Leonardo, o dissimulado Moisés, o enigmático João, o fiel Saul, o empático Dr. Eduardo; a generosa Constança, a magnética Maria Clara, a inocente Maria da Soledade, a inconformada Maria da Anunciação, a submissa Catinha, a alegre Andorinha e a rústica Ana Joaquina. Se bem que, que é um adjectivo para cada um destes indivíduos? Pouquíssimo na verdade.
"O seu amor à terra não era o do camponês esperto, ganancioso, vigilante das culturas na mira do lucro. Era o amor que se tem pelas obras de arte, aquele em que, para além do que se vê, há uma vibração de alma de natureza ignorada, um halo de encantamento." Pág. 10
Uma saga familiar engenhosa, lúgubre, numa escrita assertiva, lúcida, inclemente, cruel até, mas deixa espaço para nos enternecer com a beleza do mundo. A par de uma profusa (arriscaria dizer) imiscuidade entre religião e misticismo. E a Casa! Pois a Casa respira, tem alma.
Um boa surpresa, não compreendo a falta de divulgação do mesmo ou da autora. Muito bem escrito, por vezes fez-me lembrar Augustina Bessa Luís, não só pela prosa, mas também pelos ambientes descritos (apesar de mais fácil e agradável leitura, contudo menos complexo). Destaco: crítica á primeira Grande Guerra; aos estados emocionais complexos das personagens e sua descrição. Concordo plenamente no que diz Fátima Maldonado no posfácio do livro " A Origem poderosa máquina de silêncio, não fornece esclarecimentos nem acrescenta clarificações. Apenas nos expõe á mira da alma contribuindo assim para que ela se nos torne ainda mais estranha." Um grande livro!
A vida, a morte, o tempo, as nebulosas escolhas e acasos do ténue fio existencial inerente ao ser humano... A maldita e apaixonante condição humana. Eis do que trata este maravilhoso livro da para mim totalmente desconhecida Graça Pina de Morais (Editora Antígona uma vez mais no seu melhor). Uma obra onde praticamente todas as personagens nos enraivecem e enternecem simultaneamente, tão reais, tão próximas, tão humanas.
uma "trama geracional" passada no portugal rural e escrita por uma autora portuguesa na década de 50, na minha cabeça, tinha tudo para dar certo (ignorando as limitações que, certamente, lhe seriam impostas). contudo, termino esta obra sem saber onde ela quer chegar e o que retirar dela
Vale pelas personagens , muito densas e ambivalentes, numa constante interrogação sobre o mistério da existência humana… onde cada um de nos se pode rever !
A personalidade das mulheres me fascinaram e foi a única razão de ter ido tão longe no livro, de resto não percebi muito bem aonde ia o propósito do livro e não me motivou a terminar.