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Poética

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Ana Cristina Cesar deixou em sua breve passagem pela literatura brasileira do século XX uma marca indelével. Tornou-se uma das mais importantes representantes da poesia marginal que florescia na década de 1970, justamente pela singularidade que a distanciava das 'leis do grupo'. Criou uma dicção muito própria, que conjugava a prosa e a poesia, o pop e a alta literatura, o íntimo e o universal, o masculino e o feminino - pois a mulher moderna e liberta, capaz de falar abertamente de seu corpo e de sua sexualidade, derramava-se numa delicadeza que podia conflitar, na visão dos desavisados, com o feminismo enérgico, característico da época. Entre fragmentos de diário, cartas fictícias, cadernos de viagem, sumários arrojados, textos em prosa e poemas líricos, Ana Cristina fascinava e seduzia seus interlocutores, num permanente jogo de velar e desvelar. 'Cenas de abril', 'Correspondência completa', 'Luvas de pelica', 'A teus pés', 'Inéditos e dispersos', 'Antigos e soltos' - livros fora de catálogo há décadas estão agora novamente disponíveis ao público leitor, enriquecidos por uma seção de poemas inéditos, um posfácio de Viviana Bosi e um farto apêndice. A curadoria editorial e a apresentação couberam ao também poeta, grande amigo e depositário, por muitos anos, dos escritos da carioca, Armando Freitas Filho. Esta obra reúne os volumes independentes do começo da carreira aos livros póstumos da autora.

496 pages, Paperback

First published January 1, 2013

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About the author

Ana Cristina Cesar

31 books88 followers
Ana Cristina César was a poet and translator from Rio de Janeiro. She came from a middle-class Protestant background and was usually known as "Ana C." She had written since childhood and developed a strong interest in English literature. She spent some time in England in 1968 and, on returning to Brazil, she became a published author of note. The 1970s and early 1980s were the peak of her poetic career.
She returned to England in 1983. One of the authors she admired was Sylvia Plath. She shared some commonalities with her in temperament and fate. She died in 1983 by jumping out of a window at her parents´ apartment, in Rio de Janeiro

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3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 36 reviews
Profile Image for Gi Marques.
69 reviews5 followers
May 22, 2019
O livro é uma coletânea de suas obras já publicadas acrescida à um apêndice considerável, de uma forma que nunca havia sido publicado antes. Em vida, um livro foi oficialmente distribuído: A Teus Pés. Todos os outros eram entregues pessoalmente a seus amigos e colegas chegados, personalizados pela autora para cada um. E, alguns anos depois de sua morte, que ela mesma causou em 1983, foi encontrada na casa de sua mãe uma pasta cor-de-rosa, que deu origem ao livro "antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa".

Em um dos textos do apêndice, Caio Fernando Abreu diz que Ana Cristina dá ao leitor a impressão de estar vendo a vida dela pelo buraco da fechadura. Caio, eu amo você, mas discordo: a impressão que tive foi de estar sendo assistida pelo buraco da fechadura.

No primeiro livro, tive um estranhamento. Como disse Rubem Alves: "uma coisa precisa fazer sentido para estar certa ou errada". Pra mim, no início, Ana C. não fez sentido algum. Ela usa as palavras de um jeito muito próprio e, até me acostumar com isso, levou umas oitenta páginas e dois livros (que eu voltei para reler assim que terminei a obra completa).

Daí pra frente, consegui emergir em sua poesia e me identificar com a sua prosa, também absurdamente poética - e foi uma experiência incrível. O domínio da autora com as palavras e a destreza com que ela constrói frases metafóricas e as mistura com sentenças claras e diretas é singular e diferente de tudo o que já havia lido. Ela usa as palavras com a propriedade que só se tem ao usá-las por muito tempo.

Apesar de ter morrido cedo, Ana C. teve uma longa vida escrevendo. Começou a publicar poesias em jornaizinhos e criar seus livros ainda na escola. Nesta edição de "Poética", temos algumas digitalizações de poesias com notas de algum professor (A e 10, diga-se de passagem! rs).

