vão-me ouvir muitas vezes começar textos desta forma, mas a verdade é que quando vim de marrocos precisei de continuar por lá. tahar ben jelloun foi um dos primeiros autores que encontrei traduzido para o português, apesar de o podermos considerar franco-marroquino. o seu livro foi, também, o primeiro que risquei da minha wishlist (obrigada @tradestoriespt).
“o primeiro amor é sempre o último” – maravilhoso título vindo de um dos contos em que mais apreciei a escrita do autor – é um livro de contos curto e seria a exploração de um formato que ainda não me diz muito, mas, também, a revisita a um país e a costumes que sinto a necessidade de desbravar.
gostei do livro no geral. alguns contos preencheram-me mais que outros, em alguns fui apreciando a escrita bonita do autor, em ou outros as temáticas que abordava. fez-me questionar algumas coisas, preconceitos ou não, sobre a cultura árabe e muçulmana, e levou-me a conversas que me permitiram desconstruir algumas ideias.
o autor pareceu-me interessado em revelar as falhas de uma cultura sem receios. fala-nos sobre a condição feminina tendo em conta a desigualdade e expectativas sociais. fala-nos do conflito entre tradição e modernidade no que diz respeito ao impacto das questões culturais e sociais nas relações amorosas. fala-nos de amor, paixão, desejo e erotismo como parte essencial da condição humana, mas também do seu lado menos bom: o desencanto amoroso, amores fracassados, traições.
este é um livro cheio de simbolismos e ironia, onde está presente uma sensualidade e introspeção que remete à obra “mil e uma noites”, em qual o autor se inspira, e me fez ter ainda mais vontade de a ler.
após a leitura tive a necessidade de ouvir entrevistas do autor. simpatizei com ele e com as suas ideias. é flexível, atento ao mundo e às suas necessidades. se não fosse ter gostado do livro, isso seria motivo suficiente para querer voltar a lê-lo. e li 🙃