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Na Tua Face

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Um dos últimos romances de Vergílio Ferreira, mas, não sendo o derradeiro, é o que talvez melhor resume o percurso (na vida e na obra) do autor. Como em muitas outros livros, em "Na Tua Face" é ficcionada a problemática existencial (o amor, a morte, a solidão, a evidência da beleza, a descoberta do eu e a definição do outro, a insuficiência da palavra e a incomunicabilidade humana, e a experiência da doença e da dissolução do corpo, a transcendência). Mas aqui a história do pintor (Daniel) é de certo modo a história da vocação frustrada de Vergílio Ferreira que ao longo da "Conta-corrente" foi repetindo: «Não preferi a minha arte. Calhou-me. Ou talvez seja essa a sorte de todas as preferências: escolhe-se sempre o que nos coube, ou seja o que se é. Mas a verdade é que, se na escolha se escolhesse, escolheria a pintura».

228 pages, Hardcover

First published January 1, 1993

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About the author

Vergílio Ferreira

68 books315 followers
VERGÍLIO FERREIRA nasceu em Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916. Seminarista no Fundão, licenciou-se depois em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi prof. liceal em Faro, Bragança, Évora e Lisboa (desde 1959). Ficcionista e pensador, estreou-se com o romance O Caminho Fica Longe (1943) e o ensaio Sobre o Humanismo de Eça de Queirós (1943). Escritor dos mais representativos das letras portuguesas da segunda metade do séc. XX, a sua vivência fechou-se no labirinto do existencialismo sartreano. Entre as suas obras destacam-se: Manhã Submersa (1954), adaptado ao cinema por Lauro António e vencedor do Prémio Femina para o melhor livro traduzido em França em 1990, Aparição (1959, Prémio Camilo Castelo Branco), Cântico Final (1960), Alegria Breve (1965, Prémio da Casa da Imprensa), Nítido Nulo (1971), Rápida a Sombra (1974), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983, Prémio Literário Município de Lisboa), Espaço do Invisível (1965-87), em quatro vols., Até ao Fim (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da APE), Em Nome da Terra (1990), Na Tua Face (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE). De assinalar são também o diário publicado a partir de 1981 (Conta Corrente) e o vol. de ensaios Arte Tempo (1988). Em 1991 ganha o Prémio Europália, pelo conjunto da sua obra, e em 1992 é-lhe atribuído o Prémio Camões. Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979 e, em 1985, foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura. Faleceu em Lisboa, a 1 de Março de 1996.

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1 star
4 (2%)
Displaying 1 - 22 of 22 reviews
Profile Image for Rui Aniceto.
14 reviews2 followers
June 21, 2024
Ninguém escrevia, ninguém escreve, como o Vergílio Ferreira. Acho que, na literatura portuguesa, será sempre a dele a verdadeira linguagem da memória.
Profile Image for Ana Rita Mateus.
28 reviews
July 20, 2019
Um dos últimos livros de ficção de Vergílio Ferreira, Na Tua Face é uma reflexão sobre a beleza. Mas é, acima de tudo um livro da idade, das perspectivas e de um tempo passado e presente que se funde na memória. E é um livro em que a memória é o espaço privilegiado de a existência ser.

“Tudo na vida tem um limite e é preciso estar atento para o não ultrapassar. Porque para lá não há mais nada, que é o erro e a confusão. Entender.”
Profile Image for Carolina.
9 reviews1 follower
February 9, 2019
“Mas quando o mundo acabar a gente conversa. Agora vamos ver o mar.”
Profile Image for Luís.
2,495 reviews1,601 followers
August 8, 2020
"I have a horrible time with me. Of the truth of the life that is this. Not that of the so-called beauty, that delicate mineral lymphatic thing. The ugly the horrible, why horrible? Why beautiful? It was the man who created him, and the man is dead." (Na Tua Face, p. 128)

"The time for rickety and pindic beauty is over, for pirate harmony agreed as taking off the hat that no one else wears, for the expropriation of your ontology, for the marginalization of your subjective truth. for the exclusive affirmation of light, for the exclusion of manure for municipal manure after serving the flowers that the explorers adorn themselves with, (…) Today is the time of darkness, deformity, the hatred that generates deformity to exist when there is none, the glorification of sordidness and horror. The rehabilitation of excrement for him to be a son of God and God if he does not complain wanted to steal him, from the extent of wonder to what is before it is and fulfilled in life as a large intestine." (Na Tua Face, p. 69)
Profile Image for João Mendes.
329 reviews20 followers
January 15, 2024
Eu já não tenho palavras.