Transgressora, forte, chocante: marginal. Ana Cristina carrega consigo todo o peso de uma geração presa em seus costumes e esbraveja liberdade em cada um de seus versos.
Profile Image for Luisa Geisler.
Author 49 books523 followers
November 20, 2018
outro caso de 'fui só pegar uma referência li um troço inteiro'
mas agora já era
nem sei se esse é o jeito 'certo' de ler poesia
mas certamente relerei
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,738 reviews
April 19, 2016
Artimanhas de um gasto gato

Não sei desenhar gato.
Não sei escrever gato.
Não sei gatografia
Nem a linguagem felina das suas artimanhas
Nem as artimanhas felinas da sua não-linguagem
Nem o que o dito gato pensa do hipopótamo (não o de Eliot)
Eliot e os gatos de Eliot (“Practical Cats”)
Os que não sei
e nunca escreverei na tua cama.
O hipopótamo e suas hipopotas ameaçam gato (que não é hopogato)
Antes hiponímico.
Coisa com peso e forma de peso
e o nome do gato?
J. Alfred Prufrock? J. Pinto Fernandes?
o nome do gato é nome de estação de trem
o inverno dentro dos bares
a necessidade quente de tê-lo
onde vamos diariamente fingindo nomear
eu – o gato – e a grafia de minhas garras:
toma: lê o que eu escrevo em teu rosto
a parte que em ti é minha – é gato
leio onde te tenho gato
e a gatografia que nunca sei
aprendi na marca no meu rosto
aprendi nas garras que tomei
e me tornei parte e tua – gata – a
saltar sobre montanhas como um gato
e deixar arco-irisado esse meu salto
saltar nem ao menos sabendo que desenho
e escrita esperam gato
saltar felinamente sobre o nome de gato
ameaçado
ameaçado o nome de GATO
ameaçado o nome de GASTO
ameaçado de morrer na gastura de meu nome
repito e me auto-ameaço:
não sei desenhar gato
não sei escrever gato
não sei gatografia
Nem…

Profile Image for Gabriela Ramos.
85 reviews44 followers
September 30, 2019
Edição de obras completas sempre acabam sugando a gente pra atmosfera do autor(a), essa faz isso avassaladoramente, além de como escritora a gente se apaixona pela pessoa de sensibilidade lúcida que é ana cristina... nos presenteia com sua obsessão por cartas, cartões postais, diários, memórias de viagens, irreverência do papel feminino como figura pensante, de existencialismos ao surreal...ficções com pinceladas biográficas.


"A obra breve, um cinema essencial, e depressa... ela não foi - ela fica - como uma fera.." Grito de consolo e resgate para que Ana Cristina permaneça viva, infinita, com toda sua liberdade metafórica, transgressora, marginal e de causar estranheza até os dias de hoje.

Destaco o capricho do organizador em abordar essa completude com muito respeito, notas de opção de publicação da autora, muitos manuscritos originais escaneados... E o apêndice sensacional (reúne críticas, cartas pessoais, declarações com amigos...) que não deixam a desejar em qualidade e em poética viva.

Poemas para quem "tem força de sobrecarregar a linguagem para que ela viaje", é preciso incorporar o poema... ela mesmo diz:


"Tudo o que está aqui já está em você, só que você não sabia, e é por isso que está me lendo, senão não precisaria me ler (...) o poema consegue falar para o singular e o anônimo, desde que este tenha coragem de ser leitor. De ser cidadão."


Por fim, com a voz:

poema óbvio

"Não sou idêntica a mim mesmo
sou e não sou ao mesmo tempo,
no mesmo lugar
e sob o mesmo ponto de vista

Não sou divina, não tenho causa
Não tenho razão de ser nem finalidade própria:
Sou a própria lógica circundante." Ana C.

