" quatro letras extraídas da lotaria da História. E todos esses grandes sábios que se debruçaram sobre mim, uns declarando-me fêmea, loba ou prostituta, outros dizendo que devia o meu nome ao macho fundador que delimitou o meu terreno. Eu não dizia nada, naturalmente, mas nem por isso deixava de ter as minhas próprias ideias sobre o assunto. No pequeno jogo fastidioso da busca da verdade, desejava-lhes, evidentemente, o maior prazer, e não interferia. Afinal, eu vivera, meu amor, como tu, como todos nós - uma vida, toda uma vida e nada mais". Por que não tomaria a cidade de Roma a palavra num romance? Afinal os animais fazem-no nas fábulas. E pode esperar-se que uma cidade tenha tanto para nos dizer como a maior parte dos homens. De resto, cansamo-nos de tudo, inclusive de sermos eternos. Acontece que Roma tenha momentos de ausência. E então passam-se coisas Audrey Hepburn retoma férias romanas, Mussolini o serviço e as feras saltam de novo na arena do Coliseu. Quando o tempo sai dos gonzos, não resta aos homens como às cidades senão tentarem sair chama-se a isso amor. Rom@ de Stéphane Audeguy
Stéphane Audeguy (born 1964 Tours) is an award-winning French novelist and essayist. He studied literature at the University of Paris, where he also taught. He served as an assistant professor at the University of Virginia at Charlottesville between 1986 and 1987. He returned to France and now lives in Paris where he teaches art history and film history at a local high school.