Será que os tempos não estão mudando para melhor? Será que economia não está se tornando mais flexível, cooperativa e informada? Será que os computadores e a tecnologia não vão resolver, em breve, os problemas trazidos pelo projeto moderno?
Estas são algumas das perguntas que Borgmann busca responder neste livro. Após apresentar e mostrar as falhas do modernismo e os pontos positivos da crítica pós-moderna, o autor quer mostrar que várias ambiguidades e indefinições ainda estão presentes neste último movimento. Isso significa que estamos em um momento onde a crítica ao modernismo pode tomar duas direções diferentes, conforme propõe o autor: o hipermodernismo, marcado pelas características de hiperrealidade, hiperatividade e hiperinteligência, ou o pós-modernismo realista, marcado por realidades focais, paciência vigorosa, e celebrações comunitárias.
O livro é um alerta para que não tomemos as inovações de nosso tempo como soluções de problemas antigos, sem perceber que elas são "mais do mesmo". Já dizia Jacques Ellul que problemas gerados pela tecnologia não podem ser corrigidos com mais tecnologia - e este também é o ponto da crítica de Borgmann: estamos cegos para o hipermodernismo porque ignoramos o poder da tecnologia na formação de indivíduos, comunidades e nações, transformando-os em consumidores, nichos de mercado e maquinários públicos.
A solução é apresentada de uma forma vaga, no fim do livro, mas que usa palavras fortes, capazes de gerar boas discussões no futuro: uma autêntica recuperação da presença marcante e eloquente da realidade, uma continuidade com o ambiente ao nosso redor, um vigor e paciência diante da dureza e solidez do mundo real - que aprendeu a lidar com a fragilidade humana e a contingência (ou graça?) diante do universo - e uma autêntica celebração comunitária, cujas políticas de incentivo e preservação reconheçam que a substância precede e informa o procedimento.