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Pretérito Perfeito

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Pudesse toda uma vida caber num livro? Nestas páginas, assombradas pela inevitabilidade da morte, as memórias são o pretérito perfeito do verbo viver. Eu vivi, diz-nos a personagem principal desta autora, hábil na construção da narrativa, na forma como nos leva pela mão até ao fim, a um fim anunciado que reforça apenas essa capacidade ímpar de agarrar o leitor. É o que Raquel Serejo Martins faz neste livro que deve ser lido, como todos os livros que sabem a gente, a vísceras, a medos e alegrias, a histórias contadas e passadas. Um livro com alma, portanto.

258 pages, Paperback

First published September 1, 2013

20 people want to read

About the author

Raquel Serejo Martins

12 books33 followers
Uma definição.
Sou coisa de difícil explicação!
O que consigo explicar:
Transmontana.
Economista, pós-graduada em Direito Penal Económico e Direito Administrativo.
Tenho dois gatos.
Pratico SwáSthya Yôga.
Já não danço sevilhanas.
Comovo-me com as palavras do Joaquín Sabina e do Chico Buarque, com as pinceladas da Paula Rego e com o cheiro a terra molhada em entardeceres de Verão.
Dos livros que leio, percebo que fui construindo uma geografia óbvia, os latinos, os mediterrânicos, os sul-americanos.
A última coisa que tentei aprender: italiano! Falo e escrevo mal, consigo ler!
A próxima coisa que quero aprender: fotografia! Talvez porque muitas vezes, ou em regra, as imagens explicam melhor do que as palavras. Enfim, a insuficiência das palavras!

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for João Teixeira.
2,344 reviews46 followers
January 11, 2019
Tenho alguns sentimentos contraditórios em relação a este livro. É verdade que, se por um lado, gostei do ponto de partida da história e gostei deste exercício que Raquel Serejo Martins nos propõe, que é colocarmo-nos na pele (ou nas letras) de alguém que sabe que irá morrer (por coincidência, eu tenho precisamente agora a idade que a personagem Vasco tem no livro, apesar de ele pertencer a outra geração que não a minha). Quer dizer, saber que vamos morrer, sabemos todos, mas a Vasco foi dado um prazo de vida e neste livro é-nos dado o acesso aos pensamentos e considerações de uma pessoa que sabe que não irá sobreviver aos pais, até mesmo aos avós, aos amigos, ao seu amor de sempre...

O narrador da história conseguiu agarrar-me praticamente desde o início, mas infelizmente, a determinada altura, a história começou a aborrecer-me um bocadinho. É óbvio que todo o tom do livro é dramático e triste, pois não poderia ser de outra forma. Mas certas passagens que, a meu ver, foram ali postas para aligeirar esse tom dramático e pesado, acabam por ser um bocado descabidas e completamente desnecessárias. Raquel Serejo Martins decidiu escrever e apresentar pequenos artigos enciclopédicos sobre assuntos que, supostamente, vão surgindo no fio de pensamento de Vasco, mas que num livro de ficção como este é, acabam por não fazer muito sentido. Pelo menos, para mim não fez e surgem no livro um pouco a despropósito. Exemplos disso são a longa arenga sobre a polícia política alemã (STASI), a propósito de uma visita a Berlim, ou a longa descrição e o que motivou (apoiada em entrevistas verídicas de Otelo Saraiva de Carvalho!) a revolução dos cravos a 25 de Abril de 1974, ou as histórias de S.Vicente e de S.Jorge (contadas de forma bastante elaborada a duas estrangeiras de visita a Lisboa, mas a que falta alguma versosimilhança se pensarmos que estamos a ler um diário de uma pessoa), ou então quando Vasco escreve sobre o pintor Tintoretto, ou ainda quando Vasco se perde a falar sobre o incidente ocorrido na praça Tiananmen a propósito de reivindicações de abertura da sociedade chinesa à democracia...

Enfim, e resumindo, percebo que um livro sobre alguém que vai morrer não pode ser só sobre os seus lamentos, mas estes artigos enciclopédicos são descabidos e, pelo menos a mim, desorientaram-me enquanto leitor, pois nada vêm acrescentar, a não ser que a autora quis pôr no seu livro algum material que resultou de uma apurada pesquisa histórica, mas que não tem sentido num livro deste tipo.

