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Vai, Brasil

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"Português a falar brasileiro não tem jeito, mesmo quanto tem. Mas o que não tem jeito mesmo é perder tempo a não ser entendido. Não vou subir a favela e dizer sítio quando posso dizer lugar, ou apelido quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer sobrenome, ou alcunha quando posso dizer apelido, ou apanhar o autocarro quando posso pegar o ônibus. Português a falar brasileiro não é jeito de dizer, porque português e brasileiro falam sempre português, em toda a sua mestiça extensão. Nenhuma outra língua é tão falada no hemisfério sul. Finco os pés onde estou para a usar. Se não me esqueço de quem sou, porque terei medo do que serei? Muito do que hoje é brasileiro foi português antigo que Portugal perdeu, cardápio reduzido, falta de apetite. E eles continuam a vir, deitistas, higienistas, fiscais de contas, reduzindo a língua a um quartinho, e de colarinho: não respire, não respire. Ave a poesia, cheia de fome, Herberto Helder mais jovem que nunca, comendo a língua com travesti brasileiro e tudo." - A.L.C

328 pages, Hardcover

First published November 1, 2013

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About the author

Alexandra Lucas Coelho

20 books183 followers
ALEXANDRA LUCAS COELHO nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. Mantém o blogue Atlântico-Sul, onde publica as suas crónicas que escreve para o Público.

Em 2007 publicou «Oriente Próximo» (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Publicou mais quatro livros de reportagem-crónica-viagem: «Caderno Afegão» (2009), «Viva México» (2010), «Tahrir» (2011) e «Vai, Brasil» (2013). Em 2012 escreveu o seu primeiro romance, «E a Noite Roda», vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012. Publicou, recentemente, «O Meu Amante de Domingo» (2014).

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1 star
4 (3%)
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Sofia Costa Lima.
Author 4 books129 followers
Read
August 22, 2024
A sensação que tenho de Vai, Brasil é que tem muito de familiaridade, porque o local nos é familiar mesmo que nunca o tenhamos visto, os temas ainda estão na nossa memória e mesmo as imagens mentais que nos falham são fáceis de recuperar pela escrita. É um livro que, à semelhança de outros da autora que tenho lido, exige mais tempo, mais dedicação. Não é uma leitura rápida; lê-se com a tranquilidade de quem vai à descoberta de um lugar sem a pressa de se ir embora.
Profile Image for Claudio Costa.
26 reviews14 followers
March 11, 2015
Este livro, enquanto colecção de crónicas, dá-nos uma visão apaixonante, dura, realista, ingrata e esperançosa de um país chamado Brasil, que na verdade são vários países, tal é a dimensão e diversidade.
Levou-me bastante tempo a ler em virtude de uma interrupção de 6 meses para averiguar "in loco" se as coisas são realmente como a cronista as relata, o que tornou a leitura uma experiência muito interessante: o antes e o depois de lá estar e ver com os meus olhos.
O estilo da escrita da Alexandra é fluído, frequentemente terra-a-terra, por vezes com referências que obrigam à pesquisa (obrigado!), outras com uma marca poética/veia literária, mas sempre com um olhar acutilante, para além do óbvio ou superficial.
Gosto particularmente da mestiçagem dos vários sabores de língua portuguesa, porque afinal é de diferentes expressões e palavras que se faz a riqueza desta língua, oxente!
Fiquei com vontade de ler mais.
Profile Image for Tânia.
496 reviews
March 14, 2015
Entrevista à autora a propósito do lançamento do livro:
http://www.cartacapital.com.br/cultur...
"Como portuguesa, isso me libertou de ficar refém de uma espécie de maniqueísmo que existe em nossa relação e que é: ou sou o português arrogante, ou sou o português a pedir desculpas todo o tempo. Ou eu me ajoelho ou estou de nariz ao ar. Nossa relação é feita assim, como se eu tivesse que dizer: eu descobri vocês, ou pedir desculpas pelo mal que fiz."
A autora a falar sobre o livro:
https://www.youtube.com/watch?v=8iRZV...
Profile Image for Bárbara Portugal.
60 reviews3 followers
October 5, 2025
Este livro fez-me pensar muito sobre o Brasil. Isto é óbvio, mas não seria honesta se não dissesse que este livro me deixou inúmeras vezes num estado reflexivo. Não só pela realidade no Brasil, que é para mim, naturalmente, longínqua, pela distância geográfica, mas também sobre o pensamento português acerca da dicotomia sonho-pesadelo brasileiro. Para muitos, o Brasil é a terra dos sonhos, da verdadeira vida, para outros é um lugar de demónios, pela cultura profana que baila pelas ruas.