 
Profile Image for Marcos Faria.
234 reviews14 followers
April 10, 2019
Meu único reparo é em relação ao excesso cometido pelos editores, na ânsia de publicar a poesia completa de Ana Cristina Cesar. "A teus pés" (com os dois livros independentes que o antecederam) é em si tão forte que, a meu ver, a reunião de tantos poemas inéditos - alguns expressamente marcados pela autora para não serem publicados - acaba por, em vez de reforçar, apenas diluir a obra poética de Ana Cristina Cesar. Sim, alguns são muito bons. Mas não faz sentido, a não ser para fins de estudo, juntá-los aos versos escritos por uma menina de 13 anos. Ou a outros em que a poeta se exercita numa corrente que ela própria viria a combater já na sua estréia.
Profile Image for Maria Celina.
91 reviews15 followers
December 15, 2016
Leitura difícil. A edição em um só livro pode tornar a leitura mais cansativa. Teria sido uma boa ideia lançar cada livro separadamente, num box. Mas vale a pena conhecer Ana C, suas várias fases e escritos, descobrir nuances e personagens e piadas e recorrências.
Profile Image for Adriana Balreira.
16 reviews
November 26, 2014
Para quem gosta das poesias da Ana Cristina César esse livro é indispensável! Reúne todos os livros dela. Muito bom!
Profile Image for MT.
201 reviews
December 20, 2021
“Um beijo

que tivesse um blue,
Isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
“ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz”



“Minha boca também
está seca
deste ar seco do planalto
bebemos litros d'água
Brasília está tombada
iluminada como o mundo real
pouso a mão no teu peito
mapa de navegação
desta varanda
hoje sou eu que
estou te livrando
da verdade”
Profile Image for Letícia Anadias.
770 reviews34 followers
Read
April 7, 2023
DNF - p. 177

já tentei ler essa querida duas vezes na vida, mas realmente não é pra mim :/
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
May 24, 2015
Em 2013 foi lançada a Poética de Ana Cristina César pela Companhia das Letras. Sempre tive vontade de ler, mas parecia algo meio sem sentido me atirar em algo que parecia ser uma "moda". Porque eu não tinha conhecimento de quem era essa mulher. O suicídio dela, aos 31 anos me atraiu de certa forma. Mas existem momentos.
Dois anos depois do furor inicial, embarquei nesses versos, nessas linhas desconexas que arrebatam a gente. Pelo menos em mim a repercussão foi enorme.
Sua produção abarca tanto poesia quanto prosa, essa geralmente em forma de cartas, delineando um "a quem".
Imagens bonitas se formam tanto nos relatos extensos e intensos quanto nos registros sintéticos como em "recuperação da adolescência": é sempre mais difícil/ancorar um navio no espaço.
Profile Image for Priscila.
29 reviews6 followers
August 26, 2015
O texto é ótimo, mas a edição perde um pouco em relação às da Brasiliense e do IMS. Tem o mérito de reunir toda a poesia da Ana C., mas justamente por isso fica um "livrão" pesado, desajeitado, e especialmente as páginas do meio têm a leitura dificultada.
Profile Image for Marina.
81 reviews1 follower
December 27, 2023
Ana c sabia demais de tudo, da melhor maneira possível. Eu, claramente, entendo de 0 - 25% do que ela dizia, mas, ainda assim, amo tudo que ela escreveu. Uma eterna apaixonada que me fez amar poesia. Eterna.
Obrigada Ana c.c.c
Profile Image for Ana.
31 reviews1 follower
January 5, 2020
Bote uma Maria Bethânia, porque essa leitura é intensa e dificil.
Profile Image for Nara.
713 reviews7 followers
May 21, 2021
A escola tem uma biblioteca. Uma escadinha de metal para alcançar mais alto, onde chove e não faz sol. Lá tem pó. A biblioteca tem dois tempos alternantes. Janelões emperrados. Tempo de silêncio espremido cômico leitor. Frinchas e vento encanado encenando cagando para as letras. Tempo de oncinhos fifecos, alunelhos, bundinhas rápidas e tranças. A biblioteca não é moderna. Na estante velha não tem romance incertos, só certos. Bolor. Calor. Lombo lombada, lambida, relida. Eu quero aquele livro que dá tesão, não,?"

Se eu consegui achar sentindo em 25% foi muito! (Estou sendo otimista na porcentagem!) Mas as coisas que "acho" que entendi gostei.

"Falta em Machado a menção a peidos. Peido incessantemente. Peidos presos oprimem."

