Tinha vinte e dois anos e era professora de piano. Era alta, formosa, morena e modesta. Fascinava e impunha respeito; mas através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, via-se que era uma alma ardente e apaixonada, capaz de atirar-se ao mar, como Safo ou de enterrar-se com o seu amante, como Cleópatra. Ensinava piano. Era esse o único recurso que tinha para sustentar-se e a sua mãe, pobre velha a quem os anos e a fadiga de uma vida trabalhosa não permitiam já tomar parte nos labores de sua filha. Malvina (era o nome da pianista) era estimada onde quer que fosse exercer a sua profissão. A distinção de suas maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.
Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. However, he did not gain widespread popularity outside Brazil in his own lifetime. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."
Um lindo conto de Machado de Assis, que apesar de parecer um tema simples e previsível, se levarmos em consideração a época de publicação e o público do autor, faz com que ele seja de certa forma muito além do que parece ser. A delicadeza de se tratar o amor, e o amargor do pai em contradição é muito único da escrita do Machado. Não há razões para não gostar desse conto.
"Mas o amor tem o grande inconveniente de não guardar a discrição necessária para que os estranhos não percebam. Quando dois olhares andam a falar entre si todo o mundo fica aniquilado para os olhos que os desferem; parece-lhes que têm o direito e a necessidade de viverem de si e por si."
This was the first tale I read from Machado de Assis and I must say I was not disappointed. Although it was very short, the story was well delivered and the writing style may just be one of my favorites (yet) within the Portuguese language.
I definitely plan on reading more of his works as soon as possible.
É bom, mas não achei nada especial como se espera de um Machado. A história é um pouco previsível e o tom professoral do final é um pouquinho piegas. Considerando que é mais um conto, valeu o meu tempo!
A pianista foi meu primeiro conto do Machado. Eu gosto dele por dois motivos. 1 - É uma história sobre a natureza humana. Uma história sobre o comportamento humano de diversas situações diferentes. Trata do preconceito de classes, das diferenças sociais entre classes diferentes, mas trata também da persistência e do que, de fato, significa amor. 2 - Muito embora machado nos leve a acreditar que Marina e Tomás são os protagonistas desse conto, somos surpreendidos ao percebermos que é de Tibério esse papel.
Ler Machado de Assis é fazer uma viagem por terras, palavras, costumes e cultura. Sua capacidade intelectual é notável, seus escritos arrebatam-nos os corações. Recomendo vivamente!
Machado de Assis é o mestre dos contos e em A Pianista ele nos leva a conhecer um amor impossível e um preconceito sem igual.
Malvina é uma pianista pobre e dá aulas para sobreviver. Uma de suas alunas é Eliza. Tomás, irmão da donzela, vai pouco a pouco se apaixonando pela professora e o amor é recíproco.
Infelizmente o pai do mancebo, o Senhor Tibério, é um homem prepotente que não aceita essa união por achar a pianista inferior e sem recursos.
O amor pode destronar a intolerância?
Um conto singelo, delicado que deveras amei!
Eu sou Cecilia Lorca, professora aposentada e escritora apaixonada!
É um conto que interage com o leitor, como em muitas outras obras de Machado de Assis, o narrador tenta nos levar a reflexões sobre o amor; são percepções singelas e comentários que os demais autores parecem não querer evidenciar numa história. Como duas pessoas que se amam podem viver apenas para o amor? O que vale mais: a honra, a moral, as aparências, os títulos, o dinheiro ou a afeição e o carinho?
É um belo e autêntico conto pronto para contestar a vida e a comunhão entre as pessoas mais comuns.
Geralmente, considero que algumas histórias poderiam ser mais curtas, e exalto as que são contos por terem uma duração suficiente. Entretanto, 'A Pianista' foi uma das primeiras que li e senti o contrário. Aqui, Machado poderia ter discorrido muito mais, e alguns detalhes que foram omitidos (com notas do próprio autor) poderiam ter sido melhor elaborados. Obviamente que algo vindo de Machado não seria ruim, inclusive pode-se ver muito dele no decorrer de tudo, mas nada muito grande e com uma lição moral final já meio batida.
De certo não é um livro longo, mas para um conto e é uma leitura agradável, curto de se ler mas rico no português, vendo os livros atualmente é muito bom ler um livro do Machado de Assis e ver palavras onde não se vê mais nos livros de hoje em dia.
Dito isso o amor de Malvina e Tomás superam sua diferença em classe social e com certeza o pai dele teve uma boa reconciliação com eles!
"Isto prova que a natureza pode comover a natureza, e que uma boa ação tem a faculdade muitas vezes de destruir o preconceito e restabelecer a verdade do dever."
Esse Tubério Valença foi um filho da mae quando descuidou abandonar o filho de lado, só por causa da opinião da sociedade sobre eles pelo fato de ser filho estar se casando com uma pessoa que não possui o mesmo status na sociedade equivalente ao deles…. Ele me irritou, mas ao menos foi capaz de reconhecer que se assim continuasse iria perder o filho por mais tempo, e perderia também a possibilidade de se tornar avô…
"pouco disseram, na santa efusão das almas, que falavam em silêncio e se comunicavam por esses meios simpáticos e secretos do amor"
Machado de Assis sempre é uma boa experiência, acompanhei Malvina, a pianista, Tomás e então o amor deles crescendo, o preconceito de Tibério a classe da mulher que o filho escolheu amar e a dor que ele causou a ambos. O desfecho me agradou muito.
A escrita assertiva do imortal acertou mais uma vez neste que é, na minha opinião, o conto mais lindinho de Machado de Assis que eu li até agora (saiba que eu não li ainda todos os contos de Machadão). Vale muito à pena e acalenta os coraçõezinhos que necessitam de um tico de fé na humanidade.
É uma história bem leve sobre o desejo de Tibério Valença de se aproximar dos fidalgos da corte, entretanto o filho se apaixona por uma órfã de um advogado. É importante ver essa discussão feita por Machado entre os sentimentos e o dinheiro/status. Achei a história bem leve e sem grandes reviravoltas, uma história gostosa de acompanhar como folhetim.
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Conto de Machado de Assis que conta a história da pianista Malvina, moça formosa mas de classe social baixa que acaba se apaixonando pelo filho de um fidalgo, o qual é contra o namoro e casamento. Um conto de destaca bastante o preconceito social da época. Um bom conto. Previsível mas vale a leitura. Gostei.
This was the first tale I read from Machado de Assis and I must say I was not disappointed. Although it was very short, the story was well delivered and the writing style may just be one of my favorites (yet) within the Portuguese language.
I definitely plan on reading more of his works as soon as possible.
Foi a minha primeira experiência com audiobook e curti bastante. A história em si não é muito surpreendente, mas o poder narrativo do Machado faz com que a história fique muito interessante. Já aqui dá pra encontrar a gênese das sacadas dele como narrador. Gostei muito.
"Tanto lhe parecia impossível sacrificar o gozo e o supérfluo às santas afeições do coração."
A história é simples, entretanto a leitura é muito aconchegante, não é um show criativo, muito menos complexo, mas abraça o coração de certa forma, então eu diria que é um bom livro.
É um conto bem escrito, trabalhado, apesar de não ser surpreendente. Para ser sincera, o enredo é um tanto quanto previsível, mas ainda assim vale a leitura. Simples, bem escrito, direto. Aborda questões sociais como o preconceito de classes e aposta no poder do amor para mudar as coisas - se não mudar, o amor permite ao menos a resiliência. Ademais, é interessante o conto se chamar "A Pianista" quando o personagem principal, ao meu ver, é o sogro.