Certamente que este livro, muitas vezes cru, mostra muito bem que não há lugar para demónios no Brasil, mas antes espaço para se ser o que quiser e, isso sim, assusta muitos.

Quererei ler mais da autora e, se um dia a carteira o permitir, visitar o Brasil.
Profile Image for Marcelo Ottoni.
55 reviews10 followers
March 8, 2019
Peguei achando que fosse um livro de relatos de viagem de uma jornalista ao Brasil. Só isso já seria interessante, pois é bom ver no espelho com os olhos dos outros. Precisamos disso.

Mas não é bem um livro de relatos de viagem pelo Brasil. Alexandra Lucas Coelho passou 3 anos escrevendo este livro, que na verdade, é uma reunião de crônicas durante os primeiros anos em que ela passou morando por aqui.

Tanto melhor, mais que relatos, impressões, reflexões e análises de muito do que ela viveu por aqui entre 2010 e 2013.

Melhor ainda ter lido cinco anos depois do lançamento. A distância hoje melhora a nitidez do espelho. A profundidade também. Definitivamente, não são meros relatos. O Brasil não se descreve só com notas. Alexandra, minha amiga de espelho, sabe bem.
Profile Image for Count Gravlax.
165 reviews38 followers
July 5, 2015
A autora se queixa de que diversas vezes é acusada por seus críticos - tanto brasileiros quanto estrangeiros - de cair nos clichês sobre o Brasil duma maneira esquizofrênica. Que algum as acusam de tratar o Brasil com demasiado esplendor, outra com demasiadas críticas. E isto é verdade, pois ela de fato cai várias vezes nos dois clichês.

As vezes ela parece uma européia abobalhada com qualquer coisa brasileira, que logo vira digna de ganhar epípetos grandiosos e comparações esdrúxulas. Isso é normal em literatura de viagem, onde há que se achar adjetivos para chamar de genial qualquer besteira desde pato á Tucupi passando por Joao Gilberto até qualquer lixo literário disfarçado de contravenção (estilo o Pornopopéia do Reinaldo Moraes). Afinal, ninguém vai querer um livro que constantemente fale "então assistimos o espetáculo do grupo corpo ele é até ok". Pior que isso é o por vezes caricato "toque com tintas locais" que ela usa pra descrever habitos culturais brasileiros, mas me parece que muitas vezes isso não é culpa da Alexandra, e sim das suas companhias, já que na grande parte de sua viagem ela é acompanhada do que parece o pior da burguesia folclórica carioca.

Por outro lado, ela acaba muitas vezes descrevendo o brasil em termos de anos 80, de diferenças sociais TOTAIS entre as populações,de ilhotas de prosperidade cercadas de oceanos de favelas, de alguns luminares intelectuais entre um bilhão de iletrados. Existe, é claro, muita diferença social no Brasil, mas parece que ela ignora alguns dados importantes: que ao contrário do descrito, a população de favelas do Rio é de 20%, que o Brasil publica mais livros que o canadá, que o brasil é o 15º país que mais publica artigos cientificos e o que mais cresceu entre os ultimos anos no ranking, etc. todos dados que desmentem uma idéia de Brasil condominio fechado no meio da Guerra do Congo. Toda esta descrição anacrônica do Brasil é o sequestro de uma voz já muda: a dos 60% de brasileiros que nem vivem feito marajás nem catam comida do lixo pra viver, que completam o ensino médio, um cursinho técnico ou vá lá, uma faculdade passável e vão viver suas vidas sendo profissional liberal e parcelando muito.