A par disso, fui também encontrando algumas construções frásicas que me "irritaram" um bocadinho, pois não percebi se são propositadas ou se se deveram a uma revisão menos cuidada. Exemplos: «A mão da minha mãe na minha pelos passeios de Lisboa, até que uma passadeira a lembrar uma zebra.». Outro exemplo: « Quando estou sozinho parece que tudo ainda pode mudar, porque eu não dentro, eu fora do mundo.». Será que só a mim é que soam estranhas estas frases? Temos também, por vezes, algumas repetições no texto, que, julgo eu, pretendem marcar um ritmo, mas que, a mim, não me convenceram muito...

A partir da segunda metade do livro devo dizer que já estava um bocadinho farto, e terminei de o ler porque, para todos os efeitos, estava interessado em chegar ao fim. Mas confesso que me custou um bocadinho. Gosto de histórias e de personagens trágicas, pois a verdade é que eu próprio acho que viver neste mundo é uma tragédia. Gostei de conhecer as motivações de Vasco para não querer deixar este mundo (e julgo que esse é o interesse de uma história que gira à volta de alguém que sabe que vai morrer), mas achei a escrita de Raquel Serejo Martins um bocadinho prolixa (a propósito, seriam necessárias tantas notas de rodapé a chamar a nossa constante atenção para o facto de ela, enquanto escritora, estar a citar com frequência letras de músicas ou poemas? Não conseguiria ela diluir essa informação no corpo do texto?), "cerebral" demais (e daí os tais artigos enciclopédicos). Está bem escrito? Sim, está... Mas fez-me sentir alguma coisa? Eh... Não muito. Gosto das considerações do Vasco sobre o valor da amizade, sobre aquilo que nos faz agarrarmo-nos à vida, sobre o amor... Mas pareceu-me verosímil? Não muito. E que pena que eu tenho de escrever isto. Gostei do livro, mas tenho quase a certeza de que daqui a algum tempo, não me vou lembrar de praticamente nada sobre ele...

Em todo o caso, espero que a Raquel Serejo Martins, se alguma vez vier a ler isto, não fique zangada comigo. fiquei com vontade de ler outros livros dela!
Profile Image for susanprosa.
181 reviews6 followers
December 30, 2015
Vasco é músico, dá aulas no Conservatório de Música, é solteiro, adora o rio Tejo, passeia todos os dias pela sua Lisboa e está a dias de celebrar o 33º aniversário.

Vasco conta o seu dia-a-dia, numa espécie de diário, apresentando aos poucos os diferentes protagonistas que preenchem a sua vida, Pedro o seu melhor amigo, os avôs, os pais, a D. Lurdes (a senhora que apesar de ter o título de empregada doméstica é como se fosse um elemento da família), as vizinhas que todos os dias descem pontualmente as escadas do prédio em busca da bica matinal, os colegas de conservatório, as paixões do passado, a paixão do presente.

Nos seus passeios por Lisboa, e em diversas situações diárias Vasco conta-nos a história do seu primeiro beijo, a sua primeira viagem, a queda do muro de Berlim, a história de Otelo devido ao 25 de Abril, o Tsunami na Tailândia, aliada à toda a história que marcou e marca o seu ser, estão os livros, as músicas (grande destaque para o fado e música portuguesa, os filmes e séries de TV (Cheers é uma delas).

Vasco parece, e é um homem normal ... só que Vasco tem prazo, ou não temos todos? A medicina diagnosticou-lhe um vírus no coração e prevê que não sobreviva mais que três meses.

Adorei.
Profile Image for Andreia Morais.
468 reviews33 followers
Read
October 5, 2023
TW: Morte, Violência Animal

A morte é inevitável, estamos todos a par disso, no entanto, sermos confrontados com um prazo de validade concreto pode ser assustador e limitador na mesma medida.

