Para chegar ao ponto de vazar os olhos, é preciso ter vivido numa cegueira prévia. Ora, se eu estava consciente de que Céus era a última parte de uma tetralogia começada com Litoral, Incêndios e Florestas, não podia duvidar de que a sua conclusão ia ser, não uma palavra, mas um grito. É de facto um grito indistinto que se ouve nos últimos instantes de Céus. Esse grito encerra o «Sangue das promessas». Wajdi Mouawad
Céus
VOZ MASCULINA Vocês habituaram-nos ao sangue. Mas o cão que já só tem a carne sobre os ossos Não deixa de sentir raiva. Contar os mortos não nos basta para chorar os nossos mortos. Vocês julgam-nos em guerra, quando estamos na penúria Vocês vigiam-nos mas não vêem nada Nem o Alfa das nossas dores, nem o Ómega dos nossos ódios Que eram apenas ilusões, que eram apenas ilusões! Nem a harmoniosa calúnia das nossas vozes A esplêndida injúria das nossas palavras Fabulosa dor, fabulosa dor! O tempo das reivindicações já passou Eis chegado o tempo soluçante
Florestas
Aguardando que a juventude acabe, eis que com a publicação de Florestas me apercebo de como, há tanto tempo, eu sabia – sem o saber – que estava a trabalhar numa história que iria ser escrita em quatro partes. Mas, justamente, no momento em que escrevia a primeira parte, eu não podia dizer que era uma «primeira parte». Tudo isso se foi revelando pouco a pouco, como que saindo do nevoeiro no meio do qual eu avançava e, avançando, o terreno iluminava-se para que aquele que estava atrás de mim voltasse de novo a fechar-se. Wajdi Mouawad
DOUGLAS DUPONTEL Você está demasiado ligada a essa história para que eu possa acreditar em si. LOUP Que é que você tem com isso? Para além do interesse científico de pantólogo… DOUGLAS DUPONTEL Paleontólogo. LOUP …Whatever! Chiça! Em que é que isso lhe diz respeito? DOUGLAS DUPONTEL Seja como for, isso não diz respeito apenas a si, também diz respeito ao seu pai e à memória da sua mãe. Você sabe isso. Então, vai ficar aqui, neste quarto de hotel, quer lhe agrade quer não, até que seja feita luz sobre todo este caso. LOUP Isso! Faça-se luz! DOUGLAS DUPONTEL Boa ideia. Assim poderemos ver as radiografias da sua mãe.
Litoral
Antes de tudo, houve encontro. Isabelle Leblanc e eu, sentados em casa dela, na cozinha, com uma garrafa de champanhe, porque há muito tempo que não conversávamos. Que não nos víamos. Que não olhávamos um para o outro. Havia pois, antes de mais, uma rapariga um pouco desconsolada, sentada diante de um tipo um pouco perdido. Entre ambos (mesmo ao lado da garrafa agora semivazia), a sede das ideias. Isto é, o desejo de sair de um mundo que tendia a levar-nos a acreditar que a inteligência era uma perda de tempo, o pensamento um luxo e as ideias uma ilusão. Wajdi Mouawad
FUNCIONÁRIO Senhor? AGENTE FUNERÁRIA Bom dia, senhor. VENDEDOR O senhor deseja? WILFRID Disseram-me que viesse aqui. Disseram-me que viesse aqui. Preciso de vir aqui. FUNCIONÁRIO De que assunto se trata? AGENTE FUNERÁRIA De que assunto se trata? WILFRID É por causa das coisas do meu pai. Por causa do meu pai. O meu pai. VENDEDOR Era para um fato ou um casaco? AGENTE FUNERÁRIA Precisa de um serviço? WILFRID Sim, um fato, e é urgente. VENDEDOR É para um casamento? FUNCIONÁRIO De que se trata? WILFRID Não, não, é para um enterro.
Incêndios
Aguardando que a juventude acabe, eis que com a publicação de Florestas me apercebo de como, há tanto tempo, eu sabia – sem o saber – que estava a trabalhar numa história que iria ser escrita em quatro partes. Mas, justamente, no momento em que escrevia a primeira parte, eu não podia dizer que era uma «primeira parte». Tudo isso se foi revelando pouco a pouco, como que saindo do nevoeiro no meio do qual eu avançava e, avançando, o terreno iluminava-se para que aquele que estava atrás de mim voltasse de novo a fechar-se. Wajdi Mouawad
LOUP Repetirei os vossos nomes como um talismã contra a desgraça. Odette, Hélène, Léonie, Ludivine, Sarah, Luce, Aimée, Loup Como uma promessa para sempre cumprida. E que eu por meu turno repito Àquela que vier depois de mim Ainda não nascida Mas que se lembra já do meu rosto Nunca te abandonarei. Nunca te abandonarei. Nunca te abandonarei.