Nunca imaginei ler numa frase algo que relacionasse Machado de Assis e peido. Eu realmente não sei do que achar sobre isso. Se não for o Machado de Assis alguém me corrija. Mas se for, Ana não falta nada de peidos em Machado! Graças que não têm!

Sei que poesia é algo bem pessoal, mas como as pessoas fazem pra entender um pensamento que só o poeta tinha na cabeça? Pra mim fica muito desconectado, fragmentado. Você lê achando que ela está querendo falar da brisa da noite, mas daí aparece um peido, o que te garante que não? 😑🙄

Posso escrever...

"Fogos-fátuos de dia, cantam minha dor da alegria de acordar." - Total minha autoria 😌😅 Podem achar que não gosto de acordar ao lerem isso, mas na real não consigo dormir por muito tempo 😌🤣🤣🤣

Como se entende a poesia de alguém? Sem que esse alguém explique?
Então mesmo gostando de certos fragmentos, não foi pra mim.

Acho incrível a nota dele ser bem alta! Como as pessoas entendem??? Comooo?😱😱🤣
Profile Image for Anna .
52 reviews1 follower
February 7, 2021
"olho muito tempo o corpo de um poema/ até perder de vista o que não seja corpo/ e sentir separado dentre os dentes/ um filete de sangue/ nas gengivas"

uma poética em que o leitor vai ressignificando a poesia mesmo enquanto lê a primeira vez; o poema não para um minuto

pra mim (com um palpite não melhor que o de ninguém) ana c. é uma das poetas mais genuínas por trás de uma das máscaras mais herméticas. enquanto você lê, a sensação é que mesmo que tudo seja mentira, tudo é verdade. ou, "nada é falso", mas o sangue ainda escorre das gengivas pra página. você só não sabe se é o seu o dela
Profile Image for Pedro Gomes.
78 reviews2 followers
June 3, 2023
Imersão total nessa poeta tão espetacular. A sensação é que a cada esquina de poema Ana está tramando um susto, e está mesmo, o susto dela mesmo com a palavra que segue e atormenta, e de repente ali está, estirada na última linha do poema - escritora e leitor como cúmplices da palavra que ocupa o fim. E agora? Não há cerveja possível, nem o desejo está satisfeito. A roda continua girando sem saber pra onde. Drama e delírio.

Generosidade enorme da seleção de amigos e antigos editores, parentes, pra nos trazer a totalidade dos escritos dessa poeta que nos deixou tão cedo. Ana é das maiores que temos.
Profile Image for Guilherme Eisfeld.
306 reviews5 followers
January 11, 2025
Se estrelas significassem alguma coisa na avaliação de um livro de poemas, Ana Cristina Cesar mereceria uma constelação. É difícil avaliar com métricas, ainda mais se tratando de uma poesia marginal, rebelde, que fala de si e do seu entorno. Coletâneas assim abrangem desde os projetos pensados, até poemas dispersos, e a capacidade e vocabulário da Ana, desde muito nova, é algo impressionante. Um livro para ter por perto e folhear sempre no turbilhão do mundo.
Profile Image for Antônio Júnior.
5 reviews1 follower
June 24, 2020
Ana é uma amiga. Ana é meu big romance. Ana é minha mestra. Amo essa mulher, o que ela escreveu. Amo essa mulher, a mulher que construí pelo que ela escreveu e amo cada arranhão que seus poemas fizeram na minha cara!
Profile Image for Debora.
28 reviews
October 22, 2024
“Por que essa falta de concentração?
Se você me ama, por que não se concentra?”.
Edição linda demais, impecável.
Profile Image for Guilherme.
141 reviews1 follower
December 30, 2023
Nenhuma autora me impactou mais neste último ano que Ana C. E quando o encantamento é assim, fica difícil dizer quais os motivos. Ana C. é única: desafia convenções, cria imagens e cenas enigmáticas, explora temas confessionais e performáticos de uma maneira muitas vezes difícil de distinguir e compreender plenamente. Ana C. É uma das vozes mais marcantes da poesia brasileira e por isso mesmo este livro, que reúne sua obra poética, guardará para sempre um lugar muito especial na minha estante.
.
“É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço”.
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