"Atlas do Corpo e da Imaginação" é um livro de Gonçalo M. Tavares que atravessa a literatura, o pensamento e as artes, passando pela imagem e por temas como os da identidade, tecnologia; morte e ligações amorosas; cidade, racionalidade e loucura, alimentação e desejo, etc. Centenas de fragmentos que definem um itinerário no meio da confusão do mundo, discurso acompanhado por imagens de "Os Espacialistas", colectivo de artistas plásticos. É um livro para ler e para ser visto e é também, de certa maneira, uma narrativa - com imagens que cruzam, com o texto, os temas centrais da modernidade. Neste Atlas do Corpo e da Imaginação, Gonçalo M. Tavares revisita ainda a obra de alguns dos mais importantes pensadores contemporâneos, partindo de Bachelard e Wittgenstein, passando depois por Foucault, Hannah Arendt, Roland Barthes, mas também por escritores como Vergílio Ferreira, Llansol ou Lispector, entre muitos outros. Arquitectura, arte, pensamento, dança, teatro, cinema e literatura são disciplinas que atravessam, de forma directa e oblíqua, o livro. Com o seu espírito claro e lúcido, Gonçalo M. Tavares conduz-nos com precisão e entusiasmo através do labirinto que é o mundo em que vivemos."
Gonçalo M. Tavares was born in Luanda in 1970 and teaches Theory of Science in Lisbon. Tavares has surprised his readers with the variety of books he has published since 2001. His work is being published in over 30 countries and it has been awarded an impressive amount of national and international literary prizes in a very short time. In 2005 he won the José Saramago Prize for young writers under 35. Jerusalém was also awarded the Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007 and the LER/Millenium Prize. His novel Aprender a rezar na Era de Técnica has received the prestigious Prize of the Best Foreign Book 2010 in France. This award has so far been given to authors like Salmon Rushdie, Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez and Colm Tóibín. Aprender a rezar na Era da Técnica was also shortlisted for the renowned French literary awards Femina Étranger Prize and Médicis Prize and won the Special Price of the Jury of the Grand Prix Littéraire du Web Cultura 2010. In 2011, Tavares received the renowned Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, as well as the prestigious Prémio Literário Fernando Namora 2011. The author was also nominated for the renowned Dutch Europese Literatuurprijs 2013 and was on the Longlist of the Best Translated Book Award Fiction 2013.
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc. Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países. Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos do Público para «Livro da Década». Em Portugal recebeu vários prémios, entre os quais, o Prémio José Saramago (2005) e o Prémio LER/Millennium BCP (2004), com o romance Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores «Camilo Castelo Branco» (2007) com Água, Cão, Cavalo, Cabeça (Caminho). Recebeu, ainda, diversos prémios internacionais.
Peca pela superficialidade com que os temas são abordados. Cita-se um autor, comenta-se brevemente uma ideia, passa-se para outra. Abre muitas portas ao pensamento, o que lhe dá mérito, mas por si não desenvolve satisfatoriamente as ideias que aflora. Contudo, tenho de reconhecer que, se isso para mim é um vício, para o público geral será uma benção. Afinal, o texto não pretende ser académico(?, espero.) A fotografia acrescenta ao charme, creio que apenas isso e a relativização do âmbito da obra me fazem ponderar as 3 estrelas.
“O que credibiliza por norma não é tanto a citação citada, mas o autor (...) A mesma frase, se tiver por autor um indivíduo de nome Ludovico não tem o mesmo peso de uma frase de Wittgenstein. Assim, o reforço filosófico pela autoridade, reduzido ao essencial, encontra nomes, e não ideias.” (p. 55) Este ponto usaria eu contra o que sucede neste livro, em que Wittgenstein é citado constantemente. Mas o autor prossegue: “Para reforçar a autoridade da Tese A podemos referir, sem frases destes, os nomes de Roland Barthes, Ludwig Wittgenstein ou Paul Valéry, por exemplo.” Assim, a legitimidade é posta nas citações das autoridades e a crítica no mero nomear das autoridades. Mas parece-me que citar e comentar levianamente não chega, mais a mais autores tão paradoxais e complexos como Wittgenstein. A maneira de não incorrer no apelo à autoridade seria talvez explorar onde se insere tal aforismo no contexto do autor. A partir da segunda parte já senti maior desenvolvimento de ideias próprias, ainda assim e mesmo tendo em conta o género Altas, penso que não se explora o suficiente. "Eis o método: colocação de múltiplas hipóteses e exploração e desenvolvimento de cada uma." (p.39) - parto das palavras do autor para construir esta crítica. O mais justo será provavelmente dizer que não se explora de uma maneira que eu pessoalmente considere interessante; as entradas sabem a pouco e no fim parece que não se disse grande coisa, se é que ficou alguma. As divagações não me cativaram, mas se me tentar afastar da bolha escolástico-académica em que o meu cérebro se imergiu, reconheço que podem ter valor. Mais que não seja, o valor de abrir portas ao pensamento.
Um ensaio sem método. Uma nulidade do ponto de vista filosófico, científico, e literário. Desde a primeira página o que se encontra é citações atrás de citações até à última página. Uma nulidade, tal como toda a obra do autor. Devemos questionar por que razão tem Gonçalo M., Tavares tanto boa crítica. E a resposta é simples: movimenta-se tão bem no meio que não há uma pessoa que seja capaz de dizer mal das suas obras.
"Atlas do Corpo e da Imaginação" é um objeto literário não identificado: Talvez seja um trabalho académico, com todas as suas regras e especificidades. Talvez seja um grande ensaio sobre a posição do ser humano no mundo. Talvez seja um conjunto relativamente coeso de prosas poéticas ou de reflexões metafísicas. Talvez um tratado de filosofia. Talvez tudo isso. Talvez nada disso...
E todas as características deste livro fascinante são congregadas pela pura força metafísica do seu autor, capaz de reflexões tão poéticas quanto friamente racionais. Gonçalo M. Tavares desconstrói as contradições e as inquietações da condição humana, e este livro não é exceção. Uma obra de génio de um autor ímpar no panorama literário global.
Os críticos deste livro criticam-no pela falta de profundidade, olha, de fato o livro é uma grande coleção de reflexões, algumas engatam-se, outras não, mas acredito que se deveria enxergar o Atlas justamente como uma reunião de ideais, pistas e observações. Ora, é só explorar por conta própria os fios que te interessem – isso sim, acho justo.
O meu “método” de enfrentar essa obra foi atrás de leituras aleatórias mesmo. E costumo lê-la para familiares, amigos, como se fossem mensagens dirigidas a essas pessoas. Para mim tem sido uma grande diversão e uma fonte inesgotável de provocações.
Gonçalo é generoso neste trabalho. Parece-me que neste trabalho sintetiza profundas historias, pensamentos possíveis. Acho sinceramente o melhor trabalho do escritor, porque está nele o DNA de seus questionamentos. O DNA de seus personagens, narrativas, escritas. Deves ler. Comece já!
Um livro extraordinário e fascinante para quem gosta de ler e pensar. Obrigatório na nossa biblioteca. Assim sim, o autor ao mais alto nível. Um livro que ombreia com o melhor dos melhores. "Revisita a obra de alguns dos mais importantes pensadores contemprâneos, com uma narrativa (com imagens que se cruzam com o texto, os temas centrais da modernidade)que atravessa a literatura, o pensamento e as artes..." Um livro para ler e reler vezes sem conta. Como já tive a oportunidade de escrever, com mais esta obra-prima, o autor vai no caminho certo para o maior dos prémios, sem qualquer dúvida.