Né au Liban le 16 octobre 1968, Wajdi Mouawad est contraint d’abandonner sa terre natale à l’âge de huit ans, pour cause de guerre civile. Débute une période d’exil qui le conduit d’abord avec sa famille à Paris. Une patrie d’adoption qu’il doit à son tour quitter en 1983, l’État lui refusant les papiers nécessaires à son maintien sur le territoire. De l’Hexagone, il rejoint alors le Québec.
C’est là qu’il fait ses études et obtient en 1991 le diplôme en interprétation de l’École nationale de théâtre du Canada à Montréal. Il codirige aussitôt avec la comédienne Isabelle Leblanc sa première compagnie, Théâtre Ô Parleur. En 2000, il est sollicité pour prendre la direction artistique du Théâtre de Quat’Sous à Montréal pendant quatre saisons. Il crée cinq ans plus tard les compagnies de création Abé Carré Cé Carré avec Emmanuel Schwartz au Québec et Au Carré de l’Hypoténuse en France.
Depuis septembre 2007, il est directeur artistique du Théâtre français du Centre national des Arts d’Ottawa et parallèlement s’associe avec sa compagnie française en janvier 2008 à l'Espace Malraux, scène nationale de Chambéry et de la Savoie.
Il est en 2009 l’artiste associé du Festival d’Avignon, où il avait présenté Littoral dix ans auparavant et Seuls en 2008.
Spectacles Comédien de formation, il joue sous la direction d’artistes comme Brigitte Haentjens dans Caligula d’Albert Camus 1993, Dominic Champagne dans Cabaret Neiges noires 1992 ou Daniel Roussel dans Les Chaises d’Eugène Ionesco 1992, mais interprète aussi des rôles dans sept de ses propres spectacles.
Sa carrière de metteur en scène s’amorce au sein du Théâtre Ô Parleur, avec deux pièces de son frère Naji Mouawad : Al Malja 1991 et L’Exil 1992. Son parcours lui donne à explorer aussi d’autres univers : Voyage au bout de la nuit de Louis-Ferdinand Céline, Macbeth de Shakespeare 1992, Tu ne violeras pas de Edna Mazia 1995, Trainspotting de Irvine Welsh 1998, Œdipe Roi de Sophocle 1998, Disco Pigs de Enda Walsh 1999, Les Troyennes d’Euripide 1999, Lulu le chant souterrain de Frank Wedekind 2000, Reading Hebron de Jason Sherman 2000, Le Mouton et la baleine de Ahmed Ghazali 2001, Six personnages en quête d’auteur de Pirandello 2001, Manuscrit retrouvé à Saragosse opéra de Alexis Nouss 2001, Les trois Sœurs de Tchekhov 2002, Ma mère chien de Louise Bombardier 2005.
C’est à la même époque du Théâtre Ô Parleur qu’il commence à signer les mises en scène de ses propres textes : Partie de cache-cache entre deux Tchécoslovaques au début du siècle 1991, Journée de noces chez les Cromagnons 1994 et Willy Protagoras enfermé dans les toilettes 1998, puis Ce n’est pas de la manière qu’on se l’imagine que Claude et Jacqueline se sont rencontrés coécrit avec Estelle Clareton 2000. Il écrit également un récit pour enfants Pacamambo, un roman Visage retrouvé, ainsi que des entretiens avec André Brassard : Je suis le méchant !
Il monte Littoral 1997 (qu’il adapte et réalise au cinéma en 2005), puis Rêves 2000, Incendies 2003 (qu’il recrée en russe au Théâtre Et Cetera de Moscou) et Forêts 2006. En 2008, il écrit, met en scène et interprète Seuls.
En 2009, il se consacre au quatuor Le sang des promesses. Celui-ci rassemble Littoral dans une version recréée la même année, Incendies, Forêts et le spectacle Ciels.
En 2010, il joue sous la direction de Stanislas Nordey dans Les Justes d'Albert Camus.
Fa uns anys vaig llegir 'Ànima' i la sensació que vaig tenir quan la llegia i la que es va quedar després, és similar a la que he tingut ara en llegir aquestes obres de teatre. La sensació de saber que vas de cap a dins a les entranyes d'un descobriment dolorós, però per alguna raó, personatge i lector, sabem que és necessari arribar a la fi del camí. Mouawad és un escriptor magistral, un dramaturg excepcional, que jugant amb la intensitat dels ritmes i els temps, és capaç de transmetre amb una força desbordant, l'ancestral acritud violenta de l'ésser humà. I, endinsar-se al descobriment de la veritat, acaba tenint una bellesa colpidora i transformadora.
