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As Horas Nuas

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Rosa Ambrósio, uma atriz de teatro decadente, passa em revista, entre generosas doses de uísque, os amores de sua vida. O primo Miguel, sua paixão adolescente, morreu de overdose por volta dos vinte anos. Gregório, seu marido, virou um homem taciturno depois que foi torturado pela ditadura militar. Diogo, seu amante e último companheiro, trocou-a por moças mais jovens.
Alternando vozes e pontos de vista, passando do fluxo interno de consciência à narrativa em terceira pessoa, Lygia Fagundes Telles atesta aqui sua maestria literária e sua maturidade artística, pondo em cena grandes temas de nosso tempo - o movimento feminista, a cultura de massa, a aids, as drogas -, mediados pelos destinos individuais de um punhado de criaturas.
Publicado originalmente em 1989, As horas nuas tem sido aclamado desde então como um dos romances mais vigorosos e sutis da autora.

255 pages, Paperback

First published January 1, 1989

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About the author

Lygia Fagundes Telles

91 books568 followers
Lygia Fagundes Telles (born April 19, 1923) is a Brazilian novelist and short-story writer. She was born in São Paulo and is one of Brazil's most important living writers.

Her first book of short stories, Praia Viva (Living Beach), was published in 1944. In 1949 got the Afonso Arinos award for her short stories book O Cacto Vermelho (Red Cactus). Among her most successful books are Ciranda de Pedra (The Marble Dance) (1954), Verão no Aquário (1963), Antes do Baile Verde (1970), Seminário dos Ratos (1977) and As Horas Nuas, (1989). The book Antes do Baile Verde won the Best Foreign Women Writers Grand Prix in Cannes (France) in 1969.

Her most famous novel is As Meninas (The Girl in the Photograph), which tells the story of three young women in the early 1970s, a hard time in the political history of Brazil due to the repression by the military dictatorship. In 2005 she won the Camões Prize, the greatest literary award in the Portuguese language.[1]

She is one of the three female members of the Brazilian Academy of Letters.

From Wikipedia

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11 (2%)
1 star
9 (2%)
Displaying 1 - 30 of 47 reviews
Profile Image for Milena Machado.
99 reviews12 followers
January 21, 2022
Estou até agora pensando: "o que aconteceu aqui?". Não é que o livro seja confuso, é que ele tem tantas nuances e camadas que você não consegue achar uma definição para ele, e eu gusto disso, uma narrativa sem definções e amarras de gênero. Essa história pode ser tanto fantástica como realista, mas não pode se firmar em nenhum destes gêneros, pois ela ultrapassa suas barreiras.
Este livro estava na minha estante desde 2016, uma edição antiga, provavalmente dos anos 90, mas com o texto ainda impecável. Não sei por que demorei tanto pra ler, já que eu amo a Lygia; não lia um livro dela desde o ensino médio (ano passado eu reli Ciranda de Pedra, mas releitura não conta) e foi uma experiência fantástica ser arrebatada por essa mulher novamente, só que agora, na vida adulta.
Profile Image for Octavio Pontes.
74 reviews72 followers
February 28, 2021
"Eu sei tudo, dizia a revista da mamãe. Respondo agora, eu não sei nada. Sei que o corpo é do Diabo porque foi depois que rompi com meu corpo que me aproximei de Deus."
Profile Image for Gabriela Gonçalves.
309 reviews6 followers
April 17, 2023
3,5 ⭐️

