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528 pages, Paperback
First published January 1, 2013
4,5 estrelas
Ao longo dos tempos tenho vindo a ouvir falar na importância dos homens na formação de territórios, nas qualidades não só físicas como psicológicas que eles precisavam de ter para poderem construir e destruir impérios, fazer fortunas, descobrir novos territórios e explora-los… Tudo isto aprendi nas aulas de história quando andei na escola. E, com isto, me tenho vindo a aperceber que não só o papel das mulheres foi completamente descartado nalgumas situações como tem vindo a ser ignorado, não só há uns anos atrás como até nos dias de hoje. Sim, os homens tiveram um papel extraordinariamente relevante mas… e as mulheres? Seres usados meramente com o intuito de reprodução dirão uns, outros com o intuito de estabelecer a paz entre territórios há muito em guerra. Sim, tudo isto é verdade. No entanto, algumas mulheres que passaram por este mundo e em particular na época medieval (já que é a este o período temporal que a obra aborda) foram tudo isto e mais ainda. Como exemplo temos a personagem deste livro, Isabel de Portugal, duquesa da Borgonha.
A Ínclita Geração surpreendeu-me e pela positiva. Um dos aspetos que mais gostei ao longo da obra foi o facto de esta presentear o leitor com uma visão geral dos acontecimentos políticos, socioculturais que mais marcaram este período da história sem que isso tornasse o livro maçador. Podemos assim ter uma visão geral sobre Portugal, em particular as relações da dinastia de Avis, as intrigas e mesquinhices tão características de qualquer corte, Borgonha em toda a sua sumptuosidade, riqueza, beleza, intelectualidade, intrigas, batalhas, amores e desilusões, França, Inglaterra e Espanha e como todos estes países se relacionavam entre si. E no centro de todos os acontecimentos: Isabel, duquesa da Borgonha.
Isabel apresentou-se, ao longo de todo o livro uma mulher extremamente inteligente, perspicaz, ambiciosa, culta mas acima de tudo lutadora e leal, não só aos que viajaram consigo para um novo mundo, a Borgonha, como também para com os que ficaram para trás, em Portugal. Uma das coisas que mais me custou foi presenciar este “abandonar” de tudo e de todos, deixar uma família inteira para trás sabendo que se morrerá sem que os possam voltar a ver; confesso que me custou, sempre soube que era assim, mas neste livro senti-o pela primeira vez… por esta razão admiro ainda mais as mulheres desta época que, apesar de estarem a milhares de km de distância ainda tiveram um papel preponderante nas intrigas políticas internas, nomeadamente aquelas que levaram à morte prematura de D. Pedro, o aprisionamento dos seus filhos, e a transladação das ossadas de D. Fernando que morreu às mãos dos “infiéis”, transformando-se mais tarde em santo.
Foram poucas as mulheres que tiveram um papel preponderante a nível europeu mas posso orgulhar-me em dizer que uma delas foi portuguesa!
Não conhecia esta autora nem as suas obras mas fiquei rendida, adorei e recomendo a todos e em particular os que gostam de história. Devo referir que a gostei bastante desta edição uma vez que a meio do livro se encontram, à semelhança doutros livros históricos como A Marquesa de Alorna, um conjunto de informação adicional, nomeadamente algumas obras artísticas sobre algumas personagens do livro, algo que permite ao leitor usufruir ainda mais do livro. Se leram obras pertencentes à Guerra dos Primos (precisamente o meu caso) de Philippa Gregory, garanto que irão gostar sem dúvida deste, tendo em conta que aborda – não é, de longe, o tema central – esta temática fazendo, em parte, lembrar-me dos livros desta autora tendo, não obstante, mais detalhes e pormenores históricos que complementam o que já se (pode) sabe(r) desta época. Aconselho vivamente.