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A crise estrutural do capital

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O colapso do sistema financeiro não é a causa, mas sim a manifestação de um impasse na economia mundial. É desta forma, em oposição às linhas de interpretação hegemônicas, que István Mészáros analisa o atual período histórico em sua nova obra, A crise estrutural do capital. No livro, o filósofo desmonta uma série de ilusões associadas aos acontecimentos recentes e afirma que as raízes da crise, na verdade, encontram-se no atual estágio de desenvolvimento do capitalismo.

Crise dos subprime, crise especulativa, crise bancária, crise financeira – os nomes são muitos para a imensa expansão da aventura especulativa, que abalou o capital financeiro e, naturalmente os ramos produtivos das economias. Em resposta, governos e instituições globais jogam trilhões de dólares no sistema, ao passo que os indicadores econômicos seguem sinalizando o aprofundamento da deterioração na chamada ‘economia real’.

Mészáros argumenta que é inócua a ação de governos e instituições globais que inundam a economia com trilhões e clamam pelo retorno da “confiança”. A partir de uma visão histórica e sistêmica sobre a crise do capital, o autor mostra que esta crise nada tem de nova. Pelo contrário, é endêmica, cumulativa, crônica e permanente; e suas manifestações são o desemprego estrutural, a destruição ambiental e as guerras permanentes.

Com orelha de Samir Amin e apresentação de Ricardo Antunes, A crise estrutural do capital retoma, assim, as contundentes críticas propostas por Mészáros, ao passo que muitas de suas perspectivas são confirmadas na trajetória descendente da economia global e pelos excessos no sistema financeiro internacional. O autor reafirma, assim, que vivemos uma crise estrutural cada vez mais profunda, cuja superação está além da quantia de zeros destinadas para tapar o buraco do endividamento global.

Com isso, Mészáros evidencia as falhas em tentativas de cunho socialdemocrata, keynesiano ou desenvolvimentista. Para o autor, a crise em desenvolvimento coloca no horizonte a relevância do marxismo e do desafio coletivo para a construção de uma maneira distinta de produzir e viver.

Trechos da obra
A grande crise econômica mundial de 1929–1933 se parece com "uma festa no salão de chá do vigário" em comparação com a crise na qual estamos realmente entrando. A crise estrutural do sistema do capital como um todo – a qual estamos experimentando nos dias de hoje em uma escala de época – está destinada a piorar consideravelmente. Vai se tornar à certa altura muito mais profunda, no sentido de invadir não apenas o mundo das finanças globais mais ou menos parasitárias, mas também todos os domínios da nossa vida social, econômica e cultural.

Pela primeira vez na história, o capitalismo confronta-se globalmente com seus próprios problemas, que não podem ser “adiados” por muito mais tempo nem, tampouco, transferidos para o plano militar a fim de serem “exportados” como guerra generalizada.

Com efeito, não há como antes nenhum indício sério do ansiosamente antecipado “declínio dos Estados Unidos como potência hegemônica”, apesar do aparecimento de numerosos sintomas de crise no sistema global. As contradições que pudemos identificar dizem respeito ao conjunto interdependente do sistema do capital global no qual o capital norte-americano ocupa, mantém e, na verdade, continua a fortalecer sua posição dominante de todos os modos, paradoxalmente até mesmo por meio de suas práticas de imperialismo de cartão de crédito – à primeira vista bastante vulneráveis, embora, até o presente momento, implantadas com sucesso e sem muita oposição.

Sobre o autor
Nascido em 1930, na Hungria, com doze anos e meio Mészáros já trabalhava como operário em uma fábrica de aviões de carga, tendo que mentir a idade em quatro anos para isso. Graduou-se em Filosofia na Universidade de Budapeste, onde foi assistente de Georg Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália, onde trabalhou na Universidade de Turim; posteriormente ministrou aulas nas universidades de Londres (Inglaterra), St. Andrews (Escócia) e Sussex (Inglaterra), além de na Universidade Autônoma do México e na Universidade de York (Canadá). Ao retornar à Universidade de Sussex, em 1991, recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia. É reconhecido como um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos. Autor de obras como Para além do capital (Boitempo, 2002), A educação para além do capital (Boitempo, 2005) e O desafio e o fardo do tempo histórico (Boitempo, 2007), entre outros.

136 pages, Paperback

First published January 1, 2009

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About the author

István Mészáros

58 books62 followers
István Mészáros was a Hungarian Marxist philosopher. Described as "one of the foremost political philosophers of the late twentieth and early twenty-first centuries" by Monthly Review, Mészáros wrote mainly about the possibility of a transition from capitalism to socialism.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Brad.
103 reviews36 followers
January 7, 2026
The force of circumstance, tragically constraining and determining the character of a transitional effort as a holding operation, is one thing; the necessity of a radical transformation on a global scale is quite another. Today, the need for a comprehensive theory of transition appears...in the perspective of the socialist offensive, on the ground of its general historical actuality, in response to the growing structural crisis of capital, which threatens the very survival of humanity.


My basic uncertainty about Mészáros's prognosis is the extent to which 'historically viable alternatives' have or could transcend key limitations of past experiments in the Leninist model, and thus the historical lessons to draw from them.

It's undeniable that reliance on retreats via market reforms has posed fundamental risks by way of opportunities for capitalist encroachment and restoration. It's fair to argue that purely technocratic reforms were/will not in future cases be feasible solutions without also having substantive political consciousness of the workers behind it. It's also difficult to argue counter-factual "What ifs" of historical case studies.

Still:

1. History bears out the need to balance "staying power" with substantive democratic advances, and I don't believe there are absolute a priori prescriptions for this, however indispensable substantive democracy/substantive equality are. While he clearly does not identify as a Trotskyist, Mészáros is more sympathetic to "permanent revolution" and tends to downplay the consequence of situational limits to how far this can go (i.e., the need for a "holding operation" within geographical boundaries of some sort of delinked transitional 'bloc').

2. We shouldn't downplay the role of technical capacities in affording greater capabilities for iterative input. In other words, we can fault overly centralized or bureaucratic models, but shouldn't do so in a way that ignores the relative difference between old experiments' and potential future experiments' technological capabilities for real-time, democratic feedback in planning. That 'mere technical difference' reverberates in the totality---technology, with a social push, allows for improved politically substantive practices. I'm no techno-utopian or techno-determinist, but whether you're a humanist or not, it is a factor that demands attention (Balkan Cyberia: Cold War Computing, Bulgarian Modernization, and the Information Age behind the Iron Curtain, The Best Use of Economic Resources, Towards a New Socialism...) in the context of enabling & empowering political movements.

That said, I deeply appreciate (among other things):

1. Mészáros's principled centring of revolution's ultimate objectives.
2. His emphasis on a mass line (though he curiously never engaged with this concept explicitly) as the best assurance against counterrevolution-by-decapitation.
3. His skepticism toward "market socialism" insofar as ideas of retaining private markets in a provisional, contained sort of way risk that genie getting out of its bottle.
4. His turning of liberals' accusations of "idealism" back at them---pointing out the structural crisis that makes maintaining the current system the irrational, infeasible, unsustainable path.

As I said after reading Beyond Leviathan---the best I've seen of "Western Marxism".
Profile Image for Balam Abello.
Author 7 books
March 28, 2013
The Structural Crisis of Capital by István Mészáros, 2010. This book compiles many essays from professor István Mészáros, a political philosopher. It is a fascinating, insightful and somewhat slow read which is most a apropos in today’s current economic times. Professor’s Mészáros’ thesis states that the system of capital has intrinsic systemic problems which may ultimately lead to its demise or at the very least, its reformation.
http://balamabello.com
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