Ler Lygia é sempre uma experiência incrível! Esse foi o último romance que escreveu e tem uma leitura bem desafiadora por causa do fluxo da consciência. No começo você fica um pouco perdida e bem confusa, mas depois consegue pegar a linha guia. Gostei de ter contato com essa Lygia que escreve de forma fragmentada e jorrando diversas emoções. Essa leitura foi ótima para me lembrar que preciso ter calma e paciência, pois eventualmente as coisas serão explicadas e farão sentido. Às vezes a Lygia joga uma informação solta na página 10 e só explica ela na 130, por exemplo. Gosto disso! Entretanto, esse não foi um livro que me cativou tanto. Até agora, para mim, Ciranda de Pedra e os contos são os melhores trabalhos da Lygia. Não consegui me conectar tanto aos personagens, nem na história em si. No quesito genialidade da escrita, isso a Lygia arrasa sempre! É muito bom ler analisando esse aspecto. O que ela escolhe e como escolhe nos revelar as informações, como ela cria suspense com as palavras certas e como ela conta segredos nas entrelinhas. Te amo, Lygia! Sempre um prazer recheado de ensinamento literário quando leio você <3
Profile Image for Guilherme.
126 reviews1 follower
December 30, 2023
Livros podem ser definidos como imagens. “As Horas Nuas”, da Lygia Fagundes, é um turbilhão, um redemoinho no meio do mar. Alternado constantemente de narrador, a obra carrega o leitor de um lado para o outro e vai desenrolando a história de forma elíptica, entrecortada. A trama gira (e neste caso realmente “gira”) em torno da personagem central, Rosa Ambrósio, uma atriz que já passou há tempos do auge de sua carreira e que agora, em crise, revive suas frustrações e crises em uma reminiscência regada à álcool. Uma de suas testemunhas mais instigantes é o gato Rahul, um dos narradores do livro, que através de um ponto de vista privilegiado traz ao texto um olhar cínico de felino sobre as crises e os dramas de sua tutora desgovernada. É um texto exigente, mas muito recompensador, que precisa ser lido com cuidado. Afinal, como na vida, nem tudo é só como parece na superfície.
.
“Eu me aproximo das pessoas como um ladrão que se aproxima de um cofre, os dedos limados, aguçados, para descobrir, tateantes, o segredo”.
Profile Image for Vanessa.
68 reviews14 followers
April 21, 2018
Rosa Ambrósio e a Obscena Senhora D. fariam uma dupla e tempo, hein?
Profile Image for Cristiane Bonezzi.
Author 1 book3 followers
January 12, 2018
Este foi apenas o segundo livro de Lygia Fagundes Telles que li. O primeiro foi As Meninas, que é um dos meus livros favoritos. Está nos meus planos incluir mais títulos dela na minha prateleira de livros lidos. Adoro o estilo. Não sei se foi apenas uma característica destes dois livros ou se é sua assinatura, mas me agrada muito como ela se veste de cada personagem para narrar a história a partir de diferentes pontos de vista.
Acho que nos falta hoje sermos capazes de analisar fatos e situações sob diferentes pontos de vista e olhar para o outro de igual para igual.
Gostei especialmente de um dos narradores ser o gato Rahul, um serzinho cheio de personalidade, lembranças e sonhos. Coincide com a forma como tenho mais e mais visto outros animais, como seres muito mais parecidos com os humanos do que diferentes.
Profile Image for Cata Joseph.
45 reviews11 followers
June 5, 2015
"A vaidade. A soberba. Só vaidade, montei no meu carro de nuvens e desfechei meus raios. Rua, eu disse. Ele foi. Fiquei sozinha com minha agregada negra. Com meu gato. Tenho minha filha mas é como se não tivesse, parece aquela poesia que o papai gostava de ler, nunca está onde nós a pomos e nunca a pomos onde nós estamos. No caso, era a felicidade. E esse pai, por onde anda? Se é que ele ainda anda. Paradeiro desconhecido. Só se fala na decadência dos usos, decadência dos costumes, está na moda a decadência. Sou uma atriz decadente, logo, estou no auge. Não me mato porque sou covarde mas se calhar ainda me matam"
Profile Image for Natalia Fernandes.
6 reviews1 follower
May 22, 2021
Estilo de escrita que eu gosto demais. Fluxo de consciência. Personagens odiosas e amáveis ao mesmo tempo.
Profile Image for Nara.
710 reviews7 followers
July 25, 2023
"A gente vai perdendo. Perdendo uma coisa atrás da outra, primeiro, a inocência, tanto fervor. A confiança e a esperança. Os dentes e a paciência, cabelos e casas, dedos e anéis, gentes e pentes - todo um mundo de coisas sumindo no sou sorverdouro, ô! meu Pai tantas perdas."

