Uma biografia inédita na qual a autora comprova porque Santa Joana carrega o título de rainha, virgem e mártir. Para isso, ela se baseia, sobretudo, nos relatórios dos processos de condenação e reabilitação de Santa Joana, com relatos daqueles que conviveram de perto com a jovem donzela, inclusive no campo de batalha.
Quando comecei a ler este livro eu nada sabia a respeito de Santa Joana Darc. Fui surpreendido com uma das mais belas biografias que já li, onde a demonstração de fé de uma menina simples foi capaz de mudar a história da França. Dignos de nota também são os detalhes dos dois processos apresentados ao longo do livro, os quais se tornam ainda mais espetaculares quando lembramos terem ocorrido na primeira metade do século XV.
Há vidas que parecem costuradas diretamente ao Evangelho. A biografia escrita por Marie de la Sagesse Sequeiros mostra que a história de Santa Joana d'Arc foi moldada por um mesmo ritmo de entrega, silêncio e cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde a infância no interior até o julgamento farsesco que a condenou, muitos momentos de sua vida ecoam o drama de Nosso Senhor... a missão recebida, a solidão perante os poderosos, a traição dos que deveriam defendê-la, a dignidade diante das humilhações, e por fim o martírio.
Eis a mulher!
A jovem obediente. As santas Catarina e Margarida não surgem como ornamentos místicos, mas como presenças vivas, vozes que guiaram seu discernimento e firmaram sua consciência. Joana obedece como um anjo, com naturalidade, coragem e pureza.
A jovem patriota. Sua relação com a França nasce de uma limpidez rara: amor sem ideologia, enraizado no dever e na certeza de uma missão recebida. Sua fidelidade ao rei é consequência de sua fidelidade a Deus. Enquanto muitos buscavam vantagens ou glória, Joana buscava apenas cumprir o chamado.
A jovem perseguida. Injustiças, insultos, manipulações, falsos testemunhos: a máquina do poder eclesiástico mal exercido se volta contra ela. Mesmo assim, não há ódio em suas respostas. Apenas uma fortaleza inesperada, clareza e inocência. Joana nunca foi bruxa, jamais praticou o que lhe atribuíram. Suportou acusações como quem carrega um madeiro. Queriam tanto matá-la, mas não havia justa acusação! Nada cabia para que pudessem realmente levá-la à fogueira. No fim, restou uma manipulação... e foi morta por usar roupas de homem. E fez isso para manter a pureza da castidade e fugir dos abusos sexuais.
A jovem mártir. Joana pede uma cruz: quer morrer olhando para Cristo. Quer que seus olhos permaneçam fixos n’Ele quando a fogueira se fechar. Suas últimas palavras são o nome de Jesus. Logo após morrer, muitos dos presentes se convertem e se horrorizam pelo que acabou de acontecer: mataram uma santa de Deus. Dois homens envolvidos diretamente na sua morte se arrependem no mesmo dia e se dirigem à igreja para confessar seus pecados.
A obra também ressalta o golpe mais doloroso: Joana pediu, humilde e confiante, que seu julgamento fosse levado ao Santo Padre. Foi-lhe negado. Ficou refém de "uma elite eclesiástica capaz de submeter seu poder espiritual ao serviço de um poder político ilegítimo". Ainda sim, em todo momento, por mais difícil que fosse, a jovem reluzia fortemente a santidade de Cristo.
Infelizmente, ao longo da história muitos se apossaram do exemplo de Santa Joana com diversas e horrendas distorções. Filmes e representações mentirosas que tentam apagar a cristã pura que ela foi para articular suas ideologias. Mas a verdade sobrevive.
Não sou francesa, mas conhecer melhor a história dessa valente santa dá vontade de partilhar da mesma nacionalidade que ela. E, se não partilho sua pátria, alegro-me muito por compartilhar seu nome.