A verdade é que descrever o brasil de 2015 não é lá muito interessante. Nós somos oficialmente um país de uma imensa classe média. Tirando algumas peculiaridades, não somos muito especiais. Não somos nem intelectuais nem zé ruelas, não somos ricos nem pobres, não somos utopia escandinava nem vivemos sob o jugo de uma feroz ditadura. Não somos exemplo pra ninguém, nem pra servir de mal exemplo. Nós estamos parados ali bem na meiuca da tabela do Idh. O Brasil estacionou nas classificatórias pra Sulamericana e só atrai fanático pro estadio. A cara do brasil é o tiozão de repartição pública. O brasil é um país assustadoramente, gloriosamente medíocre - no sentido mais clássico da palavra.
Profile Image for David Pimenta.
382 reviews19 followers
January 18, 2014
Alexandra Lucas Coelho mudou-se para o Brasil em 2010 como cronista do Público. Vai, Brasil é o resultado dos anos em que percorreu o Brasil. O livro é composto por crónicas publicadas no jornal entre 2010 e 2013 e oferecem um retrato do Brasil, tantas vezes olhado de uma forma deturpada pelos portugueses. Foi o encanto que tenho pela Alexandra Lucas Coelho como jornalista e pelo Brasil enquanto país (e já agora por me ter sido oferecido como prenda de Natal) que me fez ler este livro de crónica. Ficou bem abaixo das expectativas.

Em Vai, Brasil é oferecido ao leitor uma visão diferente deste país. Normalmente, pelo menos pela minha experiência, há sempre um mínimo de preconceito quando algum texto se refere ao Brasil ou um amor extraordinário que acaba por modificar a realidade brasileira. O meu contacto com os brasileiros ao longo do primeiro ano em que vivi em Lisboa contribuiu também para construir a imagem de um território que fica tão longe de Portugal. Mas a Alexandra Lucas Coelho oferece uma visão bem realista através das suas crónicas. Uma boa dose de aprendizagem - não fosse algumas vezes a preguiça em ter de pesquisar palavras, conceitos, projectos ou artistas ao Google - e uma escrita visual. Duas qualidades que estiveram sempre a seu favor.

No entanto, ou foi o meu estado de espírito ou foi algo a mais no texto que não me fez estar em sintonia com este livro. Custou-me algumas vezes continuar a leitura mas continuei a ler (também pelo significado deste livro ao ser-me oferecido como prenda). Para quem gosta de ler crónicas e sobre o Brasil, este é um bom exemplar. E, confesso, não tive paciência para ler as últimas crónicas.

3/5
Profile Image for Taís.
Author 9 books39 followers
August 23, 2015
Meu prazer ao ler esse livro é um pouco narcisista. Muita coisa que a gente vivencia no Rio passa despercebida. Não digerimos a beleza, o absurdo e o caos. Então é bom ver Alexandra contar sobre minha própria cidade. Porque é uma estrangeria que se apropria rápido dos lugares. Parece que pra criar vínculo, basta provar um bom prato. Ela narra o Rio e pedaços do Brasil a partir da sua experiência - e descreve comida, gente, som, sentimento. Jornalismo ainda pode ser maravilhoso. E me deu a sensação de que não estou só no meio dessa bagunça, porque compartilhamos lugares, álbuns, autores e expectativas. Vai, Brasil situa meus vinte e alguns anos em algum inconsciente coletivo.
Profile Image for Patriciacabrinha.
245 reviews11 followers
June 11, 2019
3,5*
Depois de ler "Viva, México", este "Vai, Brasil" desiludiu-me um pouco. Faltou-lhe a intensidade e a paixão de "Viva, México" [livro que achei fabuloso], tanto na descrição dos lugares como das pessoas com quem nos vamos cruzando ao longo do livro.
Profile Image for Pedro.
189 reviews1 follower
September 7, 2021
Um relato sentido e muito colorido do Brasil, quando se achava que a confusão das manifestações de 2013/4 seriam o mais complicado do país. Mas fora isso uma viagem e uma descrição do Brasil de tal forma apaixonante que da vontade de visitar ainda hoje!
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