Já é incrível ler um livro onde você se indentifica com um personagem, imagina então se identificar com todos. A narrativa impar, os personagens tão reais e todos tão tangíveis.
Adoro a escrita da autora.
Profile Image for Thaínes Recila.
44 reviews2 followers
January 31, 2023
Eu sempre me surpreendo com a capacidade da Lygia em fazer do seu texto um espetáculo cheio de cortinas a serem descobertas. Começamos a ler o texto e não fazemos ideia onde iremos parar, de repente todas as peças se encaixam. Não foi fácil de ler, o fluxo de consciência, os focos narrativos entre uma atriz em decadência, uma terapeuta e um gato (!!!) não são fáceis de ler, mas com o tempo a gente vai entendendo.

Muito interessante a ligação entre esses três personagens: todos vivendo várias vidas; Rosália com seus papéis de teatro, o gato com suas diversas reencarnações e Ananta apenas absorvendo as diversas histórias dos pacientes.

A protagonista, Rosa, vai contando suas memórias e misturando-se aos delírios do álcool, da saudade, dos seus próprios papéis... Todos os pormenores apontando para sua incapacidade de viver sem mentiras. Sempre representando, sempre em busca da fonte eterna da juventude, pois seu envelhecimento e decadência são provas do seu mais profundo medo: o abandono.

No decorrer da história ela vai falando de sua versão sobre os fatos, de seu marido apático à vida após ser preso na ditadura, de sua empregada negra que só pensava em cantar para Deus, de sua filha amante de homens velhos e casados, de seu secretário e amante que lhe era como substituto do seu primeiro amor da adolescência e de sua terapeuta apática que lhe ouvia as histórias com um desinteresse clínico, assim como de seu gato, Rahul, que gostava mais do falecido marido do que dela. Rosa sentia-se não ouvida por todos, todos a abandonavam. Absortos demais em problemas provavelmente reais diante dos devaneios de uma mulher de classe média alheia a um país em decadência e ao mesmo tempo tão pertencente a este. Todos, viravam, assim, goles de fonte para se sentir jovem e ainda com sentido.

Foi muito engraçado e doido perceber tudo pelo olhar do gato, assim tbm como não sei se entendi bem o plot da terapeuta ao final e seu vizinho misterioso. Fiquei curiosa sobre o que acontecera, mas desconfio que tenha relação com o gato 🧐

