Um dos criadores do Porta dos Fundos, Gregorio Duvivier comprova com Ligue os pontos que também é um ótimo poeta. E isto não é uma piada.
Com mais de 400 milhões de visualizações em pouco mais de um ano, os vídeos do coletivo Porta dos Fundos transformaram a maneira de fazer rir no Brasil. Um dos maiores responsáveis por esse sucesso é sem dúvida o ator e roteirista Gregorio Duvivier, que tem revelado grande habilidade em transformar a tragicomédia da vida contemporânea numa provocativa salada de gags que misturam absurdo e realidade.
Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade. Refinada no curso de Letras da PUC-Rio — e elogiada por autoridades como Millôr Fernandes, Paulo Henriques Britto e Ferreira Gullar —, a escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano.
Flashes pungentes e irônicos da adolescência — o autor é um expoente da “geração do bug do milênio” —, o mistério da criação, as palavras e suas relações inusitadas, a experiência do amor vivido enfim como gente grande, a transitoriedade de tudo: tendo a geografia sentimental do Rio de Janeiro como pano de fundo, a constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza.
Gregório Byington Duvivier é um ator, humorista, escritor, roteirista e poeta brasileiro. Ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores dos esquetes da série Porta dos Fundos, veiculada pelo Youtube.
É autor dos livros "A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora" , "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang" e "Put Some Farofa".Também assina uma coluna semanal na Folha de São Paulo.
o mês de fevereiro no rio nasce em outubro no alto da floresta da tijuca e chega em novembro aos bairros sem praia só se espraia por copacabana em meados de janeiro e explode na praia de ipanema em geral num sábado raramente ele chega na gávea quando acontece já estamos em maio.
Me decepcionei um pouco, definitivamente prefiro o Gregório escrevendo prosa! Mais ou menos um terço dos poemas faz referência ao Rio, também, e como os meus conhecimentos sobre a cidade são ínfimos, foi inevitável que o juízo sobre esses poemas específicos fosse limitado a pensar: “.......okay!! bacana..!!!” Mas ainda assim valeu a leitura, tem uns três ou quatro mais romantiquinhos que com certeza relerei com alguma frequência, e mais uma meia dúzia que eu morreria de orgulho de tê-los escrito eu. :)
Gregório Duvivier como bom poeta é e não é uma surpresa, ao mesmo tempo. Hábil com as palavras ele sempre foi; o monólogo O Céu da Língua (fora todo o resto como roteirista) é prova extensa.
Admiro gente que consegue ser séria e cômica em medidas similares, e que consegue transitar entre os dois estados num mesmo texto com sucesso. Embora esse livro tenha sido feito e dedicado a Clarice Falcão, não maturou mal. Entre os últimos 5 ou 6 livros de poesia contemporânea em português que li, foi o que mais gostei.
Um dos poemas me provocou uma reação, um arroubo de palavras que verteram e que dividi no @natalha_naval:
Me fez lembrar de quando ainda era possível deitar ao lado da minha filha, quieta, e de que nunca quis muito ser mãe mas quis mais do que nada então quis uma só - e sou feliz.
Reli por curiosidade. Foi o primeiro livro de poesia que comprei, anos atrás, na minha lembrança ele era um livro com esses poemas estilo de instagram, mas me surpreendi na releitura. Tem alguns poemas que me soaram sim meio bobos, outros que não são ruins, só não me tocaram e alguns que são bem bons. Então num saldo geral, é um livro que ainda vou deixar na minha coleção, tem seus pequenos momentos, não acho que nada vá ficar ressoando em mim muito profundamente (tá, um dos poemas vai), e a capa brilha no escuro, então é ótimo conseguir localizá-lo na minha estante enquanto estou prestes a dormir.
Curtíssimo, Ligue os pontos contém alguns bons momentos ao meu ver. Sendo eu alguém que jamais esteve sequer no estado do Rio de janeiro, ler um livro que poetisa minuciosamente as esquinas da capital carioca não me caiu tão bem assim. Quem sabe não gostasse mais se fosse mais familiarizado com a cidade...
Descobri o Gregório Duvivier poeta a poucos meses, através de um vídeo no canal Toda Poesia onde o próprio declamava um poema de sua autoria, muito simpático (https://www.youtube.com/watch?v=E2DHU...). Procurei o livro que continha o texto mas, na dificuldade de encontrá-lo, me contentei com este volume lançado pela Companhia das Letras. Ligue os Pontos é mais ou menos o que eu acreditava que seria, e ainda assim a decepção chegou, sorrateira, discreta. Existem muitos casos em que certa ludicidade, uma maneira primária de brincar com as primárias, faz muito bem e faz muito sentido na poética de um autor, não é bem o caso de Gregório, cujas poesias ficam ali, à beira do abismo da "poesia urbana". Dedicado à sua então musa Clarice Falcão, as melhores porções do volume são, na verdade, aquelas em que ele homenageia o Rio de Janeiro. Ainda meio bobas, mas de um afeto muito mais vivo e verdadeiro que aquele dedicado a parceira.
Foi o livro mais sem noção que eu já li em toda a minha vida. São 3:05 da manhã e eu não tô conseguindo dormir pensando no que acabei de ler. Sério. ¯\_(ツ)_/¯
Um dos meus livros de poesia preferidos, e um dos livros de que mais gostei em toda a minha vida. OS poemas são na sua maioria curtos e muito simples mas todos têm qualquer coisa de especial. A capacidade que o Gregório tem para encontrar poesia nas coisas bonitas e carinhosas de todos os dias é impressionante. Um livro para saborear!
This entire review has been hidden because of spoilers.