Esta é uma das sagas mais belas que tenho tido oportunidade de ler. Depois de ter lido os anteriores através da biblioteca, foi com grande prazer que descobri este exemplar na Feira do Livro de Setúbal há uns anos, sendo assim o único de seis livros fantásticos que se encontra nas prateleiras. E, depois de tanto tempo há espera, este exemplar foi lido.
Depois do quarto livro, Pendragon, e do final misterioso e um tanto atordoador, fiquei num hiatus entre a leitura desse e deste, Graal. Ainda bem, porque tornou este livro ainda mais "doce". Foi como um elixir de beleza de encanto que me veio parar às mãos e tornei a embrenhar-me naqueles bosques, naquelas intrigas tão bem elaboradas e escritas com uma grande beleza e reencontrar personagens tão brilhantes como Artur e Merlin.
Neste volume a história é narrada por Gwalchavad (Galahad, noutras histórias arturianas), ainda parente de Morgana, é um dos amigos leais de Artur. Depois das guerras com os povos invasores, da recuperação milagrosa de Artur e da seca, este e os outros amigos vêm-se a braços com uma nova aventura: dar a conhecer o Graal a todos e protegê-lo, inaugurando assim o Reino do Verão, o grande objetivo de toda a saga, profetizado por Taliesin no primeiro livro. Porém, cedo começam a ver que algo está estranho e a outra narradora da história começa e tecer a sua teia, se bem que não apareça diretamente no livro: Morgana.
Personagens maravilhosas, ricas e complexas, que é sempre um prazer reencontrar, ajudaram mais uma vez a criar uma história fantástica. Nesta história deixam-se de lado as guerras mais mundanas e o foco principal passa a estar relacionado com o Graal e todos os seus poderes. Não há tantas personagens como nos outros livros, mas as que estão presentes continuam no seu melhor: Artur, Merlin, Avallach, Charis, Morgana...todos elas estão muito bem, mesmo que nem todas tenham o mesmo destaque que noutros livros da saga. Artur e Merlin continuam no centro de tudo, com especial atenção para Llenlleawg (Lancelot) e Morgaws.
O enredo é mais dado ao mistério e à magia. As personagens partem numa demanda perigosa pelo meio de caminhos obscuros e repletos de misteriosos e horrendos desafios, que vão aparecendo de repente e que muito servem para demonstrar a capacidade imaginativa do autor, bem como a sua audácia quanto ao mistério e ao suspense. O clima de suspeita e mistério está presente durante todo o livro e o dei por mim sempre na expectativa, a querer saber o que vinha a seguir e a estabelecer teorias.
As descrições continuam perfeitas, transpirando harmonia e beleza, mas também uma força assustadora nos momentos mais tensos. Mais uma vez, o autor cria o ambiente certo, faz as descrições certas, através de uma linguagem rica e elaborada, épica. É como se o leitor estivesse junto das personagens.
Em suma, é mais um belíssimo romance fantástico de Stephen Lawhead. Recomendo sem reservas a todos os que gostam de um bom livro. Para quem gosta das lendas arturianas então é um autêntico doce que se derrete na boca.