"O Mal é o quarto livro de ficção de Paulo José Miranda. Tendo já, noutras obras, abordado a vida e a obra de Cesário Verde, João Domingos Bontempo ou Antero de Quental, Paulo José Miranda debruça-se agora sobre a poesia e a vida de Camilo Pessanha, tendo para isso obtido, da Fundação Oriente, uma bolsa de criação literária em Macau (pouco depois da transição). Um professor de português em Macau prepara uma dissertação sobre Pessanha encontrando, à medida que o lê, paralelos consigo próprio e com a sua vida lá. Aos poucos, por meio das palavras do próprio Pessanha, vamos acompanhando as reflexões e a vivência deste professor, narrador estrangeirado que vagueia também pela língua portuguesa e pelo seu país como um emigrante amargurado."
Paulo José Miranda (n. 1965) recebeu o novo galardão do Círculo de Leitores para jovens autores, o Prémio José Saramago, atribuído ao seu romance "Natureza Morta" (1998). Este prémio no valor de 5 mil contos, com periodicidade bianual, distingue uma obra literária de ficção, de autores com idade até aos 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada numa língua de um país da lusofonia.
Este é já o segundo prémio com que Paulo José Miranda, licenciado em Filosofia, é contemplado. O seu primeiro livro, "A Voz que nos Trai" (1997) ganhou o 1º Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes. No ano seguinte o escritor faria a sua incursão pelo romance, com "Um Prego no Coração", em torno de Cesário Verde, primeiro título de um tríptico continuado com "Natureza Morta", sobre a obra e a figura do compositor português do séc. XIX Domingos Bomtempo, e que terminará com a obra que actualmente se encontra a escrever, um diário dos últimos três meses do poeta Antero de Quental. Quando lhe foi entregue o Prémio pela mão de José Saramago, que considerou "Natureza Morta" «um livro muito bem escrito, que revela um mundo ficcional muito próprio», Paulo José Miranda disse em entrevista ao "Público" que, mais do que uma trilogia romanesca de recorte histórico, este tríptico é um projecto que tenta olhar a relação dos seus autores com as suas próprias obras e as interrogações que elas nos levantam a nós próprios.» E acrescentou: « Aliás, não conheço nenhuma obra que não se interrogue sobre os problemas do seu próprio autor.»
Paulo José Miranda publicou ainda um outro livro de poemas "A Arma do Rosto" e uma peça de teatro, "O Corpo de Helena".
Um livro pouco entusiasmante cujo grande motivo de interesse é tecer algumas considerações sobre Camilo Pessanha, a sua poesia, a sua relação com Portugal e a sua permanência em Macau. Não consegui aderir na mesma proporção à história paralela do narrador. Fica um excerto de um poema de quem de facto acrescenta valor a esta obra, Camilo Pessanha:
(…)
Ó morte, vem depressa, Acorda, vem depressa, Acode-me depressa, Vem-me enxugar o suor, Que o estertor começa. É cumprir a promessa. Já o sonho começa… Tudo vermelho em flor…