Maria Adelaide Amaral já era dramaturga e havia recebido três prêmios Molière quando estreou como romancista com Luísa (quase uma história de amor). Sucesso imediato de público e crítica, o livro foi vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance de 1986 e consolidou a autora como sagaz observadora dos anseios, desventuras e inquietações de toda uma geração, que migrou da juventude para a maturidade nas décadas de 1960 e 1970.
Na obra, Maria Adelaide retoma a personagem Luísa (da peça De braços abertos, encenada em 1984) para construir uma “quase” história de amor contada a partir do ponto de vista de cinco outros personagens. A trama propõe uma espécie de quebra-cabeça no qual o perfil de Luísa vai se construindo (e desconstruindo) aos poucos à medida que se desenvolvem os relatos das interações da personagem-título com cada narrador do romance: o melhor amigo, a melhor amiga, o apaixonado platônico, o marido, o amante.
A essas visões parciais, ora complementares, ora divergentes, são acrescidos fragmentos de informação, como bilhetes pessoais e anotações dispersas na agenda da própria Luísa. Nada, porém, dá conta de revelar por completo esse “personagem ausente”. Como frisou Caio Fernando Abreu no texto de apresentação do livro, Luísa (quase uma história de amor) é “mais literário ainda pelo que deixa em suspenso: buracos, ausências, incompletudes que só o leitor poderia completar”.
Que livro incrível! Que personagem incrível! Se formos analisar com calma, cada uma das pessoas de nossas vidas podem ter uma visão diferente de nós. Elas podem convergir em muitos pontos, mas discordarão em muito mais. A parte final com os bilhetes, cartas e anotações da própria Luísa nos mostra um pouco mais de como ela é sobre a própria visão, mas jamis saberemos quem é/foi Luísa.
A história de Luísa é contada na perspectiva de outras 5 pessoas. Apesar de ser a protagonista, só ficamos sabendo quem é ela pela visão dessas pessoas. Na verdade, conhecemos 5 faces da Luísa.
Muito interessante a forma como a história foi contada. Mas não achei o enredo espetacular.
O texto é simples. É um livro de leitura rápida, ideal praqueles momentos em que você não quer uma leitura densa.
Romance cubista premiado com o Jabuti nos anos 80, indicado por Isabella Lubrano. A nova edição da editora Instante “inclui uma nota inédita da autora para os leitores e uma apresentação escrita por Caio Fernando Abreu” (divulgação)
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“Luísa” prueba algunas cosas: • Siempre el cómo se cuenta es más importante que el qué se cuenta. • Novela polifóninca no falla. • Todo es mucho más lindo, sonoro y poético si está escrito en portugués. Eu gostei muito.
tava morrendo de vontade de ler esse há um tempo (literalmente procurei o epub dele pra ler, mas não gostei da versão que baixei) e acabei encontrando a versão física num sebo de são paulo. não achei o disco que queria mas achei o livro. muito bom ❤️❤️
Afinal, quem é Luisa? Narrada sob múltiplos números de vista, cada narrador tem uma visão diferente de quem seja esta mulher, mas uma coisa acho que fica claro: Luisa é uma mulher muito amada, mas não sabe amar. Um excelente livro.
Um retrato vívido do final do mundo pré internet/redes sociais/possibilidades ilimitadas, época na qual eu nasci e que a gente ainda usa de referência insuficiente pra navegar no mundo de hoje.