Enfim, este foi o último romance dos 4 que li da Lygia e ela vem continuando a ser uma das minhas favoritas. Ainda estou remoendo e tentando entender tudo, mas foi uma ótima experiência.
Profile Image for Alisson Souza.
2 reviews
September 29, 2016
Rosa amava Miguel e o perdeu. Ela o viu morrer nos bracos de sua mãe. Rosa conheceu Greogorio no dia em que perdeu Miguel. Na ausencia de Gregorio, Rosa conheceu Diogo que lembrava Miguel. Rosa perdeu Gregorio que suicidou. Rosa perdeu Diogo, que lembrava Miguel, pois esse não mais voltou. Gregorio, Diogo e Miguel foram parte de vida de Rosa. Todos partiram. Todos levaram um pouco de quem era ela. Um livro tenso de trocas desavisadas de narradores inconstantes; um afogamento de memorias, suposicoes do que ja havia acontecido; nostalgia e pessimismos; a perda da juventude e da beleza pelo monstro que é o tempo; fluxos de consciencias intensos: arrependimentos e culpa. E Rahul, um gato que sonhava ser homem e talvez em outras vidas tivesse sido.
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1 review
March 29, 2022
De um estilo que, embora confuso em sua concepção e de difícil entendimento no começo, te fisga de jeito quando você se acostuma, As Horas Nuas é um livro de memórias, pensamentos e consciências. E que fluxo de consciência é cada capítulo em primeira pessoa (a maior parte do livro)!
Os devaneios bêbados de Rosa Ambrósio e as observações e fantasias de Rahul se somam a uma narrativa que pouco anda, mas é porque não precisa andar? As fantasias e devaneios que a impedem de andar ou ela própria, a narrativa, quem decidiu ficar flutuando em um espaço-tempo ambíguo, cheio de saltos e voltas mirabolantes? É nesse estado de suspenção narrativa, quase que uma embriaguez pode-se dizer, que o livro constantemente te deixa ao jogar uma forte correnteza de pensamentos em sua cara, muitas vezes até sem contexto algum. Mas pudera, As Horas Nuas seria o título das memórias de Rosa Ambrósio, atriz que um dia volta aos palcos, vocês vão ver, ela já está estudando a próxima peça, seu retorno triunfal. Lygia então honra esse título dando ao livro a mais pura característica das memórias, a desconexão.
Por mais que o livro seja sobre a atriz em crise (de idade, de vícios, de amor), o maior personagem é aquiele que circula por todos os lugares, o que tudo vê e tudo sabe, mesmo não se importando. Rahul, o gato vira-latas que Rosa um dia achou na rua e o levou pra casa, brilha em cada página que narra e rouba a cena em cada página em que apenas aparece mesmo que de fundo. Não a toa a última frase do livro é dedicado a ele, "é o gato". É o gato até que talvez saiba a solução pro mistério do sumiço da Ananta, única parte da narrativa que se passa em terceira pessoa, mesmo que ainda com pontos de vista bastante específicos dela e do primo dela, e a única parte que parece ir em alguma direção certa, embora no final não chegue a lugar algum.
Inclusive, sobre o final do livro, acho curioso como a Rosa nos abandona depois de finalmente narrar a morte de Miguel, seu primeiro amor, assim como ele próprio, Gregório e Diogo a abandonaram. O que fica é a informação que ela finalmente foi internada, parece estar bem, com certeza vai voltar aos vícissitudes quando sair do lugar e talvez um dia volte aos palcos, ela mesmo quem falou que quer voltar. É bom notar que esses capítulos finais narrados pela Rosa, falando sobre Miguel, são os únicos em que ela realmente trabalha no bendito livros de memórias dela. Conta a história a um gravador. E nos abandona como quem abandona a idéia de fazer um livro de memórias.
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Profile Image for Izabella Baldoíno.
15 reviews1 follower
April 1, 2023
As Horas Nuas foi um livro desfiador, sem sombra de dúvidas, mas também muito gostoso de saborear. aqui Lygia põe num caldeirão diversos temperos narrativos. há o fluxo da consciência de Rosa Ambrósio, uma atriz de meia idade, classe média alta e decadente - descobriremos em quais aspectos da sua vida reside essa decadência ao longo desse fluxo - e depois o fluxo da fala dessa mesma personagem; há a narrativa detalhista do observador gato Rahul, companheiro de Rosa; há a perspectiva metódica de Ananta Medrado, analista de Rosa e vizinha dela e de Rahul; e há, ainda, uma narrativa surpresa lá pro final. curiosamente, não há a voz de Dionísia, uma personagem super presente: ela fala apenas a partir da perspectiva do outro, e os por quês dessa ausência da autonomia da voz de Diú também se apresenta, de alguma forma, ao longo do livro.

pra mim, Rahul é a personagem principal e a principal estrela, mas... da maneira como o livro nos é dado, a personagem principal é a própria Rosa Ambrósio. Rosa tem uma vida marcada pelo luto, não somente o luto pela morte de pessoas próximas, mas também o luto pela perda de maneira geral - a perda da juventude, a perda daquilo que considera importante para manter seu status social, a perda de relações e, quem sabe, a perda de si mesma.

"a gente vai perdendo. perdendo uma coisa atrás da outra, primeiro, a inocência, tanto fervor. a confiança e a esperança. os dentes e a paciência. cabelos e casas, dedos e anéis, gentes e pentes - todo um mundo de coisas sumindo no sorvedouro, ô! meu Pai, tantas perdas. tive alegrias e tive ganhos, quero ser justa porque também ganhei mas hoje ficou sendo o dia da perdição. as ilusões maiores e menores. grandes e pequenos lábios."

eu poderia mencionar tantos aspectos dessa obra... a história de Rahul, a de Gregório, a de Ananta, a da própria Rosa... a perspectiva de uma personagem sobre a outra, o aspecto visual marcante das cenas narradas, a dor que muitos acontecimentos podem nos causar, a singeleza dos detalhes... acho que Lygia encerrou sua escrita de romances de maneira magistral, embora ainda hajam pontos nesse livro que não me agradam 100%.
Profile Image for igor.
8 reviews
August 13, 2025
the bare hours is my first lygia fagundes telles novel, and while i can’t fully participate in the conversation celebrating her other novels and career, i can 100% agree that this book is excellent.