L’aclamat dramaturg i director d’escena Wajdi Mouawad (Líban, 1968) diu: «L’escarabat és un insecte que s’alimenta d’excrements d’altres animals més grans que ell. D’aquests excrements de què s’alimenta, l’escarabat en pren la substància apropiada per produir la closca tan bonica que coneixem i que es mou davant els nostres ulls: el jade escarabat verd xinès, l’escarabat vermell porpra de l’Àfrica... Un artista és un escarabat ja que troba en els mateixos excrements de la societat els aliments necessaris per produir les obres que ens fascinen i ens trastornen. L’artista, com un escarabat, menja la merda del món amb la qual treballa i aconsegueix, de vegades, fer palesa la bellesa.»
Si abans havíem d’aproximar-nos als textos de Mouawad en versió original francesa, edicions mexicanes i les publicades també en castellà per KRK, ara l’editorial Periscopi publica i reuneix en català la tetralogia La sang de les promeses, que inclou les obres Litoral, Incendis, Boscos i Cels. Celebrem aquest gest, perquè continua obrint i actualitzant el camí enmig del panorama gairebé desert de l’edició teatral.
"Et diuen de pregar i tu pregues, et diuen de plorar i tu plores. Esperes i ja està! Quan et volen castigar et diuen que la teva mare ja no vindrà, quan et volen fer contenta et diuen que vindrà aviat; quan no n'hi ha prou amb la pregària fas l'amor per primera vegada i quan no n'hi ha prou amb l'amor t'emborratxes; i l'amor, la pregària i l'alcohol, tot això junt es converteix en l'espera de la felicitat! Después, gota a gota, ja no saps què esperes, veus els trossets de la teva vida esfonsada i ja no saps ni què va passar ni quan va passar."
Cito una cita del filòsof Jan Patocka, pensament del qual és bàsic per Wajdi, per tenir-la apuntada quan vulgui recuperar-la: dur els qui en siguin capaços a entendre la incomoditat de la seva situació còmoda és el sentit que ha de tenir l’art d’avui en dia. Wajdi, als teus peus.
imatges cruentes, personatges complexos, abocats a una existència inexorablement connectada a la guerra, el desarrelament, la por, el dolor i el patiment. una tetralogia teatral impactant i certament aclapadora
Uf! He arribat a la fi de la darrera part, la darrera de les quatre obres que composen aquest recull: Litoral, Incencis, Boscos, Cels.., però he arribat realment? Wajdi Mouawad ens proposa un viatge al territori de la por, la violència, la mort i també, per sort, al territori de la vida, l'amor i l'esperança. Més que un viatge, Mouawad ens facilita un d'aquests títols de transport que et permeten fer un nombre indeterminats de viatges d'anada i tornada. Es un mestre en Mouawad. Ens fa patir molt però ens permet gaudir del seu domini del llenguatge, del ritme, del món del simbolisme i les metàfores.
L'obra de Wadji Mouawad conmou, impacta i ens atrapa amb les seves obres marcades pel dolor i la tragedia.
Aprofitant, a més, la representació de dues grans obres seves a Barcelona en aquests dies ("Un obús al cor" i "Incendis"), aprofito també per endinsar-me dins d'aquesta impactant tetralogia formada per Litoral (3,5/5), Incendis (5/5), Boscos (5/5) i Cels (3/5).
Quatre obres teatrals que es llegeixen com si fossin una novel·la. Sens dubte, Incendis és la més completa i representativa de l’escriptura de Mouawad: història punyent, intrigant i catàrtica. Llenguatge poètic, malgrat la cruesa del que s’hi explica. Però la resta (Boscos, Litoral, Cels) també arriben fins al fons. Un llibre dur i preciós. La tristesa també pot ser bella.
Quatre obres de treatre recollides en un llibre i lligades per un mateix fil. Les promeses que ens fem a nosaltres mateixos i a les persones que estimem i com complir-les ens pot portar a conèixer el nostre passat. Una obra que, malgrat la gran quantitat de violència que conté, enganxa fins al final
This entire review has been hidden because of spoilers.
literalment de l millor que he llegit qui digui que no se llegeix teatre és mentida sou voltros que no teniu gust. si us plau, CRIDA EMERGENT, oriol broggi torna a fer aquestes obres de teatre ho necessitam quan les vares fer per primer cop tenia 8 anys i no sabia ni caminar en sèrio fes ho.
J'ai beaucoup aimé cette tétralogie, elle reflète parfaitement le génie de Wajdi Mouawad. Il a une écriture assez brutale par moment, mais c'est toujours très poétique. Littoral 5/5 Incendies 5/5 Forêts 4.5/5 Ciels 4/5
De la tetralogia de Mouawad he llegit “Incendis” , que és la segona part. Magnífica obra on es contempla el destí de la humanitat des de la perspectiva d’un Èdip femení.