"A morte é o pavor do fim da vida. Mas sabeis que depois dela o tempo acabou? que depois dela a vida de um jovem ou a de um velho duraram o mesmo tempo? Ninguém tem memória de antes de nascer e depois de morrer também não. Lamentarmo-nos para depois da morte é supormo-nos vivos para então. Corpo e espírito têm nela o seu limite, ela pode ser assim não a maldição que se imagina mas a libertação do sofrimento. Por isso o suicídio não é um estigma mas o triunfo do homem sobre o destino."
Profile Image for Cátia  Carvalho.
1 review25 followers
January 27, 2017
Lembro-me que na primeira vez que li este livro, fiquei com a sensação de ser maçador, recordo-me até de ter mencionado que teria sido provavelmente dos livros que menos vontade me fez ter de sentar e ler tudo, tudinho. Dei uma segunda oportunidade e desta vez, não só me fez ter vontade de sentar e ler tudo, tudinho, como me fez perceber o quão bom este romance é.
Talvez aquilo que o tornou tão maçador da primeira vez foi o facto de ter de o ler obrigatoriamente. :p
Profile Image for António Dias.
195 reviews22 followers
September 1, 2023
É sempre com entusiasmo e fascínio que leio Vergílio Ferreira, um autor que fez do Existencialismo a ferramenta para perseguir o sentido último da existência, mesmo que este se revelasse na inexistência de uma essência que nos justifique.

Pelas suas histórias, e 'Na Tua Face' não é excepção, sobressai uma gritante e profunda solidão. Depois, a desilusão e aquela sobreposição de planos, passado e presente (e futuro), que enriquece tanto a narrativa, revelando-nos talvez ser mais real tal coincidência do que este tempo e espaço sequencial, espartilhado, em que acreditamos existir.

"E o rio foi logo evidente na sua quietude espraiada. Debruçámo-nos sobre ele do paredão ao largo do parque a vê-lo correr, e o tempo debruçou-se connosco e a eternidade coalhou em nós. Estávamos cheios de imensas coisas em suspenso e havia um leve murmúrio do rio só de vê-lo correr. Devia haver um grande silêncio no Mundo porque nos ouvíamos ser."
Profile Image for S..
19 reviews14 followers
May 11, 2018
Este livro tem partes maravilhosas e partes extremamente aborrecidas. Pior, pior é o síndrome "eu tenho dois amores". Vão quatro estrelas porque as cacas, esqueletos e resquícios de aldeias vão ficar comigo. Pergunto me se o avaliaria assim se em vez de Virgílio Ferreira trouxesse um autor desconhecido escarrapachado na capa.
Profile Image for Lee.
171 reviews
December 23, 2014
" (...) reabsorver em mim o sagrado da vida. A beleza, pois, e o que é? Aprender a verdade do ser que tem a beleza do infinito, suponho."
Profile Image for Sebastião.
104 reviews18 followers
May 10, 2014
Vergílio Ferreira é um mestre e este romance é prova disso mesmo.

Trata-se de uma prosa que é um relato da passagem de uma vida feito na primeira pessoa. Um relato introspetivo que navega ao sabor das ondas do pensamento, das nuances da memória.

A temática central é a beleza embora envolta num contexto que absorve todas as reflexões primordiais em Vergílio Ferreira: o sentido da vida, a morte, Deus. São reflexões profundas que não deixam o leitor indiferente, que pedem uma segunda e uma terceira leituras. Que muitas vezes vão ao encontro das nossas próprias angústias e, outras vezes, fazem germinar novas inquietações desde dentro de nós.

A obra é genial tanto a nível da história e da profundidade espessa e densa das reflexões como a nível técnico. Com efeito, o tratamento do texto é soberbo, o cuidado com a palavra irrepreensível. A prosa é tão bem construída que nos sentimos presos e perdidos numa rede de pensamentos que formam a psique do personagem principal. Uma rede polifónica e harmoniosa, misturando discurso direto, indireto, espaços imaginativo e reflexivo, que nos prende da primeira à ultima página.

Podia pensar em meia dúzia de grandes nomes do neo realismo e do existencialismo, da literatura contemporânea. Podia pensar, mas livros como este não me deixam. Vergílio Ferreira é um mestre.
Profile Image for Daniela.
41 reviews5 followers
February 17, 2018
"Tocava com veemência uma balada crispada na guitarra e pensava sem pensar ela ouve-me, vai acender a janela, as estrelas do céu estremecem, no fundo do seu sono ela escuta. Sentia a vibração no espaço deserto do lago, era necessário que ela ouvisse a minha oração. Como num templo, a prece não é o que diz mas a emoção do dizer, o frémito que a intensifica como o choro de quem pede. Ouvir-me. Dizer-me estou a ouvir no fundo do meu ser. Irei talvez ter contigo, caminharemos os dois de estrela em estrela até esgotarmos o céu. E prevaleceram contra o tempo e a morte. Ouço a balada no eterno e eu estou lá à tua espera."
Profile Image for Leonardo da Rocha.
3 reviews
June 19, 2018
Vergílio Ferreira percorre um caminho grotesco e hediondo, onde nos mostra o mais profundo visceral lado do ser humano enquanto ser racional e empírico. O amor é ininteligível, talvez a maior verdade implícita neste romance.
Profile Image for Nelson Miguel.
29 reviews1 follower
April 4, 2024
E imprevistamente era aí que eu repousava, na tua face, na imagem final do meu desassossego.
Profile Image for Samuel.
60 reviews2 followers
June 10, 2026
o vergilio ferreira escreve sempre o mesmo livro e isso nao e uma critica
Profile Image for Carolina Fidalgo.
Author 8 books48 followers
November 16, 2015
Antes de mais, gostaria de clarificar que o único contacto que já tinha tido com Vergílio Ferreira tinha sido com a Manhã Submersa. Marcou pelo seu peso emocional, mas não me suscitou muita curiosidade quanto a outras obras do autor.