centered on the life of a middle-aged actress, the bare hours is an honest portrait of the so so so discussed, midlife crisis. in this novel, the author captures all the chaos, epiphanies, and female insecurities surrounding aging. the protagonist, rosa ambrósio, longs to return to the theater stage but fears she’s too old for it—while also grieving her late husband yet still yearning to love again. it’s a haunting exploration of women’s fears around menopause and beyond.

on the other side of the coin, we follow two other characters who play crucial roles in rosa’s life: her therapist—who believes she’s losing her mind—and her cat, who is also mourning a lost love. these characters not only add depth to the novel but are essential to the mirror lygia wants us to confront. each of them reflects us—our fears, our worst-case scenarios, and our hearts. whether it’s the fading actress, the grieving homosexual cat, or the therapist slipping into psychosis, they all embody our deepest reflections, and lygia masterfully brings them to life.

lygia fagundes telles writing is incredible, evoking emotions you’ll never feel anywhere else. it’s sad, honest, and thought-provoking. the only barrier between me and this novel was its stream-of-consciousness style. the author dives deep into this literary technique—we never know when a new thought will emerge or if the previous one will continue. at first, it was a fun mystery to follow, but by the halfway point, the initial intrigue turned into frustration. it’s challenging to stay engaged with a story when you can’t always grasp the author’s full meaning on it. but i can't deny: amazing book.
Profile Image for Higor Bernardo.
93 reviews
September 7, 2023
Num fluxo de consciência absurdo, Lygia nos transporta pra dentro da mente de personagens complexos, que se mostram cada vez mais espessos e protegidos por camadas e mais camadas de metáforas.
Desde a atriz Roda Ambrósio - que quando assume a narração nos faz sentir como se realmente estivesse em um palco, com o holofote apontando para si, num grande monólogo -, ao seu gato Rahul - um gato que viveu bem mais que sete vidas -, Lygia destrincha os pensamentos, as angústias, as ironias e os deboches de cada um. No decorrer, ganhamos outra narrativa paralela: a da analista Ananta, que tenta cuidar da saúde mental da atriz aposentada, ao mesmo tempo em que se apaixona por seu vizinho de cima, que sequer sabe que ela existe.
A narrativa é um pouco complicada, principalmente por se tratar daquele fluxo de consciência que se mistura com a narrativa linear, demandando uma atenção grande por parte do leitor, mas tudo, como sempre, posto de forma tão poética que nos envolve e nos engole em sua forma.
Profile Image for Ana Aires.
4 reviews1 follower
March 31, 2024
Um dos dons de lygia é caracterizar muito bem uma personagem. As ideias e perturbações aparecem várias vezes no livro, de acordo com o humor do momento.
Há uma questão recorrente no livro de alguns personagens que nos remete à relação “terra x céu”, “cima-baixo”, a devoção e religiosidade de diú, a obsessão e prazer sexual com o vizinho de cima de ananta, a profissão de astrólogo, o palco e o público de Rosa Ambrósio. No final, Rosa fala “Gregório já sabia que a traição faz parte do amor. Faz apodrecer o amor, é claro, mas sem morte e podridão o amor não poderia ressuscitar como Jesus ressuscitou, ah, como estou lúcida, um deslumbramento de lucidez, sem morte não há ressurreição”
Na metade do livro passei a notar que as cenas sempre eram Construídas com muita sombra, penumbras, e uma paleta de cor sempre recorrente no livro:
“Aspiro a fumaça cinza-azul do seu cachimbo”
“Depositou no prato do toca-discos o blue lamuriento da velha guarda do jazz e começou a falar no mesmo tom azul roxo da música”
“-lembra, dionisia? O hálito de Gregório era azul, tão leve como a fumaça”
Profile Image for Ju Harue.
298 reviews2 followers
July 15, 2022
A escrita de Lygia é incrível, de uma forma bem particular, a narrativa dos acontecimentos da vida de Rosa, e daqueles que estão ao seu redor, são pontuados de ambiguidades. Momentos e personagens que se mesclam, se (co)fundem. Essa obra me lembrou muito, em um certo ponto, Evelyn Hugo, talvez por abordar uma atriz já consagrada que envelhece, que conta memórias, amores, acontecimentos - a farsa vivida no mundo de fama, muito acima das tragédias (Rosa andou para que Evelyn pudesse correr rsrsrs).
A obra mostra é antagonicamente complementar, com bem e mal, risada e dor, alegria e tristeza, juventude e velhice, característica de Lygia, mas dessa vez achei mais escancarada do que no outro romance que li - As Meninas. Literalmente desnudando a vida, nas mais íntimas Horas Nuas - principalmente na visão do outro narrador que acompanha-a em momentos íntimos.
Fiquei curiosa demais para ler na versão nova, da Companhia das Letras, com as notas.
Profile Image for TP.
36 reviews1 follower
September 8, 2021
Mais um bom livro da autora.

