Paulo Henriques Britto, además de ser escritor, es uno de los más importantes traductores literarios de obras en lengua inglesa en Brasil, con más de cien libros traducidos al portugués. Su vasta experiencia como traductor, pero también como profesor universitario, lo llevó a reflexionar sobre el oficio, dejando sus impresiones en varios textos publicados en revistas académicas, y también en este libro, La traducción literaria, que fue publicado en Brasil el 2012, obteniendo el premio “Mário de Andrade de Ensaio Literário”, de la Fundación Biblioteca Nacional, en 2013, y que ahora llega al mundo hispanohablante gracias a la iniciativa y traducción de Letícia Goellner, Vicente Menares y Sebastián Villagra. Además de reflexionar sobre los entresijos de la traducción, Paulo Henriques Britto también se revela como un crítico agudo e independiente que adopta una postura autónoma en relación con ciertas teorías, pero confirma, a la vez, que la traducción, teniendo en cuenta las diferencias entre las lenguas/culturas, es siempre un “trabajo creativo” y que “toda traducción es, por definición, una operación radical de reescritura”. Andréia Guerini, Universidad Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.
Paulo Fernando Henriques Britto (Rio de Janeiro RJ 1952). Poeta, contista, tradutor e professor. Vive no Rio de Janeiro, exceto nos períodos entre 1962-1964 e 1972-1973, quando mora nos Estados Unidos. Os conhecimentos linguísticos e culturais adquiridos nesses períodos o levam a se especializar nos estudos, bem como trabalhar como professor e tradutor de língua inglesa. Forma-se em português e inglês no curso de letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Pela mesma instituição obtém título de mestre e, mais tarde, torna-se professor em cursos de tradução, criação literária e literatura brasileira. Estreia como poeta, em 1982, com Liturgia da Matéria. À obra seguem-se outros volumes de poesia, como Macau (2003), pelo qual recebe o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira. Prosador e ensaísta, publica contos em Paraísos Artificiais (2004) e Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (2009), este com textos que partem do álbum homônimo do músico Sérgio Sampaio (1947 - 1994), para falar sobre o tropicalismo. É tradutor de diversas obras importantes, tendo vertido do inglês para o português cerca de 80 livros, entre os quais se destacam O Som e a Fúria, do americano William Faulkner (1897 - 1962), e Beppo, do inglês Lord Byron (1788 - 1824).
É um livro voltado para tradutores. Paulo Henriques Britto é pragmático, objetivo e manja para um caramba do assunto. Trás outros pontos de vista, concoda, discorda, cria pontes. Em regral eu não costumo trazer pra cá minhas leituras acadêmicas, mas desconfio que todo leitor tiraria proveito de ver como funcionam as linhas de racionício, o processo, vislumbrar as dificuldades e as escolhas de sofia que permeiam a vida de um tradutor.
Minha professora é apaixonada por esse cara. Quando fala dele, de que divide banca com ele, os olhinhos dela chega brilham. Para ela, é um sonho realizado. E isso é muito bonito. Conta de como no último ano de formação dela, fazia as disciplinas obrigatórias na UFF (em Niterói), e ia até a PUC (Gávea) só para, como ouvinte, fazer uma disciplina de tradução com ele.
Depois de ler esse livro aqui, eu é que fiquei apaixonado. Ele te pega pela mão, vai te levando pela teoria e pela prática, na ficção e na poesia, de um jeito muito bem dosado e em uma prosa gostosa. Você acaba o livro querendo que ele tivesse pelo menos mais quinhentas páginas e que o Paulo te explicasse tudo, todos os problemas, e as N maneiras de resolvê-los, no verso livre do O'Hara, nos sonetos de Shakespare, na prosa do Henry James... E no meio de tudo ele ainda solta uns hot takes sobre literatura e arte no geral.
Te faz olhar com muito mais carinho para traduções, te ensina a julgá-la de um jeito mais ponderado, e te dá uma boa base se quiser pôr a mão na massa.