Céline nunca desilude: foi com este pensamento que terminei a leitura deste magnífico livro.
A leitura desta obra trouxe-me à memória uma outra: Kaputt, de Curzio Malaparte. Um livro denso e tortuoso onde este autor faz uma viagem similiar à de Céline.
A escrita de Céline não é subserviente a adjectivos bonitos e metáforas polidas.
Nasce e permanece crua, sombria. Persegue-nos até ao fim, indiferente, desassossega-nos. Permanece. Insiste em ser lembrada. Serve-nos o coração fétido do homem. Faz-nos desacreditar.
Uma descida aos infernos da Alemanha nazi, numa peregrinação de desencanto, cheia de apátridas e onde apenas a morte (mais do que a vida!), é a única capaz de revelar a verdadeira igualdade fraterna dos homens.
Excelente. A cada obra sua, percebo que será sempre o meu autor favorito.
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"...é que não interessa onde ou quando, haja paz, calmaria, guerra, convulsões, são tantas as vaginas, os estômagos, as vergas, as fuças, que não sabemos onde os meter! são às pazadas!... e os corações?... extremamente raros! desde há quinhentos milhões de anos os pénis e os tubos gástricos já não têm conta, e os corações?... contam-se pelos dedos!..."