Sendo bem sincero, apesar da escrita ser sempre excelente, eu perdi um pouco do interesse pela história la pelo meio do livro. Apesar disso, os capítulos finais voltam a ser instigantes.
Os capítulos sob o ponto de vista do gato Rahul e aqueles nos quais a Rosa grava suas memórias foram os que mais gostei.

É muito legal ver elementos históricos da época enquadrados na história. Como a aids, a ditadura, a nova Constituição, etc. No caso não é uma autora falando do passado, já que o livro foi escrito na época que tudo aquilo estava acontecendo. Acho que isso dá um toque especial à história.
Profile Image for Gaia.
8 reviews
July 7, 2023
O ponto forte das obras de Lygia Fagundes Telles é a intertextualidade que pode dar uma reflexão profunda aos acontecimentos narrados e, neste caso, é evidente no paralelismo entre os acontecimentos da sua vida e a vida dos protagonistas que interpretou no teatro. No entanto, este estilo narrativo particular de saltos temporais e mudanças súbitas de ponto de vista tornam a leitura e o acompanhamento difíceis, especialmente para uma não nativa como eu. Se fosse possível colocar mais uma meia estrela, colocá-la-ia, mas neste caso sou obrigada a arredondar para baixo.
Profile Image for Marina Stein.
67 reviews11 followers
July 14, 2023
Acho deslumbrante essa coragem de abrir o peito e as veias, Cavalgar triunfante sobre todos os azares! Okey, mister Shakespeare, mas agora eu queria ficar deitada aqui no chão. O escuro. A trégua. Não ver e não ser vista. Nas guerras antigas tinha essa hora de trégua e não eram bonitas? Hem?!... Aquelas guerras. Lentas e sentimentais com os violinos no fundo. Fáceis, a gente entendia tudo quando via no cinema, o sangue não esguichava com violência das feridas mas empapava as fardas devagar, quase delicadamente. (p. 15)
Profile Image for Vivi Turman.
6 reviews
April 29, 2024
Amo como ao longo da leitura já não sei mais dizer se estou lendo ou simplesmente mergulhando nos meus próprios pensamentos, refletindo amargurada sobre a minha própria vida, tal qual Rosa Ambrósio. Senti a dor da morte do Miguel antes que a Rosa pudesse viver de fato um romance assim como quase morri de tristeza com a história de desencontros entre a Virgínia e o Conrado em Ciranda de Pedra. A Lygia é muito boa em nos lembrar que de romântica a vida não tem nada.
E que coisa bonita ver a vida através dos olhos do Rahul! E que triste testemunhar a falta que o Gregório faz.
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Profile Image for Isabelle.
35 reviews2 followers
February 7, 2019
3.75/5

Demorou um pouco pra me segurar na leitura, pensei em desistir umas duas vezes, mas persisti. Escrita incrível. Rosa é terrível, o gato também. Parece que teve muita estória, mas queria mais, mas ao mesmo tempo foi o bastante.
Profile Image for Anna C.
38 reviews7 followers
May 28, 2020
Rosa Ambrósio é a Norma Desmond brasileira.
Profile Image for Ana.
3 reviews
February 2, 2021
Tudo que a Lygia escreve é maravilhoso.
Muito bonito, completo e complexo, e ainda assim tão leve.
Queria que o livro tivesse mais umas 200 páginas e eu leria feliz.
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