God, was I wrong.

Ao ler o Na Tua Face, dificilmente consegui identificar traços comuns à Manhã Submersa. Denota-se temas muito diferentes (o grotesco, o tempo, o amor...) e um estilo de escrita muito mais modernista.

A sinopse? Basicamente, trata das memórias de Daniel, referindo-se à sua vida conjugal junto a Ângela, aos seus filhos "estranhos" Luc e Luz, e à sua paixão platónica por Bárbara.

Não foi uma leitura fácil. Como tive a infeliz ideia de parar a meio da leitura, tive de regressar ao início, mas ainda bem que o fiz. A certa altura, dei por mim a reler o início umas poucas de vezes para poder adiar o momento em que ia ler o final, que é, já agora, um verdadeiro chocolate.

Como nunca, por mais que escreva, vou fazer justiça ao Na Tua Face, limito-me a aconselhar vivamente a leitura. Não estarei muito longe se disser que é um pedaço de alma que está ali.
Profile Image for Marco Correia.
16 reviews
June 10, 2025
“O suicídio é um gesto nobre, comecei a ler, o Luc tinha fechado a porta. Ele é mesmo uma voz da Natureza para o animal que tem bons ouvidos. O lacrau. A baleia. Muito pássaro engaiolado. Quando nasceste a Natureza disse-te toma lá a vida e sê contente com ela. Não te disse toma lá a vida e espera aí um pouco que eu já te codilho. E que fazer se ela é um estupor? se ela ta dá e depois te cai em cima com um cancro invalidez fome cegueira paralisia reumatismo hi-droceles epilepsia caganeiras excessivas úlceras de repetição hepatites zumbideiras nos ouvidos trombose afasias pancada na mioleira e traições humilhações públicas e privadas depressões angústias metafísicas desastres políticos desastres amorosos burlas ambições amochadas derrotas no futebol na lotaria nas artes e letras e mais e mais e mais? O suicídio é o único acto nobre com que se pode enfrentar a traição da Natureza. Porque ela espera de nós o quê? Ela espera de nós a cobardia, a submissão abjecta, o comer e calar. Não vos caleis. Falai a única linguagem que ela e os deuses entendem. O suicídio é um acto nobre e corajoso e os que se suicidaram ficaram na História com o seu exemplo sublime.” P143

“Um dia disse-me vou ao dentista e eu pensei coitada. São dores abomináveis, absolutamente despropositadas. Porque a distribuição das dores é absolutamente irracional. Um amigo meu foi uma vez ao radiologista com a mulher que tinha uma forte pontada num pulmão. Não era nada, golpe de frio, mau jeito muscular, coisa asssim. E então, estando ali, lembrou-se de aproveitar e fotografar também os seus interiores. O médico perguntou-lhe e de que se queixa? De nada. Tinha um cancro. Talvez justamente num pulmão, já não sei. Um tipo torce um pé e sofre horrores. Um outro tem uma tuberculose e só dá conta quando tudo está já consumado — porque é que um dente há-de doer tanto? A dor é útil para chamar a atenção. Mas o alarme é quase sempre disparatado. A dor num cotovelo, nos tomates, mesmo normalmente uma dor de cabeça. A picada de um lacrau. Um dedo que se entalou. Uma queimadura. Mas um cancro não dói para dar aviso. Porque é que uma dor nessa merdícula que é um dente há-de ser uma dor aos berros? Mas é. E não quer doer sozinho, a merdícula quer ali o queixo todo a doer com ela.”
Profile Image for Carolina Pereira.
4 reviews
April 17, 2026
este livro foi muitas coisas, muitos pensamentos ao mesmo tempo, a escrita de Virgílio bué única
Profile Image for Beatriz.
11 reviews
December 3, 2024
Todos nós procuramos Bárbara, algo puro e egrégio que talvez só vive na nossa juventude, no tempo onde ainda não o sabemos apreciar porque secalhar o somos.
As filosofias do autor sobre o amor, a morte, o suicídio, a arte e a vida são fascinantes. Emparelhadas com uma escrita simples, limpa, de uma inteligência que não requer esforço, flui... encontrei neste livro O livro.
Profile Image for José Louro.
29 reviews2 followers
July 31, 2024
Não percebi bem a narrativa desta obra, para ser franco... Não me cativou muito e daí a demora para o ler.
Displaying 1 - 22 of 22 reviews