Já não tenho presente o momento em que me cruzei com este livro, mas a premissa fascinou-me logo. Sei que pode soar um pouco mórbido, porque dá a ideia de se querer chafurdar na lama e de se querer ultrapassar um limite pessoal, ainda assim, acho sempre interessante compreender o impacto de uma notícia desta dimensão, porque também nos ajuda a pensar no outro, a pormo-nos no seu lugar. No fundo, mesmo que seja uma narrativa ficcional, não deixa de ser um exercício de empatia.

Ter acesso aos pensamentos e às considerações do protagonista tornou a experiência mais próxima. No entanto, confesso que a partir de um certo momento fui-me distanciando das suas partilhas, porque divagou por temas que não me pareceram assim tão relevantes para este contexto. Percebo que não se condicione ao tema central, mas gostava que não tivesse divagado tanto.

Embora não me tenha arrebatado, gostei que nos apresentasse uma personagem com muita vontade de viver.
Profile Image for Carmo.
136 reviews6 followers
February 28, 2024
Livro escrito em tom de diário (talvez seja isso, e por isso que não fiquei grande fã). Reconheço uma sonoridade própria na forma de escrita (tão própria da Raquel). Uma prosa poética bela, passagens (algumas) que nos marcam e nos fazem pensar. Ainda assim, a Raquel já teve melhor registo no passado daí a minha avaliação neste livro. Gostei, sem adorar. Marcou-me sem deixar marcas. O enredo é interessante, algumas personagens também (outras nem tanto e perde-se (muito) nas alturas em que se descrevem, em que alguém - o narrador - as apresenta).
Acaba por ser um livro que se lê muito bem e que recomendo. Mais não seja porque nem sempre é fácil falar sobre a Morte que nos espera (a todos) com ou sem data marcada.
Profile Image for Patricia Posse.
257 reviews2 followers
February 22, 2021
Um registo pessoal que mistura memórias e emoções do passado e até do futuro que não chegará a viver. Uma retrospectiva de uma vida a prazo.
Profile Image for Tiago Malaquias.
102 reviews1 follower
March 8, 2022
POR: Um livro rico. Rico de palavras, rico de conteúdo e rico de histórias. Um livro cheio de referências a cheirar a cultura que nos torna mais cultos. Uma bela história.

ENG: A rich book. Rich in words, rich in content and rich in stories. A book full of references to smell the culture that makes us more cultured. A beautiful story.
Profile Image for Lu.
20 reviews
June 25, 2018
Vasco, um homem de 33 anos, que tem da tenra juventude e da infância as memórias mais acesas, um homem que carrega a inocência dessas vivências e a fragilidade de alguém que sabe que tem os dias contados. Talvez por isso o sintamos, não homem, mas menino.
É pela voz do próprio Vasco que, desde as primeiras páginas, entramos na sua casa e seguimos até ao terraço, onde nos sentimos a salvo, na hora em que o sol se põe sobre o Tejo. São também as palavras deste homem-menino que nos conduzem pelo Outono de Lisboa ou pelos bares da moda de outros tempos, ou por outros lugares que a sua cultura e curiosidade evocam.
À medida que a narrativa se tece, uma vezes num estilo torrencial, outras ritmado, quase musical, tornamo-nos cúmplices de Vasco. Cúmplices das memórias, do seu quotidiano e - muito - da sua dor, do desespero, do vazio. Vasco deixa de ser, a certa altura, apenas a personagem, para ocupar o lugar do amigo de infância que, para nós, nunca deixa de ser menino e que não queremos perder. Chegamos, por isso, a desejar que os médicos se tenham enganado.

«(...) mas a solidão também vicia. Uma solidão que nos faz perder a paciência para quase tudo e quase todos.»

«Sinto-me areia. Areia depois do mar. As pessoas. As mãos. Os sorrisos. As conversas. Os pés. Os dedos. Tudo passa por mim. Tudo deixa marcas. Marcas profundas que se afundam pele dentro, que se enterram no meu corpo. Chegam a magoar. Deixam cicatriz. Fazem tatuagens. Depois mirram, acanham-se, contraem-se, desaparecem. Abandonam-me. Perdem-se no oceano imenso, nesse mar, que sem amor de amar, porque é só mar, só água e sal e mais nada, leva para longe o meu passado, arrebatando, apagando tudo